Um amor prefeito
Entre o Toque e o Rugido do Coração
O sol de Tanzaku já estava alto, mas dentro daquele quarto de estalagem, o tempo parecia ter se dobrado sobre si mesmo, recusando-se a avançar. Jiraiya observava Naruto terminar de ajustar a sua bolsa de equipamentos. O clima de domesticidade que se instalara era reconfortante, mas para um homem que viveu décadas no fio da navalha, a calmaria era apenas o prelúdio de uma tempestade de desejos que ele mal conseguia conter.
Jiraiya não aguentava mais. Cada movimento de Naruto, cada risada e até a forma como ele franzia o nariz enquanto lutava com um nó rebelde em seu traje laranja, agia como um combustível para o fogo que queimava sob a pele do Sannin. Ele tentava manter a postura de mestre, o semblante do mentor experiente, mas a verdade é que ele estava perdidamente rendido.
— Sabe, Ero-Sennin... — começou Naruto, virando-se com um brilho travesso nos olhos azuis — acho que você está ficando mole. Aquelas duas tigelas de ramen foram uma vitória fácil demais para mim. Você nem tentou negociar!
Jiraiya soltou um suspiro que era metade risada e metade desejo reprimido. Ele caminhou lentamente em direção ao jovem, o som de suas sandálias de madeira ecoando no piso de tábuas largas.
— Você acha que eu estou mole, é? — perguntou Jiraiya, a voz descendo uma oitava, tornando-se aquele rosnado baixo que fazia os pelos da nuca de Naruto se arrepiarem. — Talvez eu esteja apenas guardando minhas energias para coisas mais importantes do que discutir o preço de um almoço.
Naruto engoliu em seco, mas não recuou. Pelo contrário, ele estufou o peito, desafiador.
— Ah, é? E o que seria mais importante do que ramen? — provocou o loiro, embora seu coração já estivesse martelando contra as costelas.
Jiraiya não respondeu com palavras. Ele alcançou Naruto, fechando o espaço entre eles com uma urgência que não existia minutos atrás. Suas mãos grandes agarraram a gola da jaqueta de Naruto, puxando-o para cima, forçando o jovem a ficar na ponta dos pés. O beijo que se seguiu não foi um convite; foi uma reivindicação.
Desta vez, não havia a hesitação da primeira noite. As línguas se encontraram em uma batalha frenética por domínio, um entrelaçar de sabores e respirações ofegantes. Naruto soltou um som baixo, algo entre um gemido e um suspiro de alívio, enquanto suas mãos subiam desesperadas para o pescoço de Jiraiya, perdendo-se naqueles cabelos brancos indomáveis.
O beijo se intensificou, tornando-se mais profundo, mais voraz. Jiraiya sentia o calor emanando de Naruto, a energia vibrante do Jinchuuriki que parecia pulsar em sintonia com a sua própria. Ele empurrou Naruto suavemente contra a parede de madeira, o corpo pesado do Sannin pressionando o jovem loiro, prendendo-o entre o calor de seus músculos e a estrutura da estalagem.
— Jiraiya... — Naruto conseguiu murmurar entre as investidas da boca do mestre, o nome soando como uma prece.
A mão de Jiraiya desceu pelas costas de Naruto, mapeando cada curva, cada músculo tenso, até chegar à base de sua coluna. Em um movimento rápido e carregado de uma possessividade lúdica, Jiraiya desferiu um tapa firme e sonoro na bunda de Naruto.
O som estalou no quarto silencioso, e Naruto deu um salto, os olhos azuis arregalando-se em choque e deleite. Um rubor intenso subiu por seu pescoço, atingindo as pontas das orelhas.
— Ei! — exclamou Naruto, a voz falhando enquanto ele tentava recuperar o fôlego. — O que foi isso, seu velho pervertido?!
Jiraiya soltou uma gargalhada rouca, os olhos brilhando com uma malícia que ele não fazia questão de esconder. Ele se inclinou, sussurrando contra o ouvido de Naruto, sua respiração quente causando calafrios no rapaz.
— Eu disse que não aguentava mais, Naruto. E você disse que eu estava ficando mole, lembra? — Ele deu uma mordida leve no lóbulo da orelha do loiro, fazendo-o estremecer. — Só estou lembrando a você com quem está lidando. Eu posso ser seu mestre, mas também sou um homem que sabe exatamente o que quer.
Naruto sentiu as pernas fraquejarem. A audácia de Jiraiya, aquela mistura de autoridade e desejo cru, era algo que ele nunca esperava experimentar, mas que desejava mais do que qualquer jutsu proibido. Ele envolveu a cintura de Jiraiya com as pernas, puxando-o para mais perto, querendo sentir cada centímetro daquela força.
— Então para de falar e me mostra — desafiou Naruto, o sorriso voltando aos seus lábios, agora inchados pelos beijos. — Ou será que o lendário Sannin só sabe escrever livros e dar tapinhas?
Jiraiya arqueou uma sobrancelha, um sorriso predatório surgindo em seu rosto.
— Você realmente gosta de brincar com o fogo, não é, garoto? Pois bem. Eu vou te mostrar que a realidade é muito melhor do que qualquer ficção que eu já escrevi.
Ele tomou os lábios de Naruto novamente, mas desta vez o beijo era mais lento, exploratório, carregado de uma promessa que fazia o sangue de Naruto ferver. As mãos de Jiraiya voltaram para onde haviam acabado de deixar sua marca, apertando com firmeza, sentindo a juventude e a vitalidade de Naruto sob seus dedos.
— Você é meu, Naruto — rosnou Jiraiya contra a boca dele. — Entendeu isso? Minha luz, minha perdição, meu tudo.
— Eu já disse — respondeu Naruto, puxando a cabeça de Jiraiya para baixo para que pudesse olhar bem no fundo daqueles olhos escuros e experientes. — Eu sou seu. Sempre fui. Só demorou para você perceber, seu lerdo.
Jiraiya riu, um som que vinha do fundo do peito, e o carregou de volta para a cama, as roupas sendo descartadas pelo caminho com uma pressa que ignorava qualquer decoro. O treinamento poderia esperar. O mundo poderia esperar. Konoha, a Akatsuki e o destino poderiam esperar do lado de fora daquela porta.
Ali, sob o teto de uma estalagem qualquer em Tanzaku, Jiraiya finalmente se permitiu ser apenas um homem. Um homem que amava, que desejava e que, pela primeira vez em sua longa e solitária jornada, não precisava mais aguentar o peso do mundo sozinho. Ele tinha Naruto. E Naruto tinha a ele.
— Eu te amo, Naruto — sussurrou Jiraiya, antes de mergulhar novamente naquele mar azul que eram os olhos de seu pupilo, perdendo-se no único lugar onde ele realmente se sentia em casa.
— Eu também te amo, Ero-Sennin — respondeu Naruto, abraçando-o com toda a força que possuía. — Agora cala a boca e me beija de novo.
E Jiraiya, obediente pela primeira vez na vida, fez exatamente o que lhe foi ordenado.