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Um lobo sedento

A Fúria em Carne Viva

A chuva que fustigava a floresta de Cobblestone havia transformado a terra ao redor da cabana em um atoleiro repugnante, mas dentro das quatro paredes de madeira escura o ambiente era sufocante. O calor gerado pelo cio de Enid parecia ter adquirido densidade própria, um vapor pesado que cobria os vidros com uma névoa espessa, isolando as duas do resto do mundo como se estivessem trancadas em um sarcófago febril.

Wednesday estava de pé diante da pequena mesa de cabeceira, tentando recompor o que restava de sua dignidade têxtil. Suas mãos pálidas trabalhavam metodicamente para abotoar uma camisa reserva de linho preto, mas a tarefa provou-se irritantemente complexa. Cada músculo de suas costas ardia. As marcas deixadas pelas garras afiadas de Enid eram vergões vermelhos, profundos e latejantes, traçados do topo dos ombros até a base da espinha.

Não era a dor que incomodava Wednesday. Pelo contrário: a dor física era sua forma favorita de poesia sensorial. O problema era a insolência crescente de sua companheira de quarto.

Enid estava sentada no meio do colchão em frangalhos, enrolada apenas em um pedaço de lençol rasgado que mal cobria suas coxas volumosas. Seus cabelos loiros estavam em um desalinho selvagem, as mechas rosas e azuis coladas à pele suada da testa. Mas eram os olhos da loba que faziam a têmpora de Wednesday pulsar de exasperação: pupilas dilatadas, brilhando em um âmbar arrogante, carregadas de uma satisfação animalesca e desafiadora.

— Você está muito lenta hoje, Addams — zombou Enid, a voz rouca arranhando o ar como lixa. A loira lambeu uma das garras pontiagudas, saboreando com descaramento o vestígio escuro de sangue seco sob a unha. — Nem parece a garota que se gaba de ser imune à fraqueza mortal. Vai me dizer que uma mordidinha no pescoço te deixou tonta?

Wednesday parou o movimento de seus dedos no terceiro botão. Lentamente, com a precisão calculada de uma lâmina de guilhotina sendo erguida, ela girou a cabeça em direção à cama. Seus olhos negros se estreitaram até virarem fendas gélidas de ódio contido.

— Uma mordida de animal raivoso causa necrose tecidual e inflamação celular, Sinclair — respondeu Wednesday, com a voz tão baixa e afiada que poderia ter cortado o vidro da janela. — Se eu quisesse ser dilacerada sem método ou elegância, teria me atirado voluntariamente em um moedor industrial de carcaças. O que você fez com meu colarinho foi vandalismo desnecessário.

Enid inclinou a cabeça para o lado, soltando uma risadinha gutural que vibrou profundamente em seu peito. Seus caninos protuberantes brilharam na penumbra.

— Vandalismo? — Enid levantou-se da cama com uma fluidez predadora, deixando o lençol escorregar deliberadamente pelo chão. Totalmente nua, com o corpo desenhado pelo suor e as curvas brilhando na penumbra, ela deu dois passos lentos e silenciosos sobre o tabuado rangente. — Ah, pobrezinha da gótica... Ela tá brava porque a loba dela não obedeceu ao roteiro fúnebre.

A ômega parou a centímetros de Wednesday. O odor de sua excitação, amplificado pela fúria e pela segunda onda violenta do cio, atingiu a morena com a força de um soco.

— Você se acha tão controlada, Willa — murmurou Enid, erguendo o queixo de Wednesday com a ponta de uma garra afiada, perfurando superficialmente a pele pálida sob o queixo da Addams até que uma única gota rubra brotasse. — Mas seu coração tá batendo a cem por hora. E não é de medo. Você odeia perder o controle... mas ama quando eu tiro ele de você à força.

Wednesday não recuou. Seus olhos desceram para o peito arfante de Enid, descendo pela linha do abdômen tenso até o centro úmido e brilhante da loira, que gotejava de desejo cru. Uma centelha perversa acendeu-se no fundo da escuridão dos olhos de Wednesday.

Ela odiava a petulância da loba. Odiava ser provocada por alguém cuja maior preocupação mundana era a cor do esmalte. No entanto, aquele ódio não pedia repressão; pedia combustível. A raiva em Wednesday nunca se manifestava em histeria, mas sim em uma fome sádica de destruição e, em sua face mais obscura e oculta, em uma necessidade masoquista de ser devorada pelo monstro que havia escolhido acolher.

— Você está cometendo um erro tático gravíssimo, Enid — sibilou Wednesday, segurando o pulso da loira com um aperto férreo. — Eu não perco o controle. Eu apenas o redistribuo para onde o dano possa ser mais produtivo.

— Prova — latiu a loba.

Num rompante de pura força lupina desinibida pela febre, Enid girou os quadris e empurrou Wednesday contra a parede de toras da cabana com uma violência estrondosa. A madeira rangeu, a poeira antiga caiu do teto e o impacto fez o ar fugir dos pulmões de Wednesday com um baque surdo.

Antes que a morena pudesse recuperar o fôlego, Enid usou sua vantagem física para prender os pulsos de Wednesday acima de sua cabeça contra a madeira áspera. As garras da ômega cravaram-se no tecido da camisa preta, rasgando o linho novo com facilidade e perfurando a carne das palmas e dos pulsos de Wednesday.

A dor aguda, pontiaguda e quente explodiu nos nervos de Wednesday.

Um arrepio voluptuoso desceu pela sua espinha, destrancando instantaneamente algo monstruoso e faminto em seu âmago. Seus olhos se dilataram; suas narinas inflaram, captando o cheiro metálico de seu próprio sangue misturado ao almíscar voraz de Enid. Em vez de resistir, a cabeça de Wednesday pendeu ligeiramente para trás contra a tora áspera, seus lábios se entreabrindo em uma respiração trêmula e decadente.

— Mais forte — ordenou Wednesday, a voz tingida de um prazer doentio e raivoso que ela não fez o menor esforço para esconder. — Se você vai bancar a fera dominante, Sinclair, pelo menos tenha a coragem de me deixar uma cicatriz que dure até o próximo século.

Os olhos de Enid faiscaram em ouro vivo. O desafio foi a faísca em um barril de pólvora.

A loba enterrou o rosto na curva do pescoço de Wednesday, não com a ternura manhosa de antes, mas com uma fúria carnal implacável. Seus dentes afundaram na carne fria da morena, exatamente sobre a clavícula, mastigando e marcando com uma pressão que fez ossos rangerem.

Wednesday soltou um arquejo estrangulado. O sofrimento era divino; era uma comunhão profana que fazia sua anatomia intersexual reagir com ferocidade imediata. Sob as calças pretas que mal havia terminado de fechar, seu membro endureceu em segundos, crescendo pesado, doloroso e implacável, latejando em sintonia com a pulsação frenética de suas feridas abertas.

— Vadia sádica... — xingou Enid contra a pele ensanguentada de Wednesday, soltando os pulsos da morena apenas para descer as mãos com brutalidade, rasgando o restante da camisa preta, arrancando os botões com um puxão cego e descendo para a fivela do cinto da Addams. — Você quer que eu te machuque. Você tá gozando só de sentir minha mordida, não tá?

— Eu tolero sua selvageria — respondeu Wednesday entre dentes cerrados, as mãos agora livres agarrando os cabelos loiros de Enid com força violenta, puxando a cabeça da loba para trás para fitá-la nos olhos. O sangue de Wednesday escorria pelo queixo de Enid, manchando os lábios da ômega de escarlate. — Porque você é patética demais para perceber que, mesmo debaixo de suas garras, quem dita as regras sou eu.

— Então me cala, Addams! — rugiu Enid, empurrando as calças de Wednesday para baixo dos joelhos com as unhas compridas arranhando as coxas pálidas, deixando linhas avermelhadas que ardiam ao contato com o ar frio. — Me quebra por dentro até eu não conseguir mais latir!

A visão de Wednesday semi-despida contra a parede de toras era um quadro de pura violência poética: o torso pálido coberto de arranhões e sangue escorrendo, os olhos escuros ardendo com uma cólera quase demoníaca e seu falo longo, rígido e intumescido empurrando para cima, a glande reluzindo com uma gota espessa de líquido seminal excitado pelo castigo físico.

Enid não esperou. Movida pelo desespero irracional do cio que exigia posse mútua e violenta, ela agarrou o membro de Wednesday com a mão quente e calejada pelas transformações, bombeando uma única vez com força desmedida, arrancando um rosnado áspero e grave do fundo da garganta de Wednesday.

— Sinclair... — Wednesday advertiu, as pupilas quase engolindo a totalidade dos olhos negros.

Em resposta, Enid ergueu uma de suas próprias pernas, apoiando o pé sobre o baú de madeira que estava ao lado da cama, abrindo-se completamente. O centro da ômega estava hiperêmico, dilatado e brilhando com uma umidade copiosa que escorria pelas coxas internas.

— Enfia tudo — rosnou a loba, os caninos à mostra. — Agora!

Wednesday não precisou de um segundo convite. Segurando o quadril carn

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