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Um pouco diferente

O Aroma do Entardecer e a Promessa do Amanhã

O sol de Yokohama começava a mergulhar no horizonte, pintando o céu com pinceladas de violeta e ouro, mas dentro do apartamento de Chuuya, o tempo parecia ter uma cadência própria, muito mais lenta e preguiçosa. Aposentados da vida de violência, os dias agora eram preenchidos por pequenas rotinas que, para qualquer estranho, pareceriam domésticas demais para a ex-Dupla de Negro.

Chuuya estava sentado na poltrona de couro perto da janela, tentando folhear um catálogo de vinhos novos, mas sua concentração era constantemente interrompida por um peso morno e insistente que se esfregava contra suas pernas. Dazai, jogado no tapete felpudo aos pés do ruivo, agia como um gato grande e folgado, buscando atenção de todas as formas possíveis.

— Chuuyaaa... — Dazai arrastou o nome, esticando os braços para cima. — A luz está ficando fraca. Você vai estragar esses seus olhos azuis tão bonitos tentando ler no escuro. Por que não larga esse papel e foca em algo mais... nutritivo?

Chuuya suspirou, fechando o catálogo com um estalo seco. Ele olhou para baixo, encontrando o olhar castanho de Dazai, que brilhava com uma expectativa infantil e, ao mesmo tempo, profundamente possessiva. O ruivo sentiu o peso familiar em seu próprio peito; a sensibilidade já estava aumentando, um sinal claro de que seu corpo, agora acostumado com a extração regular, estava pronto para o "jantar" de Dazai.

— Você é um parasita insaciável — murmurou Chuuya, mas sua mão desceu automaticamente para os cabelos de Dazai, acariciando os fios rebeldes. — Já faz o quê? Três horas desde que você parou?

— Três horas e doze minutos — corrigiu Dazai, levantando-se com a agilidade de um predador que sabe que a presa já se rendeu. — E você sabe que eu fico preocupado com a sua saúde, Chuuya. Se acumular demais, você fica irritadiço. Mais do que o normal, o que já é um feito impressionante para alguém do seu tamanho.

— Se você fizer mais uma piada sobre a minha altura, eu juro que te deixo de jejum até a próxima lua cheia — Chuuya rosnou, embora não houvesse veneno em suas palavras.

Ele se levantou e caminhou em direção ao quarto, sendo seguido de perto por Dazai, que cantarolava uma melodia desafinada sob o fôlego. O quarto era o santuário deles, um lugar onde as máscaras caíam por completo. Chuuya sentou-se na beira da cama e começou a desabotoar a camisa de linho preto. Ele não sentia mais a hesitação desesperada dos primeiros meses. A vergonha fora substituída por uma aceitação profunda de sua natureza e das necessidades de seu alfa.

Quando a camisa caiu, revelando o peito pálido e já levemente inchado, Dazai soltou um suspiro audível. Ele se ajoelhou entre as pernas de Chuuya, as mãos subindo para as coxas do ruivo, apertando-as com firmeza.

— Você está lindo hoje — sussurrou Dazai, sua voz perdendo o tom de brincadeira e assumindo uma seriedade rouca. — O cheiro está tão forte... doce como baunilha e algo que é só seu.

— Menos conversa, Dazai — Chuuya inclinou a cabeça para trás, expondo a linha do pescoço. — Eu sinto que vou explodir se você não fizer algo logo.

Dazai aproximou o rosto, mas não foi direto ao ponto. Ele gostava de provocar, de sentir a respiração de Chuuya falhar. Ele roçou o nariz contra a pele quente do peito do ômega, inspirando profundamente antes de lamber uma pequena gota que já se formava no mamilo direito. Chuuya estremeceu, os dedos enterrando-se nos ombros de Dazai.

— Delicioso — murmurou o alfa contra a pele úmida.

Dazai finalmente envolveu o mamilo com os lábios, iniciando uma sucção rítmica e profunda. Chuuya soltou um gemido baixo, sentindo a tensão acumulada se dissipar instantaneamente conforme o leite começava a fluir. Era uma sensação de alívio que beirava o êxtase. Ele observava a cabeça de Dazai se movendo levemente, a dedicação absoluta do alfa naquele ato de nutrição.

Dazai não era apenas um "bebedor"; ele era cuidadoso. Suas mãos subiam para massagear os tecidos ao redor, garantindo que nenhum nódulo de pressão permanecesse. Ele conhecia o corpo de Chuuya melhor do que o próprio ruivo, mapeando cada curva e sensibilidade.

— Devagar... — Chuuya pediu, a voz embargada. — Dazai, não morda...

O alfa obedeceu instantaneamente, suavizando o toque da língua, mas mantendo a sucção firme. O ambiente no quarto estava carregado de feromônios. O aroma de cedro e bandagens de Dazai se misturava ao perfume lácteo e quente de Chuuya, criando uma atmosfera que parecia isolá-los do resto do mundo. Ali, não havia Máfia, não havia Agência, não havia o peso de Yokohama. Havia apenas a necessidade e o provimento.

Depois de esvaziar um lado, Dazai se afastou um pouco, os lábios brilhando com o líquido branco. Ele olhou para cima, encontrando os olhos azuis de Chuuya, que estavam nublados de prazer e cansaço.

— Melhor? — perguntou Dazai, passando o polegar pelo lábio inferior para limpar um rastro de leite.

— Muito melhor — Chuuya admitiu, ofegante. — Mas o outro lado ainda está pesado.

— Eu nunca deixaria o trabalho pela metade — Dazai sorriu, movendo-se para o outro lado com uma fome renovada.

O processo continuou por mais alguns minutos, um ritual de silêncio quebrado apenas pelos sons da deglutição de Dazai e pelos suspiros ocasionais de Chuuya. Quando o alfa finalmente terminou, ele não se afastou. Em vez disso, deitou a cabeça no colo de Chuuya, olhando para cima com uma expressão de satisfação absoluta.

— Eu poderia viver apenas disso — disse Dazai, fechando os olhos enquanto sentia as mãos de Chuuya voltarem a brincar com seu cabelo.

— Você morreria de desnutrição, seu idiota — Chuuya riu baixinho, a voz suave. — Você precisa de comida de verdade também.

— Mas isso é o que mantém a minha alma alimentada, Chuuya. O resto é apenas combustível para o corpo.

Chuuya sentiu um aperto no peito, uma onda de carinho que sempre o pegava de surpresa quando Dazai decidia ser genuíno. Ele se inclinou para frente e beijou a testa do alfa.

— Vamos para a cama de verdade agora. Eu estou exausto.

Eles se acomodaram sob os lençóis de seda, a escuridão do quarto sendo apenas quebrada pela luz da lua que filtrava pelas cortinas. Como já era costume, Dazai se aninhou contra o peito de Chuuya. Ele não estava mais com fome, mas a necessidade de proximidade era algo que ele nunca conseguia satisfazer plenamente.

— Chuuya... — Dazai murmurou, já meio adormecido.

— Hum?

— Você sabe que eu te amo, né? Do meu jeito distorcido e irritante.

Chuuya ficou em silêncio por um momento, sentindo o peso reconfortante de Dazai sobre si. Ele puxou a coberta para cima dos ombros do alfa e o abraçou com força.

— Eu sei, seu desperdício de bandagens. Eu também te amo. Agora cale a boca e durma.

Dazai sorriu contra a pele de Chuuya e, num movimento puramente instintivo, buscou o mamilo do ruivo novamente. Não para beber desta vez, mas apenas para se acalmar, mantendo-o na boca como um conforto final antes de cair no sono profundo. Chuuya não protestou. Ele apenas fechou os olhos, sentindo a sucção leve e preguiçosa que Dazai fazia enquanto adormecia, um gesto que o fazia sentir-se a pessoa mais importante do mundo.

Naquela noite, como em todas as outras, o "Cachorro da Máfia" e o "Demônio Prodigio" não eram mais do que duas almas cansadas que haviam encontrado seu porto de abrigo um no outro. O leite, a gravidade e o amor eram as únicas leis que regiam o pequeno universo que haviam construído entre quatro paredes. E, para Chuuya, era o suficiente. Era mais do que ele jamais sonhou ter.