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Um pouco diferente

O Vazio de Mel e o Desespero do Alfa

A manhã em Yokohama nasceu com uma névoa densa, mas dentro do apartamento no último andar, o clima era de uma paz absoluta — ou ao menos deveria ser. Chuuya acordou com a sensação de leveza, algo que não experimentava há semanas. Geralmente, ele despertava com o peito latejante, a pele esticada e a necessidade urgente de alívio. Mas, naquela manhã, não havia peso. Não havia dor.

Ele se sentou na cama, passando a mão pelo peitoral. A pele estava macia, sem o inchaço característico da galactorreia que se tornara sua companheira constante.

— Estranho... — murmurou Chuuya para si mesmo, apertando levemente a aréola. Nada. Nem uma única gota.

Ele deu de ombros, sentindo-se secretamente grato pela folga hormonal, e caminhou até a cozinha para preparar o café. No entanto, sua paz durou exatamente dez minutos, o tempo necessário para que a "sombra" castanha e enfaixada se materializasse atrás dele.

Dazai saiu do quarto com os olhos semicerrados, o cabelo mais bagunçado que o normal e um biquinho de insatisfação nos lábios. Ele não disse "bom dia". Ele não pediu café. Ele simplesmente caminhou até Chuuya, envolveu a cintura do ruivo com seus braços longos e tentou enfiar o rosto por baixo da camiseta de moletom dele.

— Chuuya... — a voz de Dazai era um lamento baixo. — Eu tive um sonho terrível. Sonhei que Yokohama ficava sem suprimentos de açúcar. Preciso de um antídoto urgente.

Chuuya tentou empurrá-lo com o cotovelo, mas Dazai era como uma lapa.

— Sai pra lá, Dazai. Eu estou tentando fritar ovos.

— Ovos são proteínas sem graça — Dazai resmungou, já puxando a barra da camisa de Chuuya para cima. — Eu quero o meu doce.

Chuuya suspirou, abandonando a espátula. Ele sabia que não adiantava lutar contra o alfa quando ele acordava com aquela fixação. Ele se encostou no balcão da cozinha, permitindo que Dazai se ajoelhasse à sua frente. Era um ritual que o ruivo já aceitava com uma naturalidade assustadora.

Dazai abriu a boca, ansioso, e envolveu o mamilo de Chuuya. Ele sugou com a confiança de quem sabia exatamente o que viria a seguir. Mas, depois de alguns segundos, ele parou. Franziu a testa. Sugou novamente, desta vez com mais força.

— Chuuya? — Dazai se afastou, olhando para o peito do ômega com uma expressão de traição profunda. — O que você fez?

— O que eu fiz o quê, seu idiota? — Chuuya olhou para baixo.

— Está... seco. Não está saindo nada. — Dazai apertou a base do peito de Chuuya com as mãos, massageando com uma urgência quase cômica. — Chuuya, por favor, me diga que você não tomou supressores escondido. Isso seria um crime contra a humanidade!

— Eu não tomei nada, Dazai! — Chuuya empurrou as mãos dele. — Eu só acordei assim. O médico disse que isso poderia oscilar, lembra? Meu corpo deve estar finalmente voltando ao normal.

Dazai empalideceu como se tivesse acabado de ouvir uma sentença de morte. Ele se sentou nos calcanhares, olhando para o peito de Chuuya como se fosse um deserto árido.

— Voltando ao normal? Mas o que há de normal em não me alimentar? — Dazai se levantou, a voz subindo uma oitava. — Chuuya, você não entende! Eu passei a noite inteira esperando por isso. Eu até pulei a sobremesa ontem à noite porque queria estar com fome para você!

— Problema seu, seu maníaco! — Chuuya voltou a atenção para os ovos, embora estivesse achando a reação de Dazai hilária. — É só leite, Dazai. Beba o da geladeira.

— O da geladeira não tem o gosto da sua irritação e da sua pele! — Dazai começou a andar de um lado para o outro na cozinha pequena. — Isso é um desastre. Um colapso sistêmico. Talvez se você fizer algum esforço físico? Ou se eu estimular mais?

— Dazai, se você encostar em mim com essa cara de desespero de novo, eu vou usar a gravidade para te pregar no teto.

As horas passaram, e o que Chuuya pensou que seria um alívio transformou-se em um teste de paciência. Dazai não o deixava em paz. A cada trinta minutos, o alfa aparecia com uma nova teoria ou uma nova tentativa.

— Chuuya, li em um fórum obscuro que chá de erva-doce ajuda! — Dazai apareceu na sala com uma xícara fumegante.

— Eu não vou tomar essa porcaria, Dazai.

— É pelo bem da ciência! — insistiu o alfa, tentando forçar a xícara nos lábios de Chuuya.

Mais tarde, enquanto Chuuya tentava assistir a um filme, ele sentiu as mãos de Dazai deslizando por baixo de sua camisa novamente. O alfa estava em silêncio, concentrado, massageando o peito de Chuuya com uma técnica que ele claramente passara horas pesquisando.

— Dazai... para com isso. Está começando a ficar sensível de um jeito ruim — reclamou Chuuya, embora seu corpo estivesse reagindo ao toque persistente.

— Shhh... eu sinto que está voltando. É como procurar água em um poço profundo — sussurrou Dazai, a voz carregada de uma determinação maníaca. — Eu sou um estrategista, Chuuya. Eu não aceito a derrota de um sistema hormonal.

Dazai tentou mamar novamente. Ele foi persistente, usando a língua, os lábios, a pressão exata que costumava fazer Chuuya transbordar em segundos. Mas o corpo do ruivo permanecia teimosamente seco.

— Nada... — Dazai se afastou, jogando-se dramaticamente no sofá ao lado de Chuuya. — É o fim. Eu vou murchar e morrer como uma planta sem rega.

— Você é tão dramático que dói — Chuuya revirou os olhos, mas sentiu uma pontada de dó.

Dazai parecia genuinamente desolado. Seus feromônios de alfa, geralmente tão seguros e provocantes, estavam com um cheiro de cachorro molhado e tristeza. Ele se encolheu no canto do sofá, olhando para a parede com um vazio existencial que ele costumava reservar para seus pensamentos sobre o abismo.

— Dazai, é só por algumas horas. Provavelmente vai voltar à noite — tentou consolar Chuuya, aproximando-se e puxando a cabeça do moreno para o seu ombro.

— E se não voltar? E se o seu corpo decidiu que eu não sou mais digno? — Dazai murmurou contra o pescoço de Chuuya. — Talvez você esteja secretamente me rejeitando.

— Eu te rejeito abertamente todos os dias, e isso nunca parou o leite antes — rebateu o ruivo, fazendo Dazai soltar uma risadinha fraca. — Vem, vamos deitar um pouco. Você está me deixando nervoso com esse luto todo.

Eles foram para o quarto. Chuuya deitou-se de costas e Dazai imediatamente se aninhou contra ele, mas desta vez ele não tentou nada. Ele apenas colocou a mão sobre o peito de Chuuya, sentindo os batimentos cardíacos do ruivo. O silêncio caiu sobre eles, uma raridade na dinâmica barulhenta da dupla.

Chuuya começou a acariciar os cabelos de Dazai, sentindo a respiração do alfa se acalmar. Ele percebeu que, para Dazai, aquilo não era apenas um fetiche ou um lanche; era a forma mais pura de conexão que ele conseguia manter. Era o momento em que Dazai se permitia ser vulnerável, onde ele não precisava ser o gênio ou o manipulador. Ele era apenas um alfa sendo cuidado por seu ômega.

Cerca de quatro horas depois, o sol já estava se pondo. Chuuya sentiu um formigamento familiar. Uma pontada de pressão, um calor que começou no centro do peito e se expandiu para os mamilos. Ele sentiu a umidade começar a manchar a camiseta.

— Dazai... — sussurrou Chuuya, cutucando o alfa que cochilava.

Dazai abriu os olhos instantaneamente. Ele sentiu o cheiro antes mesmo de Chuuya falar. O aroma de açúcar e feromônios doces inundou o quarto como uma represa que se rompe.

— Chuuya? — Dazai se ergueu, os olhos brilhando na penumbra.

— Acho que o seu "poço" voltou a ter água — Chuuya sorriu de lado, sentindo o alívio da pressão retornando.

Dazai não perdeu um segundo. Ele puxou a camiseta de Chuuya para cima com uma pressa quase desesperada. E lá estava: uma gota gorda e branca brilhando no mamilo de Chuuya, escorrendo lentamente.

— Oh, graças aos deuses da gravidade — Dazai exclamou, sua voz trêmula de alívio.

Ele não esperou. Envolveu o peito de Chuuya com uma fome que parecia acumulada de anos, não de horas. A sucção foi forte, ávida, e Chuuya soltou um gemido alto, as costas arqueando-se contra o colchão. O fluxo era intenso, como se o corpo de Chuuya estivesse compensando o tempo perdido.

— Calma, Dazai! — Chuuya riu, as mãos agarrando os cabelos do alfa. — Eu não vou a lugar nenhum.

— Eu pensei que tinha te perdido — Dazai disse entre um gole e outro, a voz abafada. — Nunca mais faça isso comigo, Chuuya. Meu coração não aguenta esse tipo de racionamento.

— Você é um idiota completo — Chuuya suspirou, fechando os olhos e entregando-se ao prazer do alívio.

Dazai mamou por um longo tempo, alternando entre os lados com uma dedicação quase religiosa. Ele não brincou, não provocou; ele apenas bebeu, como se cada gota fosse a confirmação de que Chuuya ainda pertencia a ele, e ele a Chuuya. A tensão que pairava no apartamento durante todo o dia dissolveu-se, substituída pela satisfação mútua.

Quando finalmente terminou, Dazai estava com o rosto manchado de branco e um sorriso de pura felicidade estampado nos lábios. Ele se deitou sobre o peito de Chuuya, ouvindo o coração do ruivo voltar ao ritmo normal.

— Satisfeito agora, sua sanguessuga? — perguntou Chuuya, limpando o canto da boca de Dazai com o polegar.

— Totalmente — Dazai suspirou, fechando os olhos. — Mas, por precaução, acho que devemos fazer uma sessão extra antes de dormir. Só para garantir que o sistema não trave de novo.

— Nem pensar! — Chuuya tentou empurrá-lo, mas Dazai era pesado e estava relaxado demais. — Você já teve o suficiente por hoje.

— Nunca é o suficiente, Chuuya — Dazai murmurou, já caindo no sono. — Você é a minha única fonte de vida.

Chuuya olhou para o alfa adormecido em seus braços e sentiu aquela mistura familiar de irritação e amor profundo. Ele sabia que, enquanto vivesse com Dazai, dias como aquele seriam comuns. O drama, a possessividade e a estranha, mas doce, dependência biológica que os unia.

Ele puxou o lençol sobre os dois, sentindo o calor do corpo de Dazai contra o seu. O peito de Chuuya ainda vazava um pouco, mas ele não se importava. Ele sabia que, em algumas horas, Dazai acordaria e cuidaria disso. Afinal, essa era a vida deles agora: longe das sombras da Máfia, mas unidos por um vínculo que nenhuma arma ou estratégia poderia quebrar.

— Durma bem, seu alfa de merda — sussurrou Chuuya, fechando os olhos e deixando-se levar pelo sono, seguro no conhecimento de que, em Yokohama, a gravidade e o mel sempre encontrariam o caminho de volta para casa.