Voltar ao resumo

Um pouco diferente

O Banquete da Calmaria

O sol já havia se despedido de Yokohama, deixando para trás um rastro de estrelas que começavam a pontilhar o céu sobre o porto. Dentro do apartamento, a atmosfera era o oposto do caos que costumava reger a vida de Chuuya Nakahara e Osamu Dazai. Não havia mais o som de disparos, o cheiro de pólvora ou a tensão constante de uma emboscada iminente. O que restava era o aroma suave de sândalo, o tique-taque de um relógio de parede caro e o calor humano que preenchia o quarto principal.

Chuuya estava sentado contra a cabeceira da cama, os cabelos ruivos espalhados pelo travesseiro de seda, enquanto observava a figura esguia de Dazai se aproximar. O alfa havia acabado de sair do banho, vestindo apenas uma calça de pijama larga, deixando as cicatrizes e as marcas de sua vida passada expostas à luz suave do abajur. Mas o olhar de Dazai não estava focado em nada além do peito de Chuuya, que subia e descia em um ritmo calmo.

— Você está me olhando como se eu fosse um prato de cinco estrelas, seu desperdício de bandagens — resmungou Chuuya, embora sua voz não tivesse qualquer traço de irritação real. Havia, na verdade, uma aceitação profunda, uma entrega que ele jamais imaginou ser capaz de oferecer a alguém, muito menos ao homem que passara anos tentando matar.

Dazai sorriu, aquele sorriso que costumava ser enigmático, mas que agora era apenas... dele. Um sorriso que pertencia apenas ao espaço entre aquelas quatro paredes.

— E você não é, Chuuya? — Dazai subiu na cama, engatinhando com uma graça predatória até se posicionar entre as pernas do ruivo. — O médico disse que o descanso faria bem para o seu sistema endócrino, mas acho que ele não previu que você se tornaria tão... generoso.

Chuuya sentiu o rosto esquentar. A condição, antes um fardo médico causado pelo uso excessivo de sua habilidade, havia se tornado o centro da dinâmica de intimidade deles. Sem o estresse da Máfia, o corpo de Chuuya parecia ter se estabilizado em um estado de lactação constante, uma resposta biológica à presença protetora e possessiva de seu alfa.

— Cala a boca e faz logo o que você veio fazer — disse Chuuya, puxando a barra da camiseta de seda que usava, expondo a pele pálida e o peito visivelmente pesado. — Está começando a incomodar.

Dazai não precisou de um segundo convite. Suas mãos longas e pálidas envolveram as costelas de Chuuya, os dedos traçando os contornos dos músculos do ômega antes de subirem para sustentar o peso de um dos seios. Ele inclinou a cabeça, observando a pequena gota esbranquiçada que já brilhava no topo, desafiando a gravidade que Chuuya tanto controlava.

— É fascinante — sussurrou Dazai, a voz vibrando contra a pele do ruivo. — Como o corpo do meu pequeno Chuuya é capaz de produzir algo tão doce para me manter vivo.

— Eu não estou te mantendo vivo, estou apenas aliviando uma pressão hormonal, seu idiota — retrucou Chuuya, mas suas mãos já haviam encontrado o caminho para os cabelos castanhos de Dazai, puxando-o para mais perto.

Dazai finalmente selou os lábios em torno da aréola de Chuuya. O ruivo soltou um suspiro longo, arqueando as costas conforme a sucção firme e rítmica começava a drenar a tensão acumulada. Era uma sensação estranha, uma mistura de nutrição e erotismo que, em qualquer outra circunstância, Chuuya consideraria humilhante. Mas ali, com Dazai, era apenas a forma como o universo deles funcionava.

— Devagar... — Chuuya murmurou, sentindo os dentes de Dazai roçarem levemente em sua pele. — Você está com pressa hoje?

Dazai se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos azuis de Chuuya, um rastro de leite brilhando no canto de sua boca.

— Eu tive um dia longo pensando nisso — admitiu o alfa, a voz rouca. — É viciante, Chuuya. O gosto, o calor... a forma como você relaxa quando eu faço isso. É como se eu finalmente pudesse tirar todo o peso do mundo de cima de você.

Chuuya não respondeu com palavras. Ele apenas pressionou a cabeça de Dazai de volta ao seu peito, fechando os olhos e deixando-se levar pela sensação. Ele não tinha mais vergonha. Se Dazai queria brincar, se queria ser cuidado como um neném, Chuuya deixava. Afinal, quem mais cuidaria daquela alma quebrada se não ele?

O tempo pareceu derreter. Dazai alternava entre os lados, garantindo que Chuuya estivesse completamente confortável. Ele usava a língua para estimular o fluxo, massageando as glândulas com uma técnica que havia aperfeiçoado ao longo das semanas. Para Dazai, aquele era o banquete supremo: a prova física de que Chuuya confiava nele o suficiente para ser vulnerável.

— Satisfeito? — perguntou Chuuya algum tempo depois, sentindo o peito leve e a mente nublada por um sono reconfortante.

Dazai limpou o rosto no ombro de Chuuya e subiu pelo corpo do ruivo até que seus rostos estivessem a centímetros de distância.

— Quase — respondeu Dazai, roçando o nariz no dele. — Eu ainda não recebi meu beijo de boa noite.

Chuuya puxou-o pela nuca, selando seus lábios em um beijo que tinha gosto de leite e promessas silenciosas. Quando se separaram, o alfa se acomodou ao lado dele, puxando o corpo menor de Chuuya para o seu abraço.

— Chuuya? — chamou Dazai, já com os olhos fechados.

— O que foi agora, desperdício de bandagens?

— Obrigado por me deixar ficar.

Chuuya sorriu na escuridão, acomodando a cabeça no peito de Dazai, ouvindo o coração do alfa bater em um ritmo calmo que ele nunca achou que ouviria.

— Eu não teria para onde te mandar mesmo. Agora dorme, antes que eu mude de ideia e te jogue pela janela.

Dazai riu baixinho, um som que foi morrendo conforme o sono os levava. Naquela noite, em Yokohama, não havia deuses ou demônios. Havia apenas dois homens que, contra todas as probabilidades, haviam encontrado a paz no gesto mais simples e íntimo de entrega. E para Chuuya, ver Dazai dormindo como um bebê em seus braços era o único fardo que ele realmente desejava carregar pelo resto de seus dias.