Um pouco diferente
O Eco de um Coração Saciado
A luz da lua filtrava-se pelas frestas da persiana, desenhando listras prateadas sobre o lençol de linho que cobria parcialmente os corpos entrelaçados. No silêncio do quarto, o único som audível era o da respiração profunda de Dazai, um ritmo lento que indicava um sono sem pesadelos, algo que, para ele, era a maior das raridades. Chuuya, no entanto, permanecia desperto por mais alguns instantes, sentindo o calor do corpo do alfa contra o seu e o peso reconfortante da cabeça de Dazai aninhada em seu peito.
Os dias de luta pareciam uma memória de outra vida. Agora, a rotina de Chuuya não era mais ditada por ordens da Máfia, mas pelas necessidades biológicas e emocionais que haviam florescido naquela nova quietude. Ele olhou para baixo, vendo os fios castanhos de Dazai espalhados sobre sua pele pálida. O alfa estava em seu estado mais puro: desarmado, entregue e, acima de tudo, saciado.
Chuuya sentiu um leve formigamento, um sinal de que seu corpo estava começando a produzir novamente, mas a pressão era mínima. Dazai havia passado a última hora sendo extremamente minucioso em seu "tratamento". O ômega passou a mão pelos cabelos do parceiro, sentindo uma ternura que ele ainda tinha dificuldade em admitir em voz alta, mas que transbordava em cada gesto de permissividade.
— Você é mesmo um bebê gigante — sussurrou Chuuya, a voz mal saindo da garganta.
Dazai soltou um resmungo baixo, movendo o rosto contra o peito de Chuuya, mas sem abrir os olhos. Seus lábios, ainda úmidos e macios, roçaram a pele sensível do ruivo, provocando um arrepio que não tinha nada a ver com o frio. Chuuya não se afastou; pelo contrário, ele se acomodou melhor, permitindo que Dazai usasse seu corpo como o porto seguro que o alfa tanto buscava.
A vergonha que Chuuya sentira no início, quando a galactorreia se manifestou como um efeito colateral de sua própria força, havia se dissipado por completo. Dazai, com sua insistência irritante e sua adoração predatória, transformara o que Chuuya via como uma fraqueza em um laço inquebrável. Não era mais apenas sobre aliviar a dor física; era sobre a confiança absoluta de deixar Dazai ver — e consumir — cada parte dele.
Na manhã seguinte, o despertador natural de Chuuya — o sol batendo em seu rosto — o fez despertar. Ele tentou se espreguiçar, mas sentiu que algo o prendia. Dazai já estava acordado, ou pelo menos em um estado de vigília preguiçosa, com os olhos castanhos fixos no peito de Chuuya com uma intensidade renovada.
— Bom dia, Chuuya — disse Dazai, a voz rouca e carregada de uma satisfação melosa. — Eu estava apenas esperando você acordar para perguntar se o café da manhã já está servido.
Chuuya revirou os olhos, sentindo o rosto esquentar instantaneamente.
— Você não se cansa nunca, seu bastardo? Você mamou até dormir ontem à noite!
— Mas a noite foi longa, e eu sou um alfa em fase de crescimento — Dazai brincou, sentando-se na cama, mas sem soltar a cintura de Chuuya. — Além disso, eu sinto que você está... transbordando de novo.
Chuuya sentiu a pressão. Era verdade. Sem o estresse do trabalho, seu corpo parecia ter entrado em um ciclo de produção constante, como se estivesse respondendo diretamente ao apetite insaciável de Dazai. Ele suspirou, sentando-se também e deixando o pijama escorregar pelos ombros.
— Anda logo com isso antes que eu mude de ideia e te chute para fora da cama.
Dazai não precisou de outro aviso. Ele se aproximou com uma reverência que beirava o religioso, envolvendo o corpo de Chuuya com seus braços longos. Quando seus lábios finalmente encontraram o mamilo do ruivo, Chuuya soltou um suspiro de alívio que não conseguiu conter. A sucção de Dazai era experiente, alternando entre puxões firmes que esvaziavam os ductos e toques suaves com a língua que faziam Chuuya se sentir estranhamente vulnerável e protegido ao mesmo tempo.
— Está... — Dazai fez uma pausa, os olhos brilhando de prazer — ...muito doce hoje. Você comeu aquele bolo de morango ontem, não comeu?
— Como se você não soubesse, você comeu metade dele — retrucou Chuuya, as mãos enterradas nos cabelos de Dazai, guiando-o. — Pare de falar e termine logo.
Dazai continuou seu "trabalho" com uma dedicação absoluta. Ele gostava de brincar, de fazer Chuuya soltar pequenos sons de frustração e prazer, mas no fundo, havia um cuidado imenso. Ele massageava a base do peito de Chuuya com as mãos, garantindo que não restasse nenhum ponto de tensão. Para Dazai, aquele era o momento em que ele possuía Chuuya da forma mais íntima possível — não através da força ou da estratégia, mas através da nutrição.
Depois de algum tempo, Dazai se afastou, limpando o canto da boca com as costas da mão, um sorriso vitorioso no rosto. Chuuya sentia-se leve, a mente um pouco nublada pela liberação de ocitocina que sempre acompanhava aqueles momentos.
— Satisfeito agora? — perguntou o ruivo, tentando recuperar sua dignidade enquanto vestia a camisa.
— Por enquanto — respondeu Dazai, deitando-se de volta e puxando Chuuya para cima de si. — Mas você sabe que eu sou um parasita exigente.
Chuuya bufou, mas não se moveu. Ele descansou o queixo no peito de Dazai, olhando para o homem que uma vez fora seu maior rival e agora era seu... tudo.
— Sabe, Dazai... eu nunca pensei que a nossa "aposentadoria" seria assim.
— Assim como? — Dazai perguntou, traçando círculos nas costas de Chuuya. — Com você me alimentando como se eu fosse sua propriedade preciosa?
— Não use essas palavras, seu idiota! — Chuuya deu um tapa leve no ombro dele. — Mas sim... é estranho. Não ter que me preocupar em ser o "Arahabaki" o tempo todo. Aqui, eu sou apenas... eu.
— E para mim — disse Dazai, a voz subitamente séria —, você é o único lugar no mundo onde eu não sinto vontade de desaparecer.
O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Era denso, carregado de tudo o que eles haviam passado para chegar ali. Chuuya sabia que a condição de seu corpo era um reflexo dessa paz. Ele não precisava mais de supressores ou de remédios para controlar seus hormônios; ele tinha Dazai. E Dazai, por sua vez, não precisava mais de métodos autodestrutivos para sentir que estava vivo; ele tinha o calor e a doçura de Chuuya.
Mais tarde, enquanto Chuuya preparava um café na cozinha, ele sentiu os braços de Dazai o envolverem por trás. O alfa enterrou o rosto na curva do pescoço do ruivo, aspirando o aroma que emanava de sua pele.
— Você cheira a leite e baunilha — murmurou Dazai. — É o melhor cheiro de Yokohama.
— Você está ficando sentimental demais, Dazai. Isso é assustador.
— É culpa sua por ser tão nutritivo — brincou o moreno, dando uma mordida leve no ombro de Chuuya. — O que vamos fazer hoje?
— Nada — respondeu Chuuya, virando-se nos braços dele e oferecendo uma caneca de café. — Absolutamente nada. Talvez ler, talvez caminhar pelo parque... e talvez eu deixe você brincar mais um pouco antes do jantar.
Os olhos de Dazai se iluminaram.
— Chuuya é tão generoso quando está de bom humor.
— Não se acostume — avisou o ruivo, embora o brilho em seus olhos azuis dissesse o contrário.
Eles passaram a tarde no sofá, com Chuuya lendo um livro sobre vinhos e Dazai com a cabeça em seu colo, ocasionalmente pedindo um "lanche" rápido que Chuuya concedia sem mais protestos. A vergonha havia morrido para dar lugar a uma necessidade mútua. Chuuya precisava ser esvaziado, e Dazai precisava ser preenchido. Era uma simbiose perfeita, um equilíbrio de forças que a gravidade de Chuuya finalmente conseguira estabilizar.
Quando a noite caiu novamente, o ritual de dormir repetiu-se. Dazai aninhou-se ao peito de Chuuya, buscando o conforto que apenas o corpo do ômega podia proporcionar. Ele mamava devagar, quase como um ato de meditação, sentindo o pulsar do coração de Chuuya contra sua bochecha.
— Chuuya... — Dazai murmurou, a voz abafada contra a pele dele.
— O que foi?
— Obrigado por não ter mais vergonha de mim.
Chuuya sentiu um aperto no peito. Ele beijou o topo da cabeça de Dazai, sentindo o cheiro de sabonete e alfa.
— Eu nunca tive vergonha de você, Dazai. Eu só tinha medo do quanto eu gostava de precisar de você.
Dazai não respondeu, mas a forma como ele apertou o abraço e continuou a sugar, agora com mais ternura, foi resposta o suficiente. Chuuya fechou os olhos, sentindo-se completo. A galactorreia, que começara como um fardo físico, tornara-se o eco de um coração que finalmente encontrara descanso. E enquanto Yokohama continuava seu caos lá fora, dentro daquele apartamento, o tempo parava para que um alfa pudesse ser um neném e um ômega pudesse ser seu porto seguro.
A escuridão do quarto era acolhedora, e Chuuya adormeceu com a certeza de que, não importava o que o futuro trouxesse, eles estariam ali, ancorados um no outro, entre goles de doçura e promessas de silêncio. A gravidade da tristeza fora substituída pela gravidade do amor, e Chuuya nunca se sentira tão leve.