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um recomeço

O Alvorecer da Estrela Eterna

O tapete vermelho do Grand Theatre de Tóquio parecia uma extensão de um sonho lúcido. Flashes de câmeras disparavam como estrelas cadentes, iluminando a noite com uma intensidade que rivalizava com as luzes da própria cidade. Era a estreia mundial de *O Eco do Silêncio*, a produção de Hollywood que consolidara Kyoko Mogami como a maior estrela de sua geração. Mas, para a mulher no centro daquela tempestade de atenção, o brilho das câmeras era secundário ao calor da mão que envolvia a sua.

Kyoko caminhava com a graça de uma rainha. Seu vestido, uma obra-prima de seda branca e fios de ouro que pareciam derreter sobre sua pele, realçava a maturidade que ela adquirira. Seus cabelos pretos estavam presos em um penteado sofisticado, revelando os olhos dourados que agora não carregavam mais as sombras da traição, mas a clareza de quem havia conquistado o próprio destino.

Ao seu lado, Ren Tsuruga era a personificação da elegância perigosa. O terno sob medida acentuava sua estatura imponente, e a forma como ele se posicionava — sempre meio passo à frente, sempre com um olhar atento a qualquer movimento ao redor de Kyoko — deixava claro que sua possessividade não diminuíra com o tempo. Pelo contrário, ela havia se transformado em um pilar de proteção absoluta.

— Você está pronta, Kyoko? — sussurrou Ren, aproximando-se do ouvido dela enquanto paravam para os fotógrafos.

— Com você ao meu lado? — Ela sorriu, um sorriso que foi capturado por centenas de lentes e que, no dia seguinte, seria chamado de "o sorriso que parou o Japão". — Eu sempre estarei pronta.

A multidão gritava seus nomes, um coro ensurdecedor de adoração. Entre os fãs, Kyoko viu rostos familiares: Yashiro, que chorava abertamente de orgulho enquanto segurava três celulares diferentes; e Lory Takarada, que aparecera em uma carruagem puxada por cavalos brancos, vestindo uma capa que brilhava mais que o próprio tapete vermelho.

Mas, em um canto mais afastado, quase escondido pelas sombras, Kyoko vislumbrou uma figura que a fez parar por um breve segundo. Sho Fuwa estava lá, com o boné puxado sobre os olhos, observando de longe o espetáculo que ele nunca conseguiu alcançar. Não havia mais ódio no coração de Kyoko, apenas uma indiferença pacífica. Ela o vira cair, vira sua carreira desmoronar sob o peso da própria arrogância, e agora ele era apenas um fantasma de uma vida que ela decidira não viver.

Ren sentiu a sutil mudança na postura dela e seguiu seu olhar. Suas feições endureceram instantaneamente, e ele apertou a mão de Kyoko com uma firmeza possessiva.

— Não olhe para trás, querida — disse ele, sua voz soando como um comando suave. — O passado não tem lugar aqui.

— Eu sei, Ren — respondeu ela, voltando sua atenção total para o homem à sua frente. — Eu só estava percebendo o quanto a vista daqui da frente é muito mais bonita.

***

Após a exibição do filme, que terminou com uma ovação de pé de dez minutos, o casal escapou da festa de gala. Eles não precisavam de champanhe caro ou elogios vazios; eles precisavam um do outro. Ren dirigiu até o mirante isolado nas montanhas que cercavam Tóquio, o mesmo lugar onde, meses atrás, ele prometera que o mundo saberia a quem ela pertencia.

O ar da noite estava frio, mas Kyoko não sentia o gelo. Ren a envolveu em seu casaco de lã, mantendo-a presa contra seu peito enquanto observavam as luzes da cidade lá embaixo.

— Nós conseguimos, não conseguimos? — perguntou Kyoko, encostando a cabeça no ombro dele. — Voltamos um ano antes de tudo dar errado e transformamos o desastre em algo... magnífico.

— Nós não apenas mudamos o tempo, Kyoko — Ren disse, virando-a para que ficassem frente a frente. — Nós curamos as feridas que nem sabíamos que tínhamos. Eu olho para você agora e não vejo a menina que precisava ser salva. Vejo a mulher que me salvou da solidão que eu aceitei como destino.

Ele tirou uma pequena caixa do bolso interno do terno. Desta vez, não era um símbolo de proteção ou um anel de compromisso temporário. Quando a tampa se abriu, o diamante captou a luz da lua, brilhando com uma pureza avassaladora.

— Kyoko Mogami — a voz de Ren tremeu levemente, uma vulnerabilidade que ele só mostrava a ela —, eu te amei em uma vida de dor, e te amei nesta vida de triunfo. Eu não quero mais ser apenas o seu protetor ou o seu colega de cena. Eu quero ser o seu marido. Quero acordar todos os dias com o aroma da sua comida e dormir todas as noites sabendo que você é minha, assim como eu sou, irrevogavelmente, seu. Você aceita continuar reescrevendo a eternidade comigo?

Kyoko sentiu as lágrimas transbordarem, escorrendo por suas bochechas e brilhando como joias. Ela não precisou de tempo para pensar. Sua alma já havia respondido a essa pergunta no momento em que acordara no passado.

— Sim — disse ela, a voz embargada pela emoção. — Mil vezes sim, Ren.

Ele deslizou o anel em seu dedo, e o beijo que se seguiu foi selado com a promessa de um futuro que nenhum acidente ou vilão poderia destruir. Naquele momento, a possessividade de Ren e a devoção de Kyoko fundiram-se em algo novo: uma união inquebrável.

***

Meses depois, o casamento foi o evento do século. Lory Takarada, como era de se esperar, transformou a cerimônia em um espetáculo de flores e música, mas o centro de tudo era a simplicidade do olhar trocado entre os noivos. Kyoko, em um vestido que parecia feito de pétalas de cerejeira, caminhou em direção a Ren sob o olhar atento de Kuu e Julie Hizuri, que haviam viajado dos Estados Unidos para ver o filho finalmente encontrar a paz.

— Cuide bem dela, Ren — sussurrou Kuu enquanto o filho passava por ele. — Ou eu terei que vir buscá-la para ser minha chef pessoal em Hollywood.

Ren sorriu, um sorriso de vitória absoluta.

— Tente a sorte, pai. Mas você sabe que eu não divido o que é meu.

A festa durou até o amanhecer, mas os recém-casados logo se retiraram para sua nova casa, uma residência espaçosa nos subúrbios de Tóquio, com um jardim imenso e uma cozinha que era o sonho de qualquer chef.

Na primeira manhã como marido e mulher, Kyoko acordou cedo. Ela deslizou da cama, deixando Ren dormindo com uma expressão de serenidade que ele raramente conseguia manter em público. Ela foi para a cozinha, o sol da manhã iluminando o espaço.

O aroma de dashi e arroz fresco logo começou a preencher a casa. Kyoko estava preparando o café da manhã tradicional que Ren tanto amava. Ela sentia uma felicidade vibrante, uma plenitude que parecia transbordar de seu peito.

— Você nunca para, não é? — A voz de Ren soou atrás dela, profunda e carregada de afeto.

Ele estava encostado no batente da porta, observando-a com aquele olhar possessivo que agora era temperado por uma adoração infinita.

— Eu queria que o nosso primeiro dia oficial fosse perfeito — disse Kyoko, virando-se com uma colher de madeira na mão. — E perfeição, para mim, começa com você bem alimentado.

Ren caminhou até ela, abraçando-a por trás e prendendo-a contra o balcão da cozinha. Ele beijou seu ombro, inalando o cheiro de casa.

— Você é a minha perfeição, Kyoko Tsuruga.

Ela estremeceu ao ouvir o novo nome.

— Kyoko Tsuruga... ainda soa como um papel que eu estou aprendendo a interpretar.

— É o papel da sua vida — disse ele, virando-a em seus braços. — E eu sou o seu diretor, o seu coestrela e o seu fã número um.

Eles tomaram o café da manhã na varanda, observando os pássaros no jardim. Kyoko olhou para o anel em seu dedo e depois para o homem à sua frente.

— Ren, você já pensou no que teria acontecido se não tivéssemos voltado? — perguntou ela, uma sombra de curiosidade em sua voz.

Ren pegou a mão dela, beijando a palma.

— Eu teria passado o resto da minha vida tentando te encontrar em cada rosto, em cada cena. Mas o universo sabia que não poderíamos terminar daquele jeito. O amor que sentimos... ele era forte demais para o tempo ignorar.

— Eu concordo — disse ela, sorrindo. — Mas estou feliz por termos tido essa chance. De fazer tudo certo desde o início. De não deixar o Sho nos machucar. De deixar você me amar abertamente.

— E eu vou te amar assim todos os dias — prometeu Ren. — Com cada fibra do meu ser.

***

Os anos passaram como um borrão de sucessos e alegrias. Kyoko tornou-se uma lenda viva, ganhando prêmios internacionais e sendo respeitada não apenas por sua beleza, mas por sua técnica incomparável. Ren, por sua vez, tornou-se o pilar da indústria japonesa, eventualmente assumindo um papel de liderança na LME ao lado de Lory.

Mas, longe dos holofotes, a vida deles era feita de momentos simples. Das noites em que Kyoko cozinhava pratos elaborados para comemorar o fim de uma filmagem, das tardes em que Ren a levava para passear disfarçada pelos parques de Tóquio, e das madrugadas em que eles simplesmente ficavam abraçados, ouvindo a respiração um do outro.

Eles tiveram dois filhos — um menino com os olhos intensos de Ren e uma menina com o sorriso radiante e o talento culinário de Kyoko. Ren, como pai, era ainda mais protetor do que como marido, criando um santuário para sua família onde o mundo exterior não podia tocar.

Em uma noite de outono, muitos anos depois, Ren e Kyoko estavam sentados em sua varanda, observando as folhas caírem. Eles eram mais velhos agora, com fios de prata em seus cabelos, mas o brilho nos olhos de ambos permanecia o mesmo.

— Você se lembra daquela pedra azul? — perguntou Ren, segurando a mão de Kyoko.

— Corn? Como eu poderia esquecer? — Ela tirou o pingente que ainda usava por baixo da roupa. — Ela foi o início de tudo. O eco do futuro no coração do passado.

Ren pegou a pedra, observando-a sob a luz da lua.

— Ela não tem mais magia, Kyoko. Porque a magia agora é real. É a nossa vida.

— A magia sempre foi o nosso amor, Ren — disse ela, encostando a cabeça no ombro dele. — A pedra foi apenas o meio que o destino usou para nos lembrar disso.

Eles ficaram ali, em silêncio, dois corações que haviam vencido a barreira do tempo. A história de Kyoko Mogami e Ren Tsuruga não era mais um roteiro de sofrimento e vingança, mas uma epopeia de redenção e proteção. Eles haviam reescrito as estrelas, e o brilho que emanavam agora era eterno, uma luz que nunca se apagaria, pois fora forjada no fogo de um amor que nem mesmo a morte pôde separar.

— Eu te amo, Ren — sussurrou ela, fechando os olhos.

— Eu te amo, Kyoko — respondeu ele, apertando a mão dela com a mesma possessividade carinhosa de sempre. — Para sempre e além do tempo.

E assim, sob o céu de Tóquio, a estrela de Kyoko e o brilho de Ren fundiram-se em uma única constelação, iluminando o caminho para todos aqueles que acreditam que, com coragem e amor, é possível mudar o destino e encontrar, finalmente, o caminho de volta para casa.