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Uma dama e seis vagabundos

Entre Promessas de Inverno e o Brilho da Prata

O silêncio da minha casa em Londres era ensurdecedor. Depois de meses vivendo no epicentro do furacão que era o dormitório masculino da Sonserina, o som do relógio de pêndulo na sala de estar parecia uma batida de tambor constante e irritante. Meus pais estavam felizes por me ter de volta, mas eles não faziam ideia de que sua "doce Hanna" agora passava as noites dividindo lençóis com os bruxos mais complicados da Grã-Bretanha.

Eu estava sentada no parapeito da janela do meu quarto, observando os flocos de neve começarem a cair sobre a rua trouxa. No meu dedo, o anel de prata que um deles — eu ainda não tinha certeza de quem — deslizara no meu bolso antes da despedida, brilhava sob a luz do abajur. Eu o girava distraidamente, sentindo falta do cheiro de tabaco de Theodore e das reclamações incessantes de Draco sobre a qualidade das toalhas.

— Hanna, querida! O jantar está pronto! — minha mãe gritou do andar de baixo.

— Já vou, mãe! — respondi, mas meus olhos permaneceram fixos no céu escuro.

Eu estava esperando. Matteo dissera para ficar atenta à janela. E, conhecendo os Riddle, eles não eram conhecidos por sua paciência ou por promessas vazias.

Não demorou muito. Uma silhueta escura cortou o céu, movendo-se com uma agilidade que nenhuma coruja comum possuía. Quando a criatura pousou no meu parapeito, soltei um arquejo. Não era uma coruja, mas um falcão de penas negras como azeviche, com olhos que pareciam inteligentes demais para um animal. Em sua pata, havia um embrulho retangular e um envelope de pergaminho grosso.

Abri a janela apressada, deixando o ar gélido entrar. O falcão soltou um pio curto e autoritário, estendendo a pata. Assim que peguei o pacote, ele levantou voo novamente, desaparecendo na escuridão sem esperar por uma resposta.

Com as mãos levemente trêmulas, abri o envelope primeiro. A caligrafia era elegante, mas agressiva, com as letras inclinadas para a direita. Matteo.

"Pequena Hanna,

Espero que o silêncio da sua casa trouxa não esteja te deixando muito entediada. Imagino que você sinta falta da minha voz no seu ouvido e de como eu ocupo todo o espaço da sua cama. Draco está enviando presentes patéticos para todos, mas eu decidi te dar algo útil.

Use isso na noite de Natal. Se você não usar, eu vou pessoalmente até sua casa e te arrasto para as masmorras antes do ano novo.

Com desdém (e talvez um pouco de outra coisa),

Matteo."

Soltei uma risadinha, balançando a cabeça. "Com desdém". Ele era impossível. Abri o embrulho e senti o toque frio e macio de um tecido escuro. Era um vestido de seda verde-esmeralda, tão profundo que quase parecia preto sob certas luzes. Junto a ele, havia um frasco de poção rotulado com a caligrafia de Tom: "Para os seus pesadelos. Não deixe o Matteo saber que eu te mandei isso."

— Eles são inacreditáveis — sussurrei para o quarto vazio, sentindo um calor estranho no peito.

Os dias de férias passaram como um borrão de mensagens trocadas por corujas. Draco enviou uma caixa de doces caríssimos da Dedosdemel com um bilhete dizendo que eu parecia "desnutrida" nas últimas fotos do Profeta Diário (eu nem estava em fotos do Profeta Diário). Theodore enviou um isqueiro de prata encantado que soltava fumaça em formato de serpentes, e Lorenzo mandou um livro de poesias trouxas que ele jurava ter roubado da biblioteca pessoal de Régulos.

Régulos, por sua vez, foi o mais constante. Suas cartas eram curtas, mas cheias de perguntas sobre como eu estava me sentindo. Ele parecia ser o único que realmente se importava se eu estava descansando ou se o estresse de viver com eles tinha me deixado exausta.

Na noite de Natal, eu decidi ceder. Vesti o vestido de Matteo. Ele se ajustava perfeitamente ao meu corpo, as alças finas destacando meus ombros e o decote em "V" dando um ar de maturidade que eu raramente exibia em Hogwarts. Prendi meu cabelo em um coque elegante, deixando apenas a franja e algumas mechas soltas.

Quando me olhei no espelho, não vi apenas a Hanna "fofa e gentil". Vi a garota que sobrevivia diariamente às masmorras da Sonserina.

— Hanna? Tem alguém na porta para você — meu pai chamou, soando confuso. — Um rapaz... bem vestido demais para essa vizinhança.

Meu coração disparou. Eu não esperava visitas. Desci as escadas correndo, tentando não tropeçar no salto alto. Quando cheguei à porta, meu queixo quase caiu.

Não era Matteo. Era Tom Riddle.

Ele estava parado na nossa varanda, vestindo um sobretudo preto de corte impecável, as mãos enluvadas cruzadas atrás das costas. Ele parecia uma autoridade real perdida em um subúrbio londrino. Meu pai o observava com uma mistura de desconfiança e admiração.

— Tom? O que você está fazendo aqui? — perguntei, sem fôlego.

— Boa noite, Hanna — ele disse, sua voz aveludada cortando o ar frio. Ele ignorou meu pai completamente, seus olhos percorrendo meu vestido com uma aprovação silenciosa. — Você está usando o presente dele. Uma escolha audaciosa, embora eu ache que o verde combine mais com a sua tez do que com o ego do Matteo.

— Você não respondeu minha pergunta — retruquei, cruzando os braços.

— Vim buscar você — ele disse, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Temos um jantar. Todos estão esperando.

— Um jantar? Meus pais não vão deixar eu sair assim, do nada, na noite de Natal!

Tom deu um passo à frente, e por um momento, vi o brilho de poder em seus olhos. Ele olhou para o meu pai e, com um tom de voz que era pura sugestão mágica, disse:

— O senhor não se importa que sua filha passe algumas horas com seus colegas de escola para um evento acadêmico importante, não é? Ela estará de volta antes da meia-noite.

Meu pai piscou, sua expressão suavizando instantaneamente.

— Oh, claro. Um evento acadêmico. Divirta-se, Hanna. Não volte tarde.

Fiquei boquiaberta. Tom Riddle tinha acabado de usar um feitiço de confusão — ou algo muito próximo disso — no meu pai em plena noite de Natal.

— Você é horrível — eu sussurrei enquanto ele me guiava até uma carruagem negra que parecia ter surgido do nada.

— Sou eficiente, Hanna. Há uma diferença — ele respondeu, abrindo a porta para mim.

Dentro da carruagem, o espaço era luxuoso e aquecido. Para minha surpresa, não estávamos sozinhos. Matteo já estava lá, ocupando um banco inteiro, com uma garrafa de champanhe bruxo na mão. Quando ele me viu, seus olhos brilharam com uma intensidade predatória.

— Eu disse que você ficaria bem nesse vestido — ele murmurou, estendendo a mão para que eu me sentasse ao seu lado. — Tom, você demorou. Achei que teria que ir lá e azarar o trouxa eu mesmo.

— O pai dela é um homem educado, Matteo. Ao contrário de você — Tom sentou-se à nossa frente, cruzando as pernas com elegância.

A carruagem começou a se mover, mas não pelo chão. Senti o solavanco familiar da decolagem. Estávamos voando sobre Londres.

— Para onde estamos indo? — perguntei, tentando acalmar meu coração acelerado.

— Para a Mansão Malfoy — Matteo respondeu, servindo uma taça e entregando-a para mim. — Draco insistiu que o Natal não seria Natal sem a "mascote" dele para irritar. E Theodore prometeu que se você não aparecesse, ele queimaria a árvore de Natal da Narcisa.

— Vocês são loucos — eu ri, bebendo um gole do champanhe que formigava na minha língua.

— Somos sua família, Hanna — Tom disse gravemente, seus olhos fixos nos meus. — E na Sonserina, nós protegemos o que é nosso. Especialmente quando "o que é nosso" insiste em ser tão teimososa.

A viagem foi curta. Em poucos minutos, pousamos nos jardins vastos e cobertos de neve da mansão. As luzes brilhavam nas janelas altas, e o som de música clássica flutuava pelo ar. Quando descemos, fomos recebidos por Draco, que parecia ter saído de uma capa de revista de moda bruxa.

— Finalmente! — Draco exclamou, caminhando até nós. Ele me olhou de cima a baixo e bufou. — Matteo, você tem o gosto de um trasgo. Esse vestido é curto demais.

— Ela está linda, Draco. Cale a boca — Lorenzo apareceu logo atrás, acompanhado por Theodore e Régulos.

O encontro foi uma explosão de vozes e risadas. Theodore imediatamente me ofereceu um dos seus cigarros mágicos, que eu recusei com um tapa no braço dele. Lorenzo me deu um abraço que quase me sufocou, e Régulos apenas pegou minha mão e a apertou, um gesto silencioso de "que bom que você veio".

O jantar foi servido em uma mesa longa de carvalho. Narcisa e Lucius Malfoy estavam na cabeceira, mantendo uma distância polida, mas eu podia sentir os olhos de Lucius me avaliando. Eu era a anomalia na vida do seu filho e de seus amigos.

— Então, Hanna — Draco disse alto, para que todos ouvissem —, como é a sensação de passar o Natal com a elite, em vez de ficar naquela sua casinha apertada?

— É interessante, Draco — respondi, sorrindo docemente. — Especialmente porque aqui eu não preciso me preocupar se você vai roubar meu hidratante facial no meio da noite.

Os meninos caíram na gargalhada, e até Narcisa soltou um risinho contido atrás do guardanapo. Draco ficou vermelho, murmurando algo sobre "pele seca ser um problema sério".

Conforme a noite avançava e o vinho fluía, a formalidade foi deixada de lado. Fomos para um salão menor, com uma lareira gigantesca, onde pudemos ser nós mesmos. Theodore e Matteo começaram uma competição de duelos de luzes, enquanto Lorenzo tentava ensinar Régulos a dançar uma música trouxa que ele ouvira no rádio.

Eu estava sentada em um sofá de veludo, observando-os. Tom estava ao meu lado, observando a cena com seu habitual desapego, mas havia algo diferente nele naquela noite. Ele parecia... satisfeito.

— Você está quieta — ele comentou.

— Só estou pensando — respondi. — No dormitório, tudo parece um jogo. Mas aqui... parece real. Vocês realmente se importam uns com os outros, do jeito torto de vocês.

— É uma necessidade, Hanna. O mundo lá fora não é gentil com pessoas como nós. Criamos nosso próprio mundo — ele olhou para mim. — E você se tornou parte dele, quer queira, quer não.

— Eu sei — suspirei. — Às vezes eu me pergunto o que meus pais diriam se vissem isso.

— Eles não entenderiam — Matteo disse, aproximando-se e sentando-se no chão aos meus pés, apoiando os braços nos meus joelhos. — Ninguém entende a Sonserina, a menos que respire o ar das masmorras. Você respira esse ar agora, Hanna.

— Falando em ar — Theodore interrompeu, cambaleando levemente —, quem está pronto para a nossa tradição de Natal?

— Que tradição? — perguntei, desconfiada.

— O Pacto de Inverno — Draco explicou, levantando-se. — Todo ano, fazemos uma promessa. Algo que devemos cumprir até o fim do próximo semestre.

Eles se reuniram em um círculo ao redor da lareira. Eu fui puxada para o meio por Lorenzo.

— Este ano — Tom começou, sua voz assumindo um tom cerimonial —, o pacto é sobre ela.

— Sobre mim? — arregalei os olhos.

— Sim — Régulos disse suavemente. — Prometemos que, não importa o que aconteça nas sombras que estão crescendo lá fora, a Hanna estará segura. Ela é o coração deste grupo. Se ela cair, todos nós caímos.

Fiquei sem palavras. Ver aqueles garotos, tão arrogantes, tão cheios de si e, em muitos casos, tão cruéis com o resto do mundo, fazendo uma promessa de proteção sobre mim, foi avassalador.

— Eu também tenho uma promessa — eu disse, minha voz saindo mais firme do que eu esperava. — Prometo que não vou deixar vocês se perderem completamente. Se vocês são o meu escudo, eu serei a bússola de vocês.

Matteo soltou um assobio baixo.

— Uma bússola, hein? — ele sorriu. — Acho que vou precisar de muita orientação, porque pretendo me perder bastante nos seus lençóis no próximo semestre.

— Matteo! — todos gritaram em coro, quebrando o momento solene com risadas e empurrões.

A noite terminou com todos nós amontoados no salão, exaustos e felizes. Em algum momento, acabei dormindo com a cabeça no colo de Tom e as pernas por cima de Draco e Matteo. No dia seguinte, eu estaria de volta à minha vida comum, mas o pacto estava feito.

Antes de Tom me levar de volta para casa, ele me parou no corredor escuro da mansão.

— Hanna — ele sussurrou, sua mão tocando meu rosto. — O que você disse sobre ser nossa bússola... você falava sério?

— Sim, Tom. Eu falava sério.

Ele inclinou-se e beijou minha testa, um gesto de uma ternura tão profunda que me fez estremecer.

— Então tente não quebrar, pequena bússola. O norte é um lugar muito escuro sem você.

Quando finalmente entrei no meu quarto em Londres, minutos antes da meia-noite, o vestido verde ainda cheirava a magia e a fogo de lareira. Deitei-me na minha cama solteira, que agora parecia pequena e fria demais.

Olhei para o anel de prata no meu dedo. As férias estavam apenas na metade, mas eu já podia ouvir o chamado das masmorras. Eu era a garota de olhos de mel que dividia o quarto com os garotos da Sonserina, e embora o futuro fosse incerto e perigoso, eu sabia de uma coisa: eu nunca mais estaria sozinha.

Fechei os olhos, imaginando a escala de janeiro. Segunda-feira com Matteo. Terça com Theodore. E, pela primeira vez, eu não estava preocupada com a falta de sono. Eu estava ansiosa para voltar para casa. Porque casa não era mais um endereço em Londres. Casa era onde eles estivessem.