Uma fada que ficou obcecado por uma humana
A Melodia do Gelo e do Musgo
O inverno chegara não como um conquistador, mas como um eremita, envolvendo o mundo num manto de silêncio e cinza. Os meses que se seguiram ao resgate de Margarida tinham tecido um fio invisível, mas inquebrável, entre ti e Skitter. A tua amizade floresceu na estranha e húmida penumbra da floresta, alimentada por uma rotina de visitas e trocas que se tornara tão natural como a respiração.
Assim que as tuas tarefas diárias estavam cumpridas — a ajuda na cozinha, o cuidado com os animais, a lição das crianças, agora suspensa pelo frio rigoroso —, o teu coração virava-se para a linha escura das árvores. Envolvias-te no teu capuz mais quente, os bolsos cheios de pequenos tesouros, e seguias os caminhos que agora conhecias tão bem como as linhas da tua própria mão.
Os teus presentes para Skitter tinham evoluído. Já não eram apenas comida. Eram pensamentos transformados em objetos. Numa semana, foi um móbile feito de ossos de pássaro limpos e polidos e penas de corvo, que emitia um som oco e musical quando o vento soprava pelos ramos. Ele pendurou-o na entrada da sua toca, uma série de buracos numa raiz maciça de um carvalho caído, e passava horas a saltitar por baixo dele, a rir-se do seu próprio carrilhão fúnebre. Noutra, foi um punhado de seixos de rio que pintaste com sumo de amora, criando padrões em espiral que brilhavam a roxo escuro quando molhados. Ele não os usou para atirar a nada; em vez disso, dispô-los num círculo perfeito no seu pequeno covil, um jardim de pedras que apenas ele entendia.
Davas porque era a tua natureza, o teu amor manifestado em gestos. A alegria pura e caótica que iluminava o seu rosto quando recebia um novo "tesouro" era a tua recompensa. Ele, por sua vez, pagava-te com conhecimento.
Skitter tornara-se o teu guia relutante, mas eficaz, através da intrincada tapeçaria da vida na floresta. Ele ensinou-te, não com palavras, mas com ações. Apontava com o seu chocalho para um tipo específico de cogumelo que crescia na base de um vidoeiro, e depois para um esquilo que o comia avidamente, ensinando-te o que era seguro. Mostrou-te como as Glimmerlings, pequenas fadas semelhantes a pirilampos, se escondiam em flores de dedaleira durante o dia, e como o seu brilho se intensificava antes de uma tempestade. Aprendeste a reconhecer as marcas de garras de um Pillywiggin nas cascas das árvas, o cheiro de ozono que precedia a aparição de um Sprite da Trovoada, e o silêncio súbito que significava que um Bogle, uma criatura sombria e mal-humorada, estava por perto.
A tua exploração não era por curiosidade ociosa. A imagem de Margarida em pânico, cega pelo medo, estava gravada na tua mente. A floresta era bela, mas perigosa, e a tua aldeia estava perigosamente perto da sua orla. Se querias proteger a tua comunidade, os teus pais, as crianças que amavas, não podias construir muros mais altos. Muros apenas provocavam a curiosidade das fadas. Tinhas de construir pontes. Tinhas de compreender as regras, os fluxos e os refluxos do poder no mundo feérico, para que pudesses navegar por eles, apaziguá-los e, se necessário, desviar a sua atenção para longe dos frágeis humanos que não compreendiam o perigo em que viviam.
Na tua casa, mantinhas um mapa secreto. Não era de papel e tinta. Era uma grande tábua de madeira onde arranjavas os teus achados: uma pena marcava o território de uma família de Corvos Falantes, um pedaço de quartzo rosa indicava uma nascente com propriedades curativas, uma folha seca e prensada de uma forma particular assinalava a fronteira do território de um Gnomo da Floresta particularmente rabugento. Era o teu diário de campo, a tua tese sobre uma diplomacia que mais ninguém sabia que estavas a conduzir.
Um dia, ao regressares da floresta, o ar pareceu mudar. O frio, que fora um companheiro constante e honesto, adquiriu um tom diferente. Tornou-se um frio húmido, pegajoso, que parecia infiltrar-se não apenas nas roupas, mas sob a pele, até aos ossos.
Encontraste a tua mãe na cozinha, a sua testa vincada de preocupação.
— É a pequena Elara — disse ela, a sua voz baixa. — A mãe dela veio aqui a chorar. A menina não acorda.
O teu coração gelou. — O que queres dizer com "não acorda"?
— Não está morta, graças a Deus. Mas está… a dormir. Um sono profundo. A pele dela está fria ao toque, e a respiração é tão superficial que mal se consegue ver o peito a mover-se. O médico esteve lá. Diz que nunca viu nada assim. Chamou-lhe "febre fria".
Deixaste cair a tua cesta de lenha no chão e correres para a casa dos teus vizinhos. A cena que encontraste lá iria assombrar-te. A pequena Elara, normalmente um turbilhão de energia e risos, estava deitada na sua pequena cama, pálida como cera. A sua irmã gémea, Lyra, estava sentada a seu lado, em silêncio, as lágrimas a escorrerem-lhe pelo rosto. Tocaste na testa de Elara. Estava gelada. Não era o frio da morte, mas um frio antinatural, como tocar num pedaço de gelo que se recusa a derreter.
Nos dias que se seguiram, o contágio silencioso espalhou-se. Não era uma doença barulhenta, com tosse e espirros. Era um ladrão que chegava na calada da noite e roubava o calor e a consciência. Atingiu primeiro os mais vulneráveis: mais três crianças e dois dos anciãos mais frágeis da aldeia, incluindo a Sra. Gable, cuja tosse crónica se transformou num silêncio arrepiante. A aldeia, já stressada pela colheita fraca, foi mergulhada num medo silencioso e desesperado. O médico estava perdido, as rezas pareciam não ser ouvidas, e a cada manhã, todos acordavam com medo de descobrir quem mais o inverno silencioso tinha reclamado.
Tu movias-te como uma sombra entre as casas, levando caldos quentes que não eram comidos, cobertores extras que não aqueciam, e oferecendo palavras de conforto que soavam vazias até para ti. A tua natureza maternal estava em overdrive, mas a tua empatia era uma faca de dois gumes, fazendo-te sentir a dor de cada família como se fosse a tua. A tua fúria de mãe-urso fervia sob a superfície, uma fúria impotente contra um inimigo invisível.
Foi na terceira noite, enquanto estavas sentada ao lado da cama do pequeno Thomas, a segurar a sua mão fria, que a compreensão te atingiu com a força de um raio. O frio. Não era um frio normal de inverno. Era o mesmo frio antinatural que sentiste na pele de Elara, o mesmo frio que parecia emanar do próprio ar da aldeia. Era o frio da magia.
A floresta não estava apenas a observar. Estava a invadir.
Deixaste um beijo na testa de Thomas, uma promessa silenciosa nos teus lábios, e saíste para a noite. A lua estava cheia, mas o seu brilho era fraco, filtrado por uma névoa gelada que se agarrava ao chão. Ignoraste os chamados preocupados dos teus pais. Não havia tempo para explicações.
Correste para a floresta, o teu coração a bater um ritmo de pânico e propósito. Não trazias presentes desta vez. Trazias um pedido de ajuda.
— Skitter! — A palavra saiu da tua boca num sussurro rouco, o nome secreto que nunca tinhas ousado pronunciar em voz alta. — Skitter, por favor!
Mergulhaste mais fundo, para a clareira onde se tinham encontrado tantas vezes. Estava vazia. A névoa era mais espessa aqui, e o silêncio era total. Nem o som de um mocho.
Tiraste a pedra de fada da tua bolsa. Estava fria, quase dolorosa ao toque. Levantaste-a e espreitaste pelo buraco. A floresta transformou-se numa paisagem de pesadelo. A névoa brilhava com uma luz azulada e doentia, e parecia agarrar-se a tudo como teias de aranha geladas. Eram gavinhas de poder, a sugar o calor e a vida de tudo o que tocavam.
— SKITTER! — gritaste, a tua voz a quebrar-se.
Um farfalhar nos ramos acima de ti. Ele desceu como uma aranha de um fio, aterrando à tua frente sem som. O seu sorriso habitual não estava lá. Ele parecia… contraído. As suas orelhas pontiagudas estavam achatadas contra a sua cabeça, e ele estava enrolado em si mesmo, como se tentasse conservar o seu próprio calor. A energia caótica que normalmente irradiava dele estava abafada, subjugada. Aquele sono mágico afetava-o também, sugando a sua vitalidade.
— Eles estão a dormir — disseste, a tua voz a tremer. — As crianças. Os velhos. Um sono frio. E não acordam.
Ele olhou para ti, os seus olhos dourados a brilhar na escuridão. Ele não entendia a tua preocupação pelos humanos frágeis, mas entendia o frio. Entendia a quietude forçada. Odiava-a. Era o oposto de tudo o que ele era.
— É magia. Magia da floresta. Tu tens de saber o que é. Por favor. — Agarraste no braço dele. O contacto surpreendeu-vos a ambos. A sua pele era seca e áspera, mas não estava fria como a das crianças. Estava apenas… tépida.
Ele recuou, mas não fugiu. Sibilou, um som de frustração, e apontou com um dedo ossudo na direção da aldeia, e depois para o chão, fazendo um gesto de dormir.
— Sim — confirmaste, as lágrimas a congelarem-te no rosto. — Ajuda-me. Ajuda-me a acordá-los.
Ele hesitou. Ajudar os humanos? Era contra a sua natureza. Mas a magia que os estava a adormecer também o estava a enfraquecer, a tornar o mundo aborrecido, silencioso e lento. E depois, ele olhou para o teu rosto. Viu o mesmo desespero e a mesma fúria protetora que vira quando enfrentaste o Boggan, quando te atiraste em frente da vaca em pânico. Essa força, essa estranha e poderosa emoção humana, era algo que ele começava a respeitar, talvez até a admirar.
Com um estalido de língua que soou como uma decisão, ele agarrou na tua mão e puxou-te, não para a aldeia, mas para o coração da floresta.
A vossa busca era uma descida a um inferno gelado. Quanto mais fundo iam, mais o mundo se transformava. O som desaparecia. As árvores estavam cobertas por uma camada de musgo que brilhava com a mesma luz azulada e doentia da névoa. Não era o musgo verde e vibrante da vida; era pálido, fantasmagórico, e frio ao toque. O ar tornou-se tão gelado que cada respiração doía.
Skitter era o teu guia. Ele não seguia um rasto, mas uma ausência. A ausência de som, de calor, de vida. Ele saltava de rocha em rocha, o seu chocalho silencioso na sua mão, e tu seguias-o, a tua pedra de fada a pulsar com um frio constante na tua cintura.
Finalmente, chegaram a uma parte da floresta que nunca tinhas visto, um lugar que não estava no teu mapa. Era um vale afundado, uma cicatriz na terra, onde as árvores eram antigas e retorcidas, os seus ramos nus como os ossos de gigantes mortos. No centro do vale, havia uma gruta, a sua entrada quase completamente escondida por uma cortina de musgo azulado e brilhante. Era dali que a névoa emanava. Era o coração do inverno silencioso.
Skitter parou, o seu corpo tenso. Ele sibilou baixo, um som de aviso, e mostrou-te os seus dentes de agulha. Ele estava pronto para lutar. A sua solução para qualquer problema era o caos, o barulho, o movimento. Ele ia entrar a correr, a gritar, a abanar o seu chocalho, a tentar quebrar o feitiço com pura energia.
— Não. — A tua voz era um sussurro, mas deteve-o como se fosse um grito.
Ele virou-se para ti, confuso e irritado.
— Não é assim — repetiste, a tua certeza a regressar. — A violência não vai quebrar este feitiço. Só o vai fortalecer.
Lembravas-te das histórias. A magia feérica, especialmente a magia ligada à emoção, não podia ser combatida com força. Tinha de ser compreendida, apaziguada.
Com o coração a bater contra as costelas, afastaste a cortina de musgo e entraste na gruta. O frio era tão intenso que te roubou o fôlego. O interior era uma catedral de gelo e musgo. O musgo brilhante cobria tudo, e do teto pendiam estalactites de gelo negro. No centro da gruta, numa espécie de ninho feito de raízes e musgo, estava a fonte da doença.
Não era um monstro. Era uma figura, nem masculina nem feminina, feita de terra húmida, raízes e musgo. O seu corpo era o de uma pessoa idosa, curvada e frágil. O seu rosto, se é que se podia chamar assim, era uma máscara de casca de árvore com buracos vazios onde deveriam estar os olhos. Estava a dormir, mas era um sono agitado. O seu peito subia e descia em suspiros lentos e dolorosos, e cada expiração era uma lufada de névoa gelada. Era uma Mãe do Musgo, um espírito antigo da terra, um guardião do sono do inverno e da decomposição lenta. Mas algo estava errado. O seu sono não era pacífico; era um pesadelo. E o seu pesadelo estava a transbordar para o mundo.
Ao seu lado, viste a causa da sua dor. No chão da gruta, jazia um toco de árvore, as suas raízes arrancadas da terra. Mas não era uma árvore qualquer. A julgar pelo seu tamanho e pela madeira escura, era um Teixo antigo. Uma árvore sagrada, um portal entre os mundos, e o coração da Mãe do Musgo. Alguém, provavelmente um lenhador da aldeia a aventurar-se demasiado longe em busca de madeira para o inverno, cortara-a, sem saber que estava a apunhalar o coração de um deus adormecido.
A dor e a solidão da criatura eram tão palpáveis que te fizeram chorar. Não de medo, mas de uma empatia avassaladora.
Skitter entrou atrás de ti, o seu chocalho levantado. Ao ver a criatura, ele soltou um guincho de fúria e preparou-se para saltar.
— PARA! — ordenaste, e a tua voz, carregada com a tua fúria protetora, ecoou na gruta. Até Skitter se encolheu. — Não vês? Ela não é má. Ela está a sofrer.
Aproximaste-te lentamente do ser adormecido. Cada passo era uma agonia gelada. Ajoelhaste-te ao lado do ninho de raízes. A tua mente corria. O que podias oferecer a uma criatura que perdera o seu coração? Não podias trazer a árvore de volta.
Olhaste para as tuas mãos. Estavam vazias. Não tinhas presentes, nem ferramentas, nem armas. Tinhas apenas a ti. A tua empatia. E a tua voz.
Fechaste os olhos. Respiraste fundo o ar gelado e começaste a cantar.
Não foi uma canção de embalar. Foi um lamento. Um lamento pela árvore perdida, pela dor da solidão, pelo frio do inverno. A tua voz, clara e pura, encheu a gruta, entrelaçando-se com a melodia silenciosa do gelo e do musgo. Cantaste sobre a força das raízes, a paciência da pedra, a beleza da decomposição que alimenta a nova vida. Não tentaste lutar contra a tristeza da criatura; abraçaste-a, deste-lhe voz, partilhaste-a.
Skitter observava, paralisado. Ele vira-te usar a canção para acalmar, mas nunca para lamentar. Para ele, aquilo era um poder ainda mais estranho. Estavas a falar a língua da dor.
Enquanto cantavas, tiraste algo do bolso mais fundo do teu capuz. Era um pequeno bolbo de açafrão-da-neve, que tinhas guardado para plantar no teu jardim. Uma pequena e feia protuberância castanha, mas que continha a promessa da primeira flor da primavera.
Com uma delicadeza infinita, abriste um pequeno buraco na terra húmida junto ao toco do Teixo e plantaste o bolbo. Um pequeno gesto. Uma promessa. Uma oferenda não de o que era, mas do que viria a ser.
— O inverno não dura para sempre — sussurraste, a tua canção a transformar-se num murmúrio de esperança. — A primavera sempre regressa.
A criatura na tua frente moveu-se. O seu suspiro seguinte não foi uma lufada de névoa gelada. Foi apenas… um suspiro. O brilho azulado do musgo começou a desvanecer-se, substituído por um verde suave e natural. O frio intenso na gruta começou a recuar, não desaparecendo, mas tornando-se um frio limpo e seco de uma gruta de inverno, não um frio mágico e devorador de vida.
A Mãe do Musgo não acordou. Mas o seu sono tornou-se pacífico. O seu pesadelo terminara. Ela aceitara a tua canção, a tua oferenda. A ferida não estava curada, mas o processo de cicatrização começara.
Levantaste-te, as tuas pernas a tremer de frio e exaustão. O teu trabalho estava feito.
Viraste-te e viste Skitter. Ele estava a olhar, não para a Mãe do Musgo, mas para ti. A sua expressão era de puro e absoluto assombro. Ele vira-te enfrentar a força bruta com calma, o pânico com uma canção de embalar, e agora, vira-te enfrentar a dor profunda e antiga com empatia e uma promessa. Ele baixou o seu chocalho. A sua solução de caos parecia infantil e inútil em comparação com o que acabara de testemunhar.
Ele aproximou-se de ti e, pela segunda vez na vossa amizade, tocou-te. A sua mão ossuda pousou no teu braço por um breve instante. Não foi um toque de reconhecimento. Foi um toque de reverência.
Saíram da gruta para um mundo a despertar. O silêncio estava a ser quebrado. Ouvia-se o som distante de água a pingar, o gelo a derreter. O ar estava mais quente. A névoa dissipara-se.
Não precisaram de correr de volta. Caminharam. Quando chegaram à orla da floresta, o sol da manhã estava a nascer, e da aldeia, ouviram o som mais belo do mundo: o choro zangado e exigente de um bebé.
Lyra correu ao vosso encontro, o seu rosto banhado de lágrimas de alegria.
— Ela acordou! A Elara acordou! E está com fome!
Olhaste para a aldeia, que despertava lentamente do seu pesadelo. As chaminés começavam a fumegar de novo, não apenas com o fumo da necessidade, mas com o fumo da vida a regressar.
Olhaste para o teu lado, mas Skitter já tinha desaparecido. Apenas uma única folha de azevinho, com as suas bagas vermelhas e brilhantes, repousava no chão onde ele estivera. Um presente. Um agradecimento.
Voltavas para casa, para o abraço preocupado mas aliviado dos teus pais. Não contaste a ninguém o que fizeste. Não havia palavras para o explicar. Mas enquanto te sentavas junto ao fogo, o calor a penetrar finalmente nos teus ossos, seguravas a folha de azevinho na tua mão. Não tinhas derrotado um monstro. Tinhas feito as pazes com o inverno. E ao fazê-lo, tinhas protegido a tua aldeia de uma forma que nenhum guerreiro ou rei jamais poderia. Tinhas usado a arma mais poderosa de todas: um coração que se recusava a deixar de se importar. E na floresta silenciosa, um pequeno duende travesso agora compreendia um pouco melhor o poder desconcertante e maravilhoso dos humanos, e daquela humana em particular. A sua amizade fora testada pelo gelo, e saíra mais forte.