Uma noite quente em Paris
A Gravidade dos Sentidos
A porta de entrada da cobertura em Hannam-dong destravou com um bipe suave pouco antes da meia-noite.
Taehyung estava jogado no enorme sofá de couro, fingindo prestar atenção em um filme antigo na televisão, mas seu olhar alternava para o relógio a cada três minutos. Quando a silhueta esguia de Vitória surgiu no hall de entrada, retirando as botas de cano curto com um suspiro audível de alívio, a tensão acumulada nos ombros largos do cantor finalmente se desfez.
Ela trazia os cabelos levemente desgrenhados pelo vento noturno de Busan, as bochechas coradas pelo frio e um brilho febril, quase elétrico, nos olhos castanhos.
— Você demorou — disse ele, a voz rouca quebrando o silêncio da sala.
Taehyung levantou-se com a elegância preguiçosa de sempre, vestindo apenas uma calça de moletom cinza e uma camiseta preta desbotada, mas seus passos rápidos em direção a ela traíam qualquer fingimento de indiferença.
Vitória largou a bolsa no aparador de madeira escura e abriu um sorriso tão aberto, tão espontaneamente radiante, que iluminou a penumbra do apartamento.
— O trânsito na saída da estação estava um inferno — respondeu ela, dando dois passos à frente e se jogando nos braços dele sem hesitar.
Taehyung a acolheu de imediato. Seus braços envolveram a cintura dela, apertando-a contra seu peito como se quisesse ter a certeza física de que ela realmente havia retornado, inalando fundo o cheiro familiar de jasmim e baunilha que parecia impregnado em sua própria alma.
— E como foi? — murmurou ele contra o topo da cabeça dela.
Vitória ergueu o rosto, com as mãos repousando no peito firme dele, sentindo os batimentos descompassados sob o tecido fino.
— Foi maravilhoso, Tae — disse ela, as palavras atropeladas pela empolgação pura. — A diretora de elenco me fez repetir a cena do monólogo três vezes, mudando o tom, e no final ela me agradeceu com uma reverência de verdade, não daquelas automáticas. O produtor disse que o retorno oficial sai em cinco dias, mas... eu senti. Eu senti que entreguei o meu melhor.
Taehyung a observou em silêncio por um segundo. Havia algo devastadoramente magnético na maneira como ela vibrava por suas próprias conquistas. Vitória não estava ali buscando validação dele, nem parecia deslumbrada por estar no apartamento de um ícone global; ela brilhava com luz própria.
O coração de Taehyung deu um solavanco estranho e perigoso. O sentimento que ele vinha tentando abafar nos últimos meses — aquele peso quente e avassalador que desafiava sua aversão a amarras — espalhou-se por suas veias como fogo em palha seca.
— Eu sabia que você ia destruir tudo lá — sussurrou ele, um sorriso torto e descarado curvando seus lábios. — Você é boa demais no que faz, garota.
— É mesmo? — provocou ela, arqueando uma sobrancelha com aquele atrevimento que ele conhecia tão bem.
— Em tudo — decretou ele, com a voz caindo duas oitavas, tornando-se perigosamente aveludada. — Absolutamente tudo.
Sem dar espaço para tréplica, Taehyung segurou o rosto de Vitória entre as mãos compridas e tomou sua boca. Foi um beijo faminto, nascido da saudade de apenas um dia que parecera uma eternidade. A língua dele invadiu a cavidade quente com urgência, reivindicando cada canto, sugando seu lábio inferior com uma possessividade lasciva que fez as pernas de Vitória tremerem.
Ela gemeu contra a boca dele, enroscando os braços em seu pescoço e puxando os fios castanhos de sua nuca. A resposta imediata do corpo de Vitória inflamou o resto do autocontrole do homem. Taehyung a ergueu com força bruta e precisão, fazendo com que as pernas dela se fechassem automaticamente ao redor de sua cintura.
Sem interromper o beijo por um único segundo, ele a carregou através da penumbra até o quarto principal, chutando a porta para fechá-la.
O colchão cedeu quando ele a depositou no centro da cama, mas Taehyung não lhe deu tempo para respirar. Ele subiu por cima dela, seus olhos escuros faiscando com uma intensidade quase selvagem sob a luz fraca da lua que entrava pelas cortinas semiabertas. As mãos dele desceram febris, puxando a blusa de gola alta de Vitória por cima da cabeça dela em um único movimento decidido, jogando a peça em algum canto do assoalho.
— Tae... — ela tentou falar, a respiração entrecortada pela visão dele tirando a própria camiseta e revelando os ombros largos, as linhas definidas do abdômen e a pele dourada que brilhava suavemente no escuro.
— Cala a boca — ordenou ele em um murmúrio rouco, descendo beijos molhados pela linha de sua mandíbula até a base do pescoço. — Eu passei o dia inteiro pensando nisso. Pensando em como você ia voltar para mim.
A boca quente dele desceu com avidez pelo colo exposto, mordiscando a curva sensível de suas clavículas enquanto os dedos ágeis do cantor abriam o fecho dianteiro de seu sutiã de renda preta. Quando os seios fartos e empinados se libertaram, Taehyung soltou um gemido abafado contra a pele dela, tomando um dos mamilos túrgidos entre os lábios, chupando e acariciando com a ponta da língua até que Vitória arqueasse as costas, cravando as unhas compridas nos músculos tensos de suas costas.
— Você é tão gostosa, porra — rosnou ele em coreano, perdendo a polidez que o mundo conhecia. — Tão minha.
A safadeza na voz grave dele era o combustível mais potente para o desejo de Vitória. Ela segurou o rosto dele, puxando-o para outro beijo profundo enquanto deslizava as mãos para dentro da calça de moletom dele, envolvendo o membro rijo e pulsante que já vazava na ponta. Taehyung estremeceu violently, soltando um suspiro trêmulo contra os lábios dela diante do aperto firme e experiente.
Com movimentos rápidos e desprovidos de pudor, ele se livrou do restante de suas roupas e despiu a calça e a calcinha de Vitória.
O quarto foi invadido pelo som úmido e ritmado de corpos que se conheciam perfeitamente. Taehyung não se apressou em penetrá-la de imediato; ele desceu pelo corpo dela, beijando cada centímetro da barriga trêmula, afastando as coxas macias com firmeza. Quando a língua quente e habilidosa dele encontrou o centro da feminilidade de Vitória, ela soltou um grito sôfrego, jogando a cabeça para trás no travesseiro.
Ele a devorou com uma volúpia descarada, usando os dedos para abri-la e saborear a umidade abundante que ela produzia apenas para ele. Taehyung gemia contra o sexo dela a cada espasmo de prazer que arrancava de seu corpo, mantendo um ritmo implacável que a levou à beira do abismo em questão de minutos.
— Olha para mim — ordenou ele, subindo de volta e posicionando-se entre as pernas dela, os olhos vidrados de luxúria e algo muito mais profundo que ele não tentava mais esconder. — Olha nos meus olhos, Vitória.
Ela abriu os olhos marejados de tesão, encarando-o no mesmo instante em que Taehyung empurrou o quadril para a frente, afundando em seu interior de uma só vez, preenchendo-a até o limite.
O impacto arrancou um gemido uníssono de ambos. Vitória apertou as pernas ao redor dos quadris dele, acolhendo cada centímetro com uma avidez correspondente. A sensação de tê-lo dentro de si era quase avassaladora de tão densa; não havia espaço entre eles, não havia barreiras.
Taehyung começou a se mover com estocadas fundas, lentas e pesadas. O atrito de suas peles suadas estalava no silêncio do quarto, acompanhado pelo ranger suave da cabeceira contra a parede e pelos sussurros sujos que ele deixava escapar sem filtro.
— Isso... fode comigo desse jeito — gemia ela em português, sem se importar se ele compreendia as palavras exatas, pois o tom lascivo e a entrega de seu corpo diziam absolutamente tudo.
Taehyung acelerou o ritmo, puxando as mãos dela para entrelaçar seus dedos firmemente sobre o travesseiro. Seus rostos estavam a milímetros de distância, a respiração de um alimentando a do outro. Ele a encarava fixamente a cada estocada feroz, deixando transparecer em seu olhar não apenas a urgência carnal de um predador, mas a vulnerabilidade absoluta de um homem que estava se entregando por inteiro.
Ali, naquela cama, não existia a persona milimetricamente construída de V. Havia apenas Kim Taehyung: cru, apaixonado, possessivo e completamente à mercê daquela mulher.
O clímax os atingiu como uma tempestade violenta. Vitória contraiu-se ao redor dele em ondas convulsivas de prazer, arranhando seus ombros e gritando o nome dele com a voz embargada. A visão da entrega dela rompeu o último resquício de contenção de Taehyung; ele deu três investidas brutais e profundas antes de despejar-se dentro dela com um rugido abafado contra o pescoço perfumado, tremendo dos pés à cabeça enquanto o orgasmo consumia suas forças.
Eles desabaram juntos sobre os lençóis desfeitos, com os peitos subindo e descendo no mesmo compasso acelerado.
Taehyung não se afastou. Manteve o corpo pesado sobre o dela por longos minutos, beijando suavemente as têmporas suadas de Vitória, passando a mão pelos cabelos castanhos colados à sua testa com um carinho devocional que teria chocado qualquer um que conhecesse sua antiga fama de desapegado.
— Você me desgraçou a cabeça, sabia? — murmurou ele em inglês, apoiando-se nos cotovelos para encará-la, com um sorriso sonolento e doce no canto dos lábios.
Vitória riu baixinho, acariciando o contorno de seu maxilar definido.
— Foi você quem me trancou em um camarim, Kim Taehyung.
— Porque você ia fugir de novo — retrucou ele, beijando a ponta do nariz dela antes de finalmente rolar para o lado, puxando o edredom sobre os dois e trazendo o corpo macio de Vitória para descansar diretamente sobre seu peito.
Enquanto ouvia as batidas desaceleradas do coração dele sob seu ouvido, Vitória sentiu um aperto quente e reconfortante no peito. Ela também estava completamente envolvida. O homem que o mundo idolatrava havia se tornado seu refúgio, e a intensidade daquele sentimento a assustava na mesma proporção em que a fascinava.
Dois dias depois, no entanto, a realidade do mundo exterior fez questão de bater à porta.
Taehyung havia reservado uma sala privativa em um restaurante tradicional e extremamente exclusivo escondido nas vielas de Hannam-dong — um dos poucos locais em Seul onde celebridades de alto escalão podiam jantar sem o risco iminente de câmeras escondidas ou garçons bisbilhoteiros.
Pela primeira vez, ele convidara Vitória para acompanhá-lo em um encontro com seu círculo íntimo de amigos: Jimin e dois de seus companheiros mais antigos de fora da indústria.
No trajeto dentro da van com vidros totalmente escurecidos, Taehyung segurava a mão dela sobre o banco de couro, deslizando o polegar pelos nós de seus dedos. Ele estava visivelmente animado para integrá-la ao seu mundo real, mas o ar dentro do veículo carregava um peso sutil que nenhum dos dois precisava verbalizar.
— Eu disse a eles que você é uma amiga estrangeira — começou ele, a voz soando um pouco mais tensa do que o habitual, os olhos fixos na janela por um breve instante antes de encontrarem os dela. — Que nos conhecemos durante a turnê e que você é uma atriz incrível que veio tentar a vida aqui.
Vitória olhou para as mãos unidas e sorriu com calma, apertando os dedos dele de volta para tranquilizá-lo.
— Está tudo bem, Tae. De verdade.
— Não é porque eu quero esconder o que sinto por você — apressou-se ele em dizer, a frustração transparecendo em sua mandíbula travada. — Se dependesse de mim, eu seguraria a sua mão no meio de Myeongdong. Mas você sabe como as coisas funcionam. A Big Hit tem clausuras no meu contrato sobre escândalos de imagem pública, e as fãs...
Ele parou, engolindo em seco. O perigo não era uma ilusão exagerada; a cultura de idolatria na Coreia podia ser implacável e cruel, capaz de destruir a reputação de um artista e transformar a vida de qualquer mulher associada a ele em um pesadelo virtual de ameaças e perseguições.
— Eu sei exatamente onde estou pisando — interrompeu ela com gentileza, erguendo a outra mão para tocar o rosto dele. — Eu trabalho com atuação, Taehyung. Sei o peso de uma imagem pública e sei a loucura que cerca o seu nome. Você não precisa me justificar nada. Nós sabemos o que somos entre quatro paredes. Para o resto do mundo, eu sou só sua amiga estrangeira.
Taehyung a encarou com uma mistura profunda de alívio e admiração. Qualquer outra pessoa poderia ter armado um escândalo, exigido títulos públicos ou se sentido ofendida por ser mantida nas sombras, mas Vitória entendia o jogo com uma maturidade desarmante. Ele inclinou-se para a frente, beijando seus lábios com uma doçura carregada de gratidão.
— Obrigado — sussurrou ele contra a boca dela.
O jantar transcorreu com uma leveza surpreendente. Jimin recebeu Vitória com um abraço caloroso e aquele sorriso radiante que diminuía seus olhos a pequenos riscos, quebrando qualquer gelo inicial com brincadeiras sobre o sotaque engraçado dela ao tentar pedir água em coreano. Os outros dois amigos, acostumados com a discrição necessária na órbita de Taehyung, conversaram animadamente sobre cinema, música e as diferenças culturais entre o Brasil e a Coreia.
Vitória comportou-se com uma elegância impecável. Ela ria das piadas, opinava sobre arte com propriedade e fingia não perceber os olhares cúmplices que Jimin lançava na direção dos dois.
Porque, apesar de Taehyung apresentá-la apenas como uma "boa amiga", o corpo do cantor simplesmente não sabia mentir.
Debaixo da mesa de madeira baixa, onde todos estavam sentados sobre almofadas no chão aquecido, a mão dele encontrava a coxa dela a cada dez minutos, apertando o tecido de sua calça com uma possessividade discreta. Quando passava as travessas de carne grelhada, seus dedos demoravam uma fração de segundo a mais sobre os de Vitória, roçando sua pele com eletricidade silenciosa. E toda vez que ela soltava aquela risada aberta e melodiosa, os olhos de Taehyung se iluminavam com um brilho tão descaradamente apaixonado que qualquer pessoa com um pingo de atenção perceberia a farsa.
— Ela é ótima, Tae — murmurou Jimin em coreano rápido, inclinando-se para o ouvido do amigo enquanto Vitória se levantava brevemente para ir ao banheiro. — Mas tome muito cuidado. Você sabe o que acontece se alguém tirar uma foto de vocês dois saindo juntos daqui.
O sorriso no rosto de Taehyung vacilou ligeiramente. Ele olhou para a porta de correr por onde Vitória acabara de passar, sentindo o gosto amargo daquela realidade de vidro em que vivia.
— Eu sei — respondeu ele, a voz baixa e firme. — Mas eu não vou abrir mão dela.
No final da noite, de volta à segurança blindada da cobertura, Vitória retirou os brincos em frente ao espelho do banheiro. O reflexo mostrava Taehyung encostado no batente da porta, com os braços cruzados, observando-a com aquele olhar insondável e faminto que ela já havia aprendido a decifrar.
— Correu tudo bem, não correu? — perguntou ela, virando-se com um meio sorriso cansado.
Taehyung deu três passos lentos em sua direção, encurralando-a suavemente contra a bancada de mármore. Suas mãos subiram para segurar a cintura dela, puxando-a contra o calor de seu corpo com a urgência de quem precisava recuperar o tempo em que tivera que manter a distância social.
— Correu — murmurou ele, enterrando o rosto no vão do pescoço perfumado dela, deixando um beijo quente sobre a pulsação rápida. — Mas foi uma tortura ter que fingir que não sou louco por você na frente deles.
Vitória passou os dedos pelos cabelos dele, sentindo o peito aquecer com a confissão velada.
— Nós temos a noite toda para compensar — sussurrou ela, com a voz carregada daquela safadeza que sempre o fazia perder a cabeça.
Taehyung ergueu os olhos escuros, encontrando os dela no espelho, com o sorriso torto e perigoso de volta ao rosto.
— A noite inteira ainda vai ser pouco — respondeu ele, antes de levantar a barra do vestido dela e provar, mais uma vez, que entre quatro paredes não havia regras que pudessem aprisioná-los.