Vegdhh
O Banquete das Sombras
O salão de festas da mansão da família Grey estava mergulhado em uma opulência que Clara conhecia bem demais. O tilintar de taças de cristal, o perfume caro flutuando no ar e as risadas contidas da elite de Seattle formavam a trilha sonora de uma vida que ela tentara, sem sucesso, deixar para trás em Boston. Ela usava um vestido de seda negra que abraçava suas curvas generosas, o decote em "V" revelando o brilho discreto da pele que Christian tanto cobiçava.
— Você está deslumbrante, querida. — A voz de Grace Grey era um acalanto. A matriarca a abraçou com uma força que dizia mais do que qualquer palavra. — Senti tanto a sua falta.
— Eu também, Grace. Você está maravilhosa — respondeu Clara, sentindo o peso do anel escondido sob o tecido do vestido, batendo contra seu peito como um segundo coração.
Do outro lado do salão, o olhar de Christian estava fixo nela. Ele ignorava os convidados, ignorava os sócios e, o que era mais evidente, ignorava Anastácia Steele, que permanecia ao seu lado como uma sombra pálida. Anastácia usava um vestido rosa claro, quase virginal, que contrastava dolorosamente com a imponência madura de Clara.
— Christian, você não ouviu o que o Sr. Jones perguntou? — Anastácia murmurou, tocando o braço dele.
Christian não respondeu. Ele estava em transe, observando a forma como Clara sorria, a maneira como ela inclinava a cabeça para ouvir Grace. O desejo que ele sentia era uma fera enjaulada, arranhando as grades de sua compostura. Ele precisava tocá-la. Ele precisava reivindicá-la.
— Com licença, Ana. Preciso falar com uma acionista — disse Christian, a voz ríspida, antes de se afastar sem esperar resposta.
Clara sentiu a aproximação dele antes mesmo de ouvi-lo. O ar ao seu redor pareceu carregar-se de eletricidade estática.
— Clara. — O nome saiu dos lábios dele como uma prece profana.
— Christian. — Ela se virou, mantendo a máscara profissional. — Uma festa impecável, como sempre.
— Pare com isso — ele sibilou, aproximando-se o suficiente para que apenas ela ouvisse. — Pare de fingir que somos apenas conhecidos. Você está usando o meu anel. Eu sinto o calor dele daqui.
— Você está imaginando coisas, Christian. E você tem companhia. — Ela indicou com o olhar Anastácia, que os observava de longe com uma expressão de mágoa crescente.
— Ela não é você. Nunca será — ele disse, e a possessividade em seus olhos era tão crua que Clara sentiu os joelhos fraquejarem.
A tensão entre os dois era um incêndio prestes a sair do controle. Clara sentiu que precisava de ar, de espaço, de qualquer coisa que a afastasse daquele magnetismo perigoso.
— Preciso ir ao toalete — ela anunciou, a voz levemente trêmula.
Ela caminhou apressadamente, atravessando o corredor lateral que levava aos banheiros de luxo da ala leste da mansão. Entrou no amplo anteponto de mármore e trancou a porta principal, buscando um momento de silêncio para recompor sua máscara. Mas o silêncio durou apenas alguns segundos.
O som da maçaneta sendo forçada e o clique de uma chave mestra a fizeram congelar. Christian entrou, fechando a porta atrás de si e girando a tranca com um movimento decidido.
— Você enlouqueceu? — Clara sussurrou, o coração disparado. — A sua namorada está lá fora! Sua mãe está lá fora!
— Eu não me importo com ninguém lá fora — ele disse, avançando como um predador. — Eu passei dois anos morrendo de sede, Clara. Dois anos vendo você apenas em relatórios financeiros e fotos borradas de paparazzi em Boston.
Ele a encurralou contra a bancada de mármore frio. Suas mãos grandes e possessivas envolveram a cintura dela, puxando-a para o calor de seu corpo.
— Christian, não... nós terminamos. Você não quis o que eu tinha para oferecer.
— Eu fui um idiota — ele rosnou, mergulhando o rosto no pescoço dela, inspirando o perfume de baunilha que o assombrava. — Eu estava com medo. Eu achei que podia controlar tudo, mas a única coisa que eu não consigo controlar é essa necessidade doentia que eu tenho de você.
— Você tem a Anastácia — ela tentou dizer, mas a voz falhou quando os lábios dele encontraram o ponto sensível atrás de sua orelha.
— Ela é um eco, Clara. Você é o som original. — Ele levantou o rosto, os olhos cinzentos brilhando com uma obsessão sombria. — Diga que você não me quer. Diga que não sentiu minha falta todos os dias e eu te deixo sair por aquela porta.
Clara olhou para ele, procurando a mentira, mas encontrou apenas a mesma fome que consumia sua própria alma. Ela nunca conseguira se relacionar com ninguém em Boston porque nenhum homem tinha a intensidade dele, nenhum toque era capaz de incendiar seu sangue como o de Christian.
— Eu te odeio — ela sussurrou, as mãos subindo para os ombros dele, agarrando o tecido caro do paletó.
— Então me odeie com força — ele respondeu, antes de selar seus lábios em um beijo que carregava toda a frustração, a dor e o desejo dos anos de separação.
O beijo era selvagem, uma batalha de línguas e dentes. Christian a ergueu, sentando-a na bancada de mármore. Suas mãos subiram pelas coxas dela, levantando a seda do vestido, explorando a pele macia e generosa que ele conhecia centímetro por centímetro.
— Você ainda é tão perfeita — ele murmurou contra a pele dela. — Minha Clara. Minha esposa.
— Ex-esposa — ela ofegou, embora suas pernas já estivessem se prendendo ao redor da cintura dele, puxando-o para mais perto.
Christian não perdeu tempo com palavras. Ele desabotoou o próprio cinto e a calça, sua urgência sobrepujando qualquer protocolo ou cautela. Quando ele se posicionou entre as pernas dela, Clara sentiu o perigo iminente. Ela sabia que ele não tinha pegado nada.
— Christian... espere — ela disse, a respiração entrecortada. — Você não tem... você não está usando nada.
Ele parou por um segundo, os olhos fixos nos dela. Havia um brilho calculado em seu olhar, uma decisão tomada antes mesmo de entrarem naquele banheiro.
— Eu sei — ele disse, a voz rouca e definitiva.
— Mas e se...
— Shhh. — Ele cobriu a boca dela com a dele, abafando qualquer protesto.
Christian entrou nela com um impulso único e possessivo, preenchendo o vazio que a assombrava há anos. Clara soltou um gemido contra os lábios dele, a sensação de tê-lo ali, sem barreiras, sem proteções, era avassaladora. Era uma entrega total, um retorno ao que eles eram antes de tudo desmoronar.
Ele se movia dentro dela com uma força bruta, as mãos apertando suas curvas com uma obsessão renovada. Christian não queria apenas prazer; ele queria marcar território. Ele queria deixar algo dele dentro dela que ela não pudesse apagar, algo que a prendesse a ele para sempre, independentemente de papéis de divórcio ou cidades de distância.
— Você é minha — ele rosnou entre dentes, o ritmo tornando-se frenético. — Diga. Diga que você é minha.
— Eu sou sua... sempre fui sua — Clara admitiu, as lágrimas de prazer e dor emocional escorrendo por seu rosto.
A ideia de que ele não estava usando preservativo flutuava no fundo de sua mente como um alerta vermelho, mas o prazer era um entorpecente poderoso. Christian estava sendo deliberado. Ele sabia exatamente o que estava fazendo. O homem que antes temia a paternidade como se fosse uma sentença de morte agora parecia buscar a vida com uma ferocidade cega.
Quando o ápice chegou, foi como uma explosão que abalou as fundações de ambos. Christian se ancorou nela, despejando tudo o que sentia, toda a sua essência, sem hesitação. Ele a segurou com força, o rosto enterrado em seu ombro, a respiração pesada ecoando no banheiro luxuoso.
O silêncio que se seguiu foi carregado. Christian não se afastou imediatamente. Ele permaneceu ali, unido a ela, sentindo o pulsar de seus corações em sincronia.
— Christian — ela chamou baixinho, a realidade começando a se infiltrar. — Por que você fez isso? Você sabe que...
Ele se afastou lentamente, arrumando a roupa com uma calma que contrastava com o caos de momentos atrás. Ele olhou para ela, e não havia sinal de arrependimento, apenas uma determinação fria e possessiva.
— Porque eu cansei de viver pela metade, Clara. Eu cansei de ter substitutas.
— E a Anastácia? — Clara perguntou, ajeitando o vestido com as mãos trêmulas.
— Anastácia é uma página que eu vou virar — ele disse, aproximando-se e segurando o rosto de Clara entre as mãos. — O que aconteceu aqui hoje... isso é o nosso recomeço. Se houver consequências, nós vamos enfrentá-las juntos. Desta vez, eu não vou fugir.
Clara olhou para ele, vendo o homem que ela amava e o monstro que a controlava, ambos fundidos em uma única vontade.
— Você planejou isso — ela acusou, mas não havia raiva em sua voz, apenas uma aceitação exausta.
— Eu planejei ter você de volta. O resto... o destino decide.
Christian deu um beijo casto na testa dela, um gesto de carinho que era quase mais perturbador do que a selvageria de antes.
— Saia primeiro. Eu vou esperar alguns minutos. Nos vemos no salão, Sra. Grey.
— Eu sou Clara Park — ela tentou corrigir, mas a palavra soou vazia.
— Por enquanto — ele sorriu, um sorriso predatório que não chegava aos olhos. — Mas nós dois sabemos a verdade.
Clara destrancou a porta e saiu para o corredor, sentindo-se marcada de uma maneira que nenhum banho poderia limpar. Ela caminhou de volta para a festa, passando por Anastácia no caminho. A jovem a olhou com uma expressão de dúvida, talvez notando o brilho diferente nos olhos de Clara ou a ligeira desordem em seu cabelo.
Clara não parou. Ela seguiu direto para a saída, precisando do ar frio de Seattle para esfriar o fogo que Christian reacendera. Enquanto esperava pelo carro, ela levou a mão ao ventre, um gesto instintivo e carregado de medo e esperança.
Christian Grey jogara o dado mais perigoso de sua vida. E Clara, como sempre, era a aposta. Ele a amava com uma obsessão que não aceitava limites, nem mesmo os que ele mesmo criara. E agora, o segredo que eles compartilhavam no banheiro da mansão Grey era uma semente que poderia florescer em algo que mudaria a vida de todos para sempre.
Lá dentro, Christian observava Clara partir através da janela, as mãos nos bolsos, a expressão impenetrável. Ele sabia que ela voltaria. Ela não tinha escolha. Ele a possuíra novamente, da forma mais íntima e irremediável possível. E, desta vez, ele não a deixaria escapar, nem que tivesse que prender o mundo inteiro em uma gaiola de ouro para mantê-la ao seu lado.