Vida
Ouro, Veludo e o Pecado da Carne
O silêncio que reinava no triplex naquela noite de sexta-feira era um luxo que Emanuel pagara caro para obter. Valentina e Arthur estavam na casa de campo da família, sob os cuidados de duas babás de extrema confiança e de uma equipe de segurança privada. Pela primeira vez em meses, as paredes de mármore não ecoavam choros, disputas por brinquedos ou as farpas venenosas trocadas entre Sara e Eduarda.
Emanuel estava na varanda gourmet, observando as luzes de São Paulo. Ele vestia apenas uma calça de linho preto, os pés descalços sentindo o frio do piso. Em sua mão, um copo de cristal com um uísque envelhecido. Ele era um homem de posses, um artista que transformara dor em estética, mas ultimamente sentia-se um mediador de crises em tempo integral. Ele sentia falta do fogo. Sentia falta de ser apenas o homem, e não o pai ou o árbitro.
Ele sentia saudade do contraste visceral que suas duas mulheres ofereciam. A doçura submissa e manhosa de Eduarda, que se entregava como uma flor se abrindo ao sol, e a agressividade vulgar e faminta de Sara, que o tomava como se ele fosse uma presa.
Emanuel deixou o copo sobre a mesa de ônix e caminhou para o centro da sala. Ele havia planejado cada detalhe. O ambiente estava imerso em uma luz âmbar, quente e baixa. O ar estava saturado com uma mistura de sândalo e o perfume floral caro que ele mesmo escolhera para aquela noite.
A primeira a aparecer foi Eduarda. Ela saiu do corredor como uma visão de pureza corrompida. Usava uma camisola de seda branca, tão fina que era quase translúcida, com detalhes em renda que abraçavam seus seios médios e macios. Seus cabelos castanhos estavam soltos, caindo em ondas sobre os ombros delicados. Ela parecia tímida, como sempre, os dedos brincando com a barra do tecido enquanto caminhava em direção a ele.
— Você está linda, Duda — sussurrou Emanuel, a voz vibrando com uma antecipação sombria.
— Eu estava com saudade de ficar assim com você, Manu... sem ninguém gritando ou precisando de nós — disse ela, aproximando-se e encostando a testa no peito tatuado dele.
Antes que ele pudesse responder, o som de saltos altos batendo contra o mármore anunciou a chegada da tempestade. Sara entrou na sala como se fosse a dona do mundo. Ela usava um conjunto de lingerie de couro vermelho, justo, realçando cada curva siliconada e artificial de seu corpo escultural. A loira não tinha a timidez de Eduarda; ela exalava uma vulgaridade magnética, um convite explícito ao pecado.
— Olhe só para isso — disse Sara, parando a poucos metros, as mãos no quadril, os lábios pintados de um vermelho provocante. — O rei e sua pequena serva. Achei que essa noite seria sobre prazer, Emanuel, não sobre ninar bebês.
Eduarda encolheu-se levemente, o que só serviu para atiçar o instinto protetor e possessivo de Emanuel. Ele estendeu a mão e puxou Sara pela cintura, trazendo-a para perto, enquanto mantinha a outra mão possessivamente na nuca de Eduarda.
— Esta noite é sobre o que eu quiser — afirmou Emanuel, o tom autoritário fazendo as duas se calarem. — Eu senti falta da buceta de vocês. Senti falta de como vocês me olham quando eu as levo ao limite.
Ele sentiu o corpo de Eduarda estremecer sob seu toque e viu as pupilas de Sara dilatarem. A rivalidade entre elas, que geralmente era motivo de estresse, agora era o combustível para a tensão sexual que eletrizava o ar.
— Então por que não começa logo, querido? — provocou Sara, passando a língua pelos dentes. — Ou vai ficar só nas palavras?
Emanuel não respondeu com palavras. Ele guiou as duas para o enorme sofá de veludo cinza. Ele se sentou no centro, uma figura de poder absoluto. Com um gesto, ordenou que Eduarda se ajoelhasse entre suas pernas. A estudante de arte obedeceu, seus olhos grandes e úmidos fixos nos dele, uma devoção silenciosa que sempre o desarmava.
— Abra para mim, Duda — comandou ele.
Com mãos trêmulas, Eduarda afastou a seda branca. Emanuel sentiu o sangue latejar quando viu a vulva rosada e delicada dela, perfeitamente depilada, já brilhando com a umidade natural da excitação. Ele mergulhou os dedos nela, sentindo o calor e a maciez que tanto lhe faziam falta. Eduarda soltou um gemido baixo, manhoso, inclinando a cabeça para trás.
— Tão apertada... — murmurou Emanuel. — Senti falta desse aperto.
Sara, assistindo à cena, bufou, mas o som era carregado de desejo. Ela não aguentou ficar apenas observando. Ajoelhou-se ao lado de Emanuel, começando a morder o ombro dele, suas unhas longas arranhando levemente as tatuagens em seus braços.
— Ela é tão sem graça, Manu — sussurrou Sara no ouvido dele, a voz carregada de veneno e tesão. — Você precisa de algo que saiba como te satisfazer de verdade.
Sara desceu a mão para a calça de Emanuel, libertando o membro dele que já estava rígido e pulsante. Ela não perdeu tempo. Envolveu-o com a boca, usando a língua com uma técnica que Eduarda nunca ousaria tentar. Emanuel soltou um rosnado, fechando os olhos por um segundo enquanto era atacado pela doçura de uma e pela agressividade da outra.
— Pare — ordenou Emanuel, a voz saindo como um comando de ferro.
Ele se levantou, a ereção evidente, e pegou Eduarda pela cintura, deitando-a no sofá. A seda branca foi jogada para o lado sem cerimônia. Ele se posicionou entre as pernas dela, mas antes de entrar, olhou para Sara.
— Venha aqui. Segure as mãos dela.
Sara sorriu, um sorriso predatório. Ela se posicionou acima da cabeça de Eduarda, prendendo os pulsos da morena contra o veludo do sofá. Eduarda olhou para Sara com um misto de medo e desejo, a submissão correndo em suas veias.
— Olhe para mim, Duda — disse Emanuel, entrando nela com uma estocada lenta e profunda.
Eduarda soltou um grito abafado, os olhos revirando enquanto sentia o preenchimento total. Emanuel começou a se mover com um ritmo deliberado, cada movimento calculado para extrair o máximo de prazer daquela carne macia. Ele sentia a buceta de Eduarda se contraindo ao redor dele, implorando por mais.
— Isso... — gemia Eduarda, as unhas cravando-se nos braços de Sara, que ainda segurava seus pulsos. — Mais forte, Manu... por favor...
Sara, enquanto assistia, começou a se tocar freneticamente, seus dedos mergulhando entre suas próprias pernas, os olhos fixos no ponto onde Emanuel se unia a Eduarda. A vulgaridade de Sara era o contraponto perfeito para a pureza de Eduarda. Ela falava obscenidades, incentivando Emanuel a ser mais bruto, a tomar o que era dele por direito.
Emanuel mudou a posição, virando Eduarda de quatro. Ele a tomou por trás, as mãos apertando as nádegas dela, deixando marcas vermelhas que contrastavam com a pele pálida. Eduarda chorava baixinho, um choro de prazer absoluto, o rosto enterrado nas almofadas.
— Agora você, Sara — disse Emanuel, sua respiração pesada.
Ele se retirou de Eduarda, que ficou trêmula e ofegante sobre o sofá. Sara não precisou de um segundo convite. Ela se deitou, abrindo as pernas com uma audácia que era sua marca registrada. Emanuel entrou nela com força, sem a delicadeza que tivera com a outra. Sara gritou, um grito de triunfo e luxúria, as pernas siliconadas envolvendo a cintura dele, puxando-o para mais fundo.
— É isso! — gritava Sara, a voz rouca. — Me fode como se você me odiasse, Emanuel! Me fode como se eu fosse sua puta!
Emanuel correspondia à altura. O sexo com Sara era uma batalha, uma disputa de poder onde ele sempre vencia, mas ela lutava até o fim. Ele a golpeava com vigor, sentindo o calor excessivo e a umidade abundante dela. Eduarda, agora recuperando o fôlego, aproximou-se. Com sua natureza carinhosa, ela começou a beijar o pescoço de Emanuel, suas mãos pequenas percorrendo as costas dele, oferecendo o suporte emocional enquanto ele se perdia na carnalidade de Sara.
Era o equilíbrio perfeito. O caos e a ordem. O grito e o sussurro.
— Eu quero as duas — rosnou Emanuel.
Ele sentou-se novamente e trouxe Sara para o seu colo, de frente para ele, enquanto fazia Eduarda sentar-se sobre seu rosto, permitindo que ele a saboreasse enquanto penetrava a loira. O triplex tornou-se um cenário de corpos entrelaçados, de fluidos que se misturavam e de um prazer que transcendia a rivalidade cotidiana.
Naquele momento, não importava quem era a melhor mãe ou quem tinha a bolsa mais cara. Importava apenas a forma como a buceta de Eduarda pulsava contra a língua dele e como a de Sara o apertava enquanto ela cavalgava com fúria.
— Eu sou o dono de vocês — disse Emanuel, as mãos apertando as cinturas de ambas, mantendo-as presas a ele.
— Sim... — responderam as duas em uníssono, as vozes perdidas no êxtase.
Emanuel atingiu o ápice primeiro com Sara, despejando-se dentro dela com um rugido que pareceu estremecer os vidros da varanda. Logo em seguida, ele usou as mãos e a boca para levar Eduarda ao seu próprio clímax, sentindo a morena desmoronar em seus braços, o corpo sacudido por espasmos violentos.
O silêncio voltou ao apartamento, mas agora era um silêncio pesado, satisfeito. Os três ficaram ali, jogados no veludo, os corpos suados e brilhando sob a luz âmbar.
Sara limpou o suor da testa, olhando para Eduarda com um desdém que agora parecia apenas superficial.
— Você até que não é tão inútil na cama, mosca morta — comentou Sara, recuperando sua máscara de arrogância, embora sua voz ainda estivesse trêmula.
Eduarda deu um sorriso pequeno, encostando a cabeça no ombro de Emanuel.
— E você continua barulhenta demais, Sara.
Emanuel riu, passando os braços pelas duas. Ele sentia-se completo. O estresse acumulado das semanas de brigas e fraldas fora lavado pelo suor daquela noite. Ele sabia que, na manhã seguinte, as discussões voltariam, Valentina e Arthur trariam o caos de volta e a guerra de egos recomeçaria.
Mas naquela noite, no santuário que ele criara, ele era apenas o homem que possuía as duas mulheres mais desejadas de sua vida. Ele beijou a testa de Eduarda e os lábios de Sara, fechando os olhos enquanto sentia o calor de ambas contra si.
— Amanhã nós voltamos a ser pais — disse Emanuel, a voz carregada de uma satisfação profunda. — Mas hoje... hoje vocês foram minhas. E isso é tudo o que importa.
As luzes de São Paulo continuavam brilhando lá fora, indiferentes ao drama e à paixão que consumira o triplex. Emanuel finalmente dormiu, cercado pelo ouro de Sara e pela suavidade de Eduarda, sabendo que, apesar de todo o conflito, aquela era a obra de arte mais complexa e prazerosa que ele já havia desenhado.