Why you hate me ?
Sombras sob o Lençol de Seda
O depósito de música da Escola Anakt era um lugar úmido, cheirando a madeira velha e poeira acumulada sobre os estojos de violoncelos desativados. Sua esperou. Os minutos se arrastavam como séculos enquanto ela observava a poeira dançar nos feixes de luz que entravam pelas frestas das janelas altas. Dez minutos. Vinte. Meia hora.
O silêncio do prédio escolar vazio começou a pesar. A cada estalo do assoalho, seu coração disparava, esperando ver os fios rosa e o sorriso travesso de Mizi, mas nada acontecia. A expectativa vibrante que sentira ao ler o bilhete secreto transformou-se, gota a gota, em uma humilhação gélida.
— Ela não vem — sussurrou Sua para as paredes vazias.
A conclusão doeu mais do que qualquer insulto que trocaram no pátio. Sua saiu do depósito com passos pesados, sentindo-se a maior idiota do mundo. "É claro", pensou ela enquanto caminhava em direção ao portão, "ela é a Mizi. Ela tem mil amigos, mil compromissos, e eu sou apenas a peça de um jogo que ela provavelmente se cansou de jogar assim que o sinal tocou".
Ao chegar em casa, Sua não falou com ninguém. Passou por Ivan como um vulto e trancou-se no quarto. O choro veio sem aviso, silencioso e sufocante. Ela se encolheu na cama, abraçada ao travesseiro, amaldiçoando-se por ter baixado a guarda, por ter acreditado que o "eu te amo" de Mizi na festa de Hyuna não fora apenas um delírio provocado pela adrenalina do momento.
O relógio digital na cabeceira marcava 21:30 quando o celular vibrou sobre o colchão. Sua hesitou, limpando o rosto inchado antes de pegar o aparelho.
Mizi: "Sua, por favor, me perdoa! Tive um problema enorme, meus pais ligaram de última hora exigindo que eu fosse a um jantar de negócios com eles. Eu não consegui sair de perto nem por um segundo para te avisar. Acabei de chegar em casa."
Mizi: "Você ainda está acordada? Quer vir aqui agora? Por favor, eu preciso te ver. Vou te mandar a localização."
O coração de Sua deu um salto triplo. A raiva evaporou instantaneamente, substituída por uma ansiedade elétrica. Ela não podia simplesmente sair, não com Ivan vigiando cada passo seu como um abutre. Ela precisava de um plano.
Primeiro, discou para Hyuna.
— Alô? Hyuna? — Sua tentou manter a voz firme, apesar do tremor nas mãos.
— Sua! Aconteceu alguma coisa? — A voz de Hyuna estava animada, como sempre.
— Não, eu só... eu vou sair. Vou ficar com alguém. Mas preciso que você me cubra. Se o Ivan ou minha mãe perguntarem, eu dormi na sua casa porque íamos estudar cedo amanhã. Pode fazer isso?
Houve um silêncio do outro lado da linha, seguido por um grito abafado de empolgação.
— Ai meu Deus! A pequena Sua tem um encontro?! — Hyuna quase furou os tímpanos dela. — É o sortudo do Luka? Não, espera, ele está aqui comigo... Quem é?! Me conta agora!
— É segredo, Hyuna. Por favor, só me ajuda.
— Claro que ajudo, amiga! Vai lá e arrasa. E juízo, hein? Eu sei que você é virgem e toda sensível, então se o cara — ou a garota, né, a gente nunca sabe — for babaca, me liga que eu quebro a cara de alguém! Boa sorte!
Sua desligou, sentindo o rosto arder. Ela se arrumou rapidamente, escolhendo uma roupa simples, mas que a fizesse se sentir menos "sombra". Ao descer as escadas, encontrou Ivan jogado no sofá, comendo uma barra de chocolate e assistindo a um programa qualquer.
— Vou dormir na Hyuna — disse Sua, sem parar de caminhar em direção à porta. — Vamos estudar para a prova de literatura amanhã cedo. Avisa a mamãe se ela perguntar.
Ivan nem desviou os olhos da TV, mas um sorriso de canto surgiu em seus lábios.
— Estudar, sei. Cuidado para não se perder no caminho, irmãzinha. A noite está perigosa para garotas que sonham demais.
Sua ignorou a provocação e saiu. O ar da noite estava fresco, e o trajeto até o endereço que Mizi enviara parecia durar uma eternidade. Quando finalmente parou diante da casa, Sua perdeu o fôlego. Era uma mansão moderna, cercada por muros altos e jardins impecáveis. O tipo de lugar que gritava solidão e luxo.
Ela tocou a campainha com os dedos trêmulos. Segundos depois, a porta pesada se abriu, revelando Mizi. Ela não usava o uniforme escolar; estava com um camisetão oversized e shorts curtos, o cabelo rosa ligeiramente bagunçado.
— Você veio... — Mizi sorriu, e o brilho em seus olhos dourados foi o suficiente para desarmar qualquer resquício de mágoa que Sua ainda guardasse. — Entra, por favor.
A casa por dentro era ainda mais vasta e silenciosa.
— Meus pais estão em outra viagem de negócios — explicou Mizi, fechando a porta e guiando Sua para o andar de cima. — Eles praticamente moram em hotéis. Eu fico com a casa só para mim na maior parte do tempo. É um tédio, na verdade.
Ao entrarem no quarto de Mizi — um refúgio cheio de posters, luzes coloridas e o cheiro doce de morangos que Sua tanto amava —, Mizi finalmente parou e se virou para ela.
— Sua, me desculpa de verdade pelo que aconteceu hoje na escola. Eu me senti um lixo deixando você esperando lá.
Antes que Sua pudesse responder, Mizi a puxou pela mão e sentou-se na beirada da cama, puxando a garota menor para o seu colo. Sua soltou um arquejo de surpresa, sentindo o calor das coxas de Mizi sob as suas. Era uma posição incrivelmente íntima, algo que ela só ousara imaginar em seus sonhos mais febris.
— Tudo bem, Mizi... eu entendo — sussurrou Sua, as mãos apoiadas hesitantemente nos ombros da outra.
— Não está tudo bem. Eu queria que nosso primeiro encontro oficial fosse perfeito — Mizi murmurou, aproximando o rosto do pescoço de