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Eclipse de Inverno e Outras Chamas
O silêncio do dormitório do Sweet Salad naquela noite de sexta-feira não era apenas a ausência de som; era uma oportunidade. Com o grupo em um raro intervalo após a maratona de apresentações de "Satellite Hearts", as outras integrantes haviam se dispersado. Yuna e Nari foram visitar a família, Sora e Riku estavam em uma maratona de filmes no quarto de Haein, e Mina tinha saído para um café tardio. Ara, no entanto, alegara uma dor de cabeça estratégica que a permitiu ficar sozinha.
Ou quase sozinha.
A porta do dormitório se abriu com o som suave da senha sendo digitada. Yeonjun entrou, carregando o frio da noite em seu casaco de couro, mas com um fogo nos olhos que Ara reconheceu instantaneamente. Ele não disse nada. Apenas trancou a porta e caminhou até ela, que o esperava sentada na bancada da cozinha, balançando as pernas e tentando manter sua fachada provocadora.
— Você demorou — disse ela, a voz saindo mais baixa do que pretendia.
— O Beomgyu cismou que eu precisava ajudá-lo com um novo riff de guitarra — Yeonjun respondeu, parando entre as pernas dela e apoiando as mãos na bancada, cercando-a. — Mas eu teria atravessado Seul a pé para chegar aqui hoje.
Ele aproximou o rosto, e o cheiro de sândalo e o calor que emanava de seu corpo grande começaram a desmantelar todas as defesas de Ara. Ela estendeu a mão, tocando o peito dele, sentindo a firmeza dos músculos sob a camiseta fina. Yeonjun parecia maior naquela noite, mais sólido, uma presença que preenchia todo o espaço ao redor dela.
— Estamos sozinhos? — ele sussurrou, a voz vibrando contra os lábios dela.
— Por toda a noite — ela confirmou, passando os braços pelo pescoço dele, puxando-o para um beijo que começou como uma saudade e rapidamente se transformou em algo muito mais urgente.
Yeonjun a ergueu da bancada com uma facilidade que sempre a deixava sem fôlego. Ara era pequena, uma estrutura delicada de ossos finos e curvas suaves que pareciam ter sido moldadas para caber exatamente nos braços dele. Ele a carregou para o quarto dela, fechando a porta com o pé, selando o mundo lá fora.
Dentro do quarto, a única iluminação vinha de um cordão de luzes quentes e da lua que entrava pela janela. Yeonjun a colocou no chão, mas não a soltou. Ele a olhou com uma intensidade que fazia Ara se sentir nua mesmo antes de qualquer peça de roupa cair.
— Às vezes eu acho que você não é real, Ara — ele murmurou, as mãos grandes descendo pelas costas dela, sentindo a suavidade da pele através do tecido da blusa de seda.
— Eu sou real até demais, Junie — ela respondeu, começando a desabotoar a camisa dele.
Quando a camisa de Yeonjun caiu, Ara parou por um segundo para admirá-lo. Ele era uma obra-prima de disciplina. Os ombros largos, os braços definidos pelas horas exaustivas de dança e os abdominais esculpidos. Mas o que ela mais amava eram as pequenas imperfeições: uma cicatriz leve, o jeito como a pele dele brilhava sob a luz fraca.
— Sua vez — ele disse, a voz rouca.
Com movimentos lentos e reverentes, Yeonjun a ajudou a se despir. Quando a última peça de roupa caiu, o tempo pareceu parar. Ara sempre fora tímida sobre seu corpo, apesar de ser a center do grupo, mas com Yeonjun era diferente. Sob o olhar dele, ela se sentia poderosa. A pele dela era extremamente macia, pálida como o veludo, e suas curvas — os quadris acentuados, a cintura fina, os seios pequenos e firmes — eram um contraste absoluto com a força bruta dele.
— Você é linda — ele disse, a voz carregada de uma emoção genuína que a desarmou. — Cada detalhe seu.
— Você também — ela sussurrou, aproximando-se e colando seu corpo ao dele.
O contraste era inebriante. O calor dele contra a pele mais fresca dela, a textura firme dos músculos dele contra a maciez dela. Yeonjun a conduziu para a cama, e o que se seguiu não foi apenas um ato físico, mas uma conversa que eles não conseguiam ter com palavras. Era o amadurecimento deles sendo colocado à prova, a paciência que aprenderam e a paixão que nunca morreu.
Yeonjun era cuidadoso, tratando-a como algo precioso, mas havia uma força subjacente em cada toque seu que lembrava a Ara que ele não era mais aquele menino impulsivo de anos atrás. Ele era um homem que sabia exatamente o que queria. E o que ele queria era ela.
— Não foge de mim agora — ele murmurou entre beijos que desciam pelo pescoço dela, fazendo-a arquear as costas.
— Eu não vou a lugar nenhum — ela respondeu, enterrando os dedos nos cabelos dele, puxando-o para mais perto.
A noite avançou, mas o sono era a última coisa em suas mentes. Eles se exploraram com uma curiosidade renovada, como se estivessem se redescobrindo após uma vida inteira de separação. Yeonjun se maravilhava com a suavidade da pele dela, traçando cada curva com os lábios, enquanto Ara se perdia na sensação de ser completamente dominada e, ao mesmo tempo, ter total controle sobre ele.
Horas depois, quando a primeira luz cinzenta do amanhecer começou a tocar o horizonte, eles ainda estavam acordados, entrelaçados sob os lençóis de algodão. O suor esfriava em seus corpos, e a exaustão era um peso doce.
— Você ainda está acordada? — Yeonjun perguntou, a voz quase um sussurro, enquanto acariciava o ombro dela.
— Como eu poderia dormir? — ela respondeu, virando-se para olhá-lo. — Eu sinto que se eu fechar os olhos, você vai desaparecer e eu vou acordar em um ensaio geral de dez horas.
Yeonjun riu, um som baixo e reconfortante. Ele a puxou para o seu peito, deixando-a ouvir as batidas do seu coração, que ainda estavam um pouco rápidas.
— Eu não vou a lugar nenhum. Eu prometi, não prometi?
— Prometeu — ela admitiu, desenhando círculos no peito dele. — Sabe, eu sempre achei que ser emocionalmente fechada era minha maior defesa. Mas aqui, com você... parece que não ter defesas é a melhor coisa do mundo.
— É porque você não precisa delas comigo, Ara. Eu sou o seu escudo agora.
Eles ficaram ali, observando o quarto clarear lentamente. Yeonjun olhava para ela, para a bagunça dos cabelos escuros no travesseiro, para os lábios inchados e os olhos brilhantes, e sentia uma plenitude que nenhum prêmio ou recorde de vendas jamais lhe dera.
— A gente não dormiu nada — ela comentou, notando o sol começando a surgir.
— Podemos dormir mais tarde. Ou não dormir — ele disse, beijando a testa dela. — Temos o dia inteiro de folga, lembra?
— Yuna vai notar que você não saiu — Ara lembrou, mas não parecia preocupada. — Ela tem um sexto sentido para o seu cheiro de sândalo.
— Deixe que ela note. Eu cansei de me esconder nas sombras, Ara. Mesmo que o mundo ainda não possa saber, eu quero que as pessoas que importam saibam que eu sou seu.
Ara sentiu aquele aperto familiar no peito, mas dessa vez não era medo. Era uma aceitação profunda. Ela se inclinou e o beijou, um beijo calmo e longo que selava a noite que tinham compartilhado.
— Às vezes eu gosto tanto de você que fico meio assustada — ela disse, a frase de sempre, mas com um novo peso.
— E às vezes — Yeonjun respondeu, envolvendo-a completamente em seus braços — eu agradeço ao universo por ter me dado alguém tão assustadoramente incrível para amar.
Eles não dormiram. Em vez disso, passaram o resto da manhã conversando sobre o futuro, sobre a música "Satellite Hearts" e sobre como, apesar de serem satélites, eles finalmente tinham encontrado o planeta um do outro. Quando as outras integrantes começaram a acordar e o som de risadas e o cheiro de café começaram a preencher o dormitório, Yeonjun e Ara apenas se olharam e sorriram.
O segredo ainda existia, mas dentro daquele quarto, entre as marcas de uma noite inteira de entrega e a luz do sol de inverno, eles eram finalmente livres. E enquanto Yeonjun a abraçava, sentindo a pele macia de Ara contra a sua, ele soube que não importava o quão difícil fosse o caminho à frente, ele nunca mais deixaria aquele eclipse terminar.