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You hate me?

O Labirinto de Vidro e a Sedução do Caos

A segunda-feira amanheceu com um peso diferente sobre os ombros de Sua. O boato de que Mizi havia ficado com Lexy no refeitório de sexta-feira tinha se espalhado como um vírus, sofrendo mutações a cada boca que o transmitia. Alguns diziam que elas se beijaram no corredor; outros juravam que Mizi a levara para o depósito de materiais esportivos. A verdade — a de que Mizi apenas usara sua presença esmagadora para dar um basta no assédio — parecia ter se perdido na necessidade da escola de criar um espetáculo.

O grupo de amigos estava desfalcado naquele dia. Luka e Till haviam faltado, provavelmente para estudar para um simulado ou, no caso de Till, para evitar ver o mundo desmoronar em volta de seu amor platônico. Hyuna estava em quadra com o time de vôlei para um treino extra, e Ivan, sendo Ivan, simplesmente decidira que o dia estava bonito demais para ser gasto dentro de uma sala de aula.

Sua sentia-se à deriva. Sem a barulheira constante do grupo, o silêncio da escola parecia um zumbido desconfortável em seus ouvidos. Durante o intervalo, ela não teve dúvidas: caminhou em direção à biblioteca. Era o único refúgio onde o drama de Mizi e os sussurros sobre a sexualidade da amiga não poderiam alcançá-la. Ou assim ela pensava.

Ao entrar no ambiente silencioso e com cheiro de papel antigo, Sua caminhou até os fundos, onde as prateleiras de literatura clássica formavam um pequeno labirinto. Para sua surpresa, a mesa no canto mais escuro não estava vazia.

Mizi estava lá, escondida atrás de uma pilha de livros de arte, com a cabeça apoiada na mão e um olhar perdido.

— Então é aqui que o centro do universo se esconde — murmurou Sua, aproximando-se com passos leves.

Mizi deu um salto, os olhos amarelos arregalando-se antes de relaxarem ao reconhecer a amiga.

— Sua! Pelo amor de Deus, não me assusta assim — Mizi sussurrou, puxando a cadeira ao lado para que ela se sentasse. — Eu achei que era mais uma daquelas meninas do segundo ano querendo saber qual é o meu signo.

— Os boatos sobre você e a Lexy estão fora de controle — disse Sua, sentando-se e observando o cansaço no rosto da outra. — Estão dizendo coisas absurdas no corredor.

— Eu imagino — Mizi suspirou, jogando o corpo para trás na cadeira. — Eu nem toquei nela, Sua. Eu só... queria que elas parassem de me tratar como se eu fosse um objeto de vitrine. Mas parece que o tiro saiu pela culatra. Agora elas acham que eu sou algum tipo de predadora.

— Você foi... intensa — Sua lembrou, sentindo um calafrio ao recordar a cena. — Ninguém nunca tinha visto você agir daquele jeito.

— Às vezes eu canso de ser a "Mizi boazinha" — confessou a garota de cabelos rosa, olhando para o teto. — Mas chega de falar de mim. Esse assunto está me dando dor de cabeça. E você? Por que está aqui sozinha? Onde está o resto da gangue?

— Luka e Till faltaram. Hyuna está treinando e o Ivan sumiu. Eu não tinha para onde ir.

Mizi sorriu, um brilho travesso voltando aos seus olhos dourados. Ela se inclinou para frente, apoiando os cotovelos na mesa, aproximando-se do espaço pessoal de Sua.

— Sabe o que eu acho? — Mizi começou, a voz caindo para um tom aveludado. — Eu acho que você está muito tensa, Sua. Sempre tão séria, tão melancólica... Talvez você precisasse de uma namorada para melhorar essa sua carinha, não acha?

Sua sentiu o sangue fugir do rosto e depois voltar com força total, aquecendo suas bochechas pálidas.

— Eu não preciso de ninguém, Mizi — respondeu Sua, tentando manter a voz firme, embora seu coração tivesse começado a martelar contra as costelas. — E você sabe que eu não sou o tipo de pessoa que atrai esse tipo de atenção.

— Ah, é aí que você se engana — Mizi disse, levantando-se da cadeira de forma lenta, quase felina.

Ela caminhou para trás da cadeira de Sua e colocou as mãos sobre os ombros da garota menor. O toque era quente, firme, e fez Sua estremecer da nuca até a ponta dos dedos.

— Você vive dizendo que é invisível — Mizi continuou, inclinando-se para sussurrar perto do ouvido de Sua —, mas você não tem ideia do quanto eu te observo.

Sua sentiu uma necessidade súbita de se levantar, de fugir, mas o corpo não obedecia. Ela se levantou, tentando se afastar, mas acabou recuando até que suas costas batessem na prateleira de madeira maciça logo atrás. Mizi não recuou. Ela seguiu cada movimento, fechando o cerco até que Sua estivesse presa entre os livros e o corpo vibrante da amiga.

— Mizi... o que você está fazendo? — a voz de Sua saiu como um sopro.

Mizi colocou uma mão na cintura de Sua, puxando-a levemente para mais perto, enquanto a outra mão subiu para acariciar o rosto da garota de cabelos pretos.

— Eu estou sendo honesta, Sua — Mizi disse, os olhos amarelos agora fixos nos roxos de Sua com uma intensidade avassaladora. — Você é linda. E não é uma beleza óbvia, dessas que gritam. É uma beleza que te prende, que faz a gente querer descobrir o que você está pensando. Você é incrível, inteligente... e eu estou cansada de fingir que não percebo o jeito que você me olha desde o 9º ano.

O mundo de Sua parou. O segredo que ela guardara a sete chaves, o amor que ela julgava enterrado no fundo de sua alma, estava sendo exposto ali, entre as estantes de uma biblioteca vazia.

— Você... você sabia? — Sua perguntou, as lágrimas ameaçando surgir.

— Eu sempre soube — Mizi sussurrou, o rosto agora a milímetros do dela. — Eu só estava esperando para ver se você teria coragem. Mas já que você não tem...

Mizi não deu tempo para resposta. Ela avançou, selando seus lábios nos de Sua.

Não foi um beijo tímido ou de exploração. Foi uma invasão. Mizi beijou com fome, com uma urgência que Sua jamais esperaria da garota que sempre parecia tão leve. A língua de Mizi invadiu a boca de Sua com uma maestria que a deixou sem fôlego, dominando o espaço, reivindicando cada centímetro de sua boca.

Sua soltou um som abafado, uma mistura de surpresa e puro êxtase, enquanto suas mãos, antes hesitantes, agarravam o colarinho da blusa de Mizi, puxando-a para mais perto, como se sua vida dependesse daquele contato.

No meio do beijo ardente, Mizi mudou a postura. Ela ergueu um dos joelhos e o posicionou estrategicamente entre as pernas de Sua, pressionando-o contra a intimidade da garota menor, sobre o tecido da saia do uniforme.

O choque térmico e a pressão súbita fizeram Sua soltar um gemido contra os lábios de Mizi. Era uma sensação avassaladora, algo que ela só permitira a si mesma imaginar em sonhos febris. A pressão do joelho de Mizi era firme, ritmada, e o prazer que irradiava dali era quase insuportável.

Quando a falta de ar se tornou crítica, elas se separaram por um breve segundo, apenas o suficiente para que fios de saliva se partissem entre elas. Os olhos de Sua estavam nublados, o rosto completamente vermelho, a respiração vindo em haustos curtos.

— Mizi... — ela tentou falar, mas o desejo era mais forte.

Em um surto de desespero e necessidade que surpreendeu a própria Mizi, Sua a puxou de volta para outro beijo. Desta vez, foi Sua quem ditou o ritmo, mordendo o lábio inferior de Mizi, buscando desesperadamente por mais.

Mizi soltou um riso baixo entre os lábios, surpresa com a intensidade da amiga melancólica, e correspondeu com ainda mais força. O joelho de Mizi pressionava com mais vigor agora, forçando Sua contra a prateleira, fazendo os livros vibrarem atrás dela. O prazer estava se tornando uma névoa que nublava tudo o mais.

Quando finalmente se separaram de novo, Mizi não se afastou. Ela se inclinou, aproveitando a diferença de altura, e enterrou o rosto na curva do pescoço de Sua.

— Você não tem ideia — Mizi sussurrou, a voz rouca e carregada de desejo, enquanto distribuía beijos úmidos pela pele sensível do pescoço de Sua — de há quanto tempo eu queria te ouvir gemer assim.

Sua inclinou a cabeça para o lado, dando mais acesso, enquanto suas mãos se perdiam nos cabelos rosa e azul de Mizi.

— Você é minha, Sua — Mizi continuou, mordiscando o lóbulo da orelha dela. — Esquece os boatos, esquece a Lexy, esquece todo o resto. Aqui, agora... é só você que eu vejo.

Sua sentiu uma lágrima solitária escorrer, não de tristeza, mas de um alívio tão profundo que parecia quebrar algo dentro dela. O silêncio da biblioteca não era mais um refúgio de solidão; era o cenário do seu renascimento.

— Eu te amo — Sua sussurrou, a confissão finalmente escapando de seus lábios depois de anos de prisão.

Mizi parou por um segundo, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos roxos de Sua. O sorriso que ela deu não era o de "gente boa", nem o de "sedutora de colégio". Era algo real, quente e vulnerável.

— Eu sei — Mizi respondeu, beijando a ponta do nariz de Sua. — E eu não vou a lugar nenhum.

Ali, entre os livros antigos e as sombras do intervalo, o 3º ano deixou de ser sobre o fim de uma era. Para Sua, era finalmente o começo de tudo. E enquanto o joelho de Mizi ainda mantinha aquela pressão deliciosa e o calor de seus corpos se fundia, Sua soube que o brilho de Mizi não a cegaria mais. Agora, ela fazia parte daquela luz.