You hate me?
O Labirinto de Vidro e a Sedução do Caos
O ar na biblioteca parecia ter ficado mais escasso, carregado de uma eletricidade que fazia os pelos do corpo de Sua se arrepiarem. O joelho de Mizi ainda estava ali, firme, criando um ponto de calor insuportável entre suas pernas, uma âncora que a impedia de flutuar para longe daquela realidade inacreditável.
Sua, cujas mãos tremiam levemente, apoiou os braços nos ombros de Mizi. Ela sentia a textura do uniforme da amiga, o calor que emanava de sua pele e o perfume de morango que agora parecia muito mais inebriante. Com o rosto queimando de vergonha, mas movida por uma necessidade que superava qualquer timidez, Sua foi se aproximando lentamente. Seus olhos roxos estavam fixos nos lábios de Mizi, um convite silencioso e desesperado.
Mizi, que observava cada microexpressão de Sua com um olhar predatório e ao mesmo tempo fascinado, não a deixou esperar. No momento em que percebeu a inclinação de Sua, ela encurtou a distância.
— Você não faz ideia do que está me pedindo — sussurrou Mizi, antes de atacar os lábios de Sua novamente.
Desta vez, o beijo foi ainda mais faminto. Não havia mais a hesitação do primeiro contato; havia apenas a urgência de anos de desejo reprimido. Mizi dominava a boca de Sua com uma maestria que a deixava tonta. Enquanto seu joelho continuava a pressionar com força a intimidade de Sua sob a saia, a mão que antes repousava em sua cintura desceu com determinação.
Sua soltou um arquejo agudo quando sentiu a mão de Mizi mergulhar por baixo da prega de sua saia escolar, alcançando a curva firme de sua nádega e apertando-a com vontade. O toque era possessivo, quente e direto. Sua sentiu as pernas fraquejarem, e se não fosse pelo apoio da prateleira de livros atrás de si e pelos braços de Mizi, ela teria desabado no chão.
— Mizi... — Sua gemeu baixo, o som perdendo-se entre os lábios da outra.
Quando finalmente se separaram para buscar ar, Mizi não recuou. Ela manteve o joelho lá embaixo, garantindo que Sua continuasse sentindo cada grama de sua presença, e enterrou o rosto no pescoço da garota menor. Ela começou a distribuir beijos úmidos e mordidas leves na pele sensível, subindo até a orelha.
— Eu estou me segurando tanto para não te levar para trás daquelas mesas agora mesmo — murmurou Mizi, sua voz rouca vibrando contra a pele de Sua. — Mas o intervalo vai acabar em cinco minutos.
Sua apenas conseguia assentir, a cabeça pendida para trás, os olhos nublados pelo prazer e pela confusão sensorial.
— É melhor a gente ir para fora — disse Mizi, dando um último beijo casto no pescoço de Sua antes de se afastar relutantemente. — Se continuarmos aqui, eu não vou conseguir parar. E eu quero que a nossa primeira vez seja em um lugar melhor que o chão empoeirado da biblioteca.
Sua respirou fundo, tentando reorganizar os pensamentos e o uniforme. O coração ainda batia como um tambor em seu peito. Elas saíram da biblioteca separadas por alguns passos, mas os olhares que trocavam eram cúmplices, carregados de um segredo que mudava tudo.
O restante das aulas passou como um borrão para Sua. Ela não conseguia se concentrar em uma única palavra dos professores. Seus lábios ainda formigavam e a sensação do joelho de Mizi parecia gravada em sua memória muscular. Quando o sinal final tocou, anunciando o fim do dia escolar, o grupo se reuniu brevemente no portão.
— Alguém quer ir no fliperama? — perguntou Ivan, animado.
— Eu passo — disse Mizi, passando o braço pelos ombros de Sua com naturalidade. — A Sua e eu temos um trabalho de literatura para adiantar. Ela vai dormir lá em casa hoje.
Till estreitou os olhos verdes, parecendo desconfiado, mas o desânimo que o abatia ultimamente era maior que sua curiosidade.
— Tanto faz — resmungou ele, ajustando a alça da mochila. — Vejo vocês amanhã.
Luka e Hyuna se despediram com acenos, e logo Sua e Mizi estavam sozinhas, caminhando em direção à casa de Mizi. O silêncio entre elas no caminho não era desconfortável, mas sim carregado de expectativa. Sua estava nervosa; ela nunca tinha dormido na casa de ninguém, muito menos na da garota por quem era apaixonada desde o 9º ano.
Mizi morava sozinha em um apartamento moderno e bem iluminado. Os pais dela viajavam muito a trabalho, o que lhe dava uma liberdade que muitos invejavam, mas que Sua sabia que às vezes resultava em solidão.
— Pode ficar à vontade — disse Mizi, jogando as chaves sobre o balcão da cozinha. — Eu vou tomar um banho no banheiro do corredor. Você pode usar o da minha suíte, tem toalhas limpas lá.
— Ah, eu... eu não trouxe roupa — comentou Sua, tímida.
— Não se preocupa. Eu te empresto alguma coisa.
Minutos depois, Sua saiu do banho quente, sentindo-se um pouco mais relaxada, mas a timidez voltou com força total quando viu a roupa que Mizi havia deixado para ela: uma camiseta preta de algodão, enorme, que pertencia a Mizi.
Sua vestiu a peça. O tecido era macio e cheirava exatamente como Mizi. A camiseta ficava enorme nela, cobrindo apenas o início das coxas. Como não havia shorts que servissem nela sem cair, Sua decidiu ficar apenas de calcinha por baixo do blusão, torcendo para que Mizi não reparasse.
Ao sair da suíte, ela encontrou Mizi já vestida com um pijama de seda curto, sentada na beira da cama grande. Mizi já tinha terminado seu próprio banho no outro banheiro. Quando seus olhos amarelos pousaram em Sua, eles brilharam com uma intensidade imediata.
Sua estava ali, pálida, com as pernas finas e brancas à mostra, os cabelos pretos ainda levemente úmidos e o blusão de Mizi engolindo seu corpo pequeno.
— Vem cá — chamou Mizi, a voz suave, mas com aquele tom de comando que fazia Sua obedecer sem questionar.
Sua caminhou até ela, sentindo o tapete macio sob os pés descalços. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Mizi a puxou pela cintura, fazendo-a sentar em seu colo.
— Você fica tão linda nas minhas roupas — sussurrou Mizi, as mãos subindo pelas coxas de Sua, sentindo a pele macia. — Eu sabia que esse blusão ia ficar perfeito em você.
Sua se agarrou aos ombros de Mizi, escondendo o rosto na curva do pescoço dela.
— Eu estou com vergonha — confessou Sua em um sussurro.
— Não precisa ter vergonha de mim, Sua. Nunca.
Mizi levantou o queixo de Sua, forçando-a a olhar em seus olhos. Ela começou a beijá-la novamente, mas desta vez era diferente. Não havia a pressa da biblioteca, apenas uma exploração lenta e profunda. Sua retribuiu com a mesma intensidade, suas mãos subindo para os cabelos de Mizi, puxando-os levemente enquanto se entregava ao toque.
As mãos de Mizi continuaram sua jornada, subindo por baixo do blusão, tocando a pele das costas de Sua, descendo até a curva de sua cintura. Quando os dedos de Mizi tocaram a lateral da calcinha de renda de Sua