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You hate me?

O Labirinto de Vidro e a Sedução do Caos

O quarto estava mergulhado em uma penumbra suave, iluminado apenas pelo brilho difuso das luzes da cidade que filtravam através das cortinas finas. O silêncio era preenchido apenas pelo som rítmico das respirações apressadas. Sua sentia o calor de Mizi em cada poro de sua pele, mas quando os dedos longos e ágeis da garota de cabelos rosa tocaram a lateral da renda fina de sua calcinha, um arrepio que não era apenas de prazer percorreu sua espinha. Foi um choque de realidade.

Sua travou. Suas mãos, que antes se perdiam nos fios coloridos de Mizi, desceram rapidamente, segurando os pulsos da outra com uma força nascida do puro nervosismo. Ela sentia o coração batendo na garganta, uma pulsação errática que parecia querer escapar de seu peito.

— Mizi... espera — murmurou Sua, a voz falhando, os olhos roxos arregalados e úmidos de uma vulnerabilidade crua.

Mizi parou instantaneamente. Ela não se afastou, mas suavizou o toque, observando o rosto de Sua com uma atenção que beirava o carinho devocional.

— O que foi, pequena? Eu fui rápido demais? — A voz de Mizi era como veludo, baixa e reconfortante.

Sua baixou a cabeça, escondendo o rosto atrás da franja curta, sentindo as bochechas queimarem em um tom de escarlate que nem a penumbra conseguia ocultar. A vergonha era um peso físico.

— Eu... eu nunca fiz isso — confessou Sua, as palavras saindo em um sussurro quase inaudível. — Eu não sei nada, Mizi. Eu não sei o que fazer, não sei como agir... Eu sempre me guardei.

Ela fez uma pausa, engolindo em seco, antes de reunir a coragem que lhe restava para dizer a verdade absoluta que a corroia há anos.

— Eu sempre me guardei só para você. Mesmo quando eu achava que você nunca me olharia, que você era hétero, que eu era invisível... na minha cabeça, eu já pertencia a você. E agora que está acontecendo, eu estou com medo de estragar tudo por ser... inexperiente.

Mizi sentiu um aperto no peito. A confissão de Sua foi como um golpe de doçura e responsabilidade. Ela soltou um riso baixo, mas não era de deboche; era um som carregado de afeição e uma ponta de excitação pela pureza daquela entrega. Ela se inclinou, colando sua testa na de Sua, forçando a menor a encará-la.

— Sua, olha para mim — pediu Mizi, esperando até que os olhos roxos encontrassem os seus amarelos. — Fazer amor não é uma prova de matemática onde você precisa decorar fórmulas. É como respirar. É instintivo. É sentir o que o seu corpo pede e o que o meu corpo responde. Não existe "errado" aqui, porque sou eu e você. Só isso importa.

Mizi deslizou a mão pelo rosto de Sua, limpando uma lágrima solitária que ameaçava cair.

— Você tem certeza que quer isso agora? — perguntou Mizi, a expressão tornando-se subitamente séria. — Se você não quiser, se estiver assustada demais, a gente para agora mesmo. Eu juro. A gente pode só ficar abraçada assistindo qualquer coisa até dormir. Eu não vou ficar brava, eu prometo.

O pânico brilhou nos olhos de Sua, mas não era o pânico do ato em si, e sim o medo de perder aquele momento que ela cultivara em seus sonhos por metade de sua vida adolescente.

— Não! — Sua exclamou, apertando os pulsos de Mizi com mais força. — Não para. Eu quero... eu quero muito. Eu só... eu só sou meio boba com essas coisas. Por favor, não para.

Mizi sorriu, um sorriso que começou doce e terminou com uma centelha de perversidade nos cantos dos lábios. Ela deu um selinho demorado em Sua, um toque de lábios que prometia o mundo.

— Tudo bem, então — disse Mizi, a voz mudando para um tom mais profundo, mais rouco. — Mas fica esperta, Sua. Eu não sou tão boazinha quanto pareço na escola. Eu não vou ter pressa, mas eu vou ser tudo, menos gentil com os seus sentidos.

Antes que Sua pudesse processar o aviso, Mizi a puxou para um beijo devastador. Não havia mais a suavidade de antes. Era um beijo de posse, faminto, onde as línguas se entrelaçavam em uma dança de descoberta e domínio. Enquanto mantinha o beijo, Mizi usou a mão livre para deslizar a calcinha de renda pelas pernas de Sua. A menor, ainda sentada no colo de Mizi, sentiu a peça descer até os calcanhares, deixando-a completamente exposta sob o blusão largo.

Mizi interrompeu o beijo por um segundo, descendo para o pescoço de Sua. Ela mordeu levemente a pele ali, marcando seu território, enquanto sua mão começava a explorar a intimidade de Sua. Os dedos de Mizi apenas roçavam, traçando círculos lentos e torturantes, sentindo a umidade que provava o quanto Sua a desejava, apesar do medo.

— Você está tão pronta para mim, Sua... — Mizi sussurrou contra a pele dela, sentindo a outra estremecer violentamente.

Mizi voltou a selar seus lábios aos de Sua, abafando qualquer som que ela pudesse emitir. No meio do beijo, sem aviso prévio, Mizi inseriu dois dedos de uma vez.

O choque foi imediato. Sua se arqueou no colo de Mizi, os olhos arregalando-se enquanto um gemido agudo era abafado pela boca da outra. Ela parou de beijar na hora, a cabeça caindo para trás enquanto tentava processar a sensação de preenchimento súbito. Mizi não perdeu tempo; ela começou a mover os dedos em um ritmo rápido e forte, encontrando o ponto exato que fazia o corpo de Sua vibrar.

Sua entrou em um estado de transe e desespero sensorial. Ela sentia que estava caindo em um abismo de prazer e precisava urgentemente de algo para se segurar, mas suas mãos pairavam no ar, hesitantes. Ela tinha medo de apertar Mizi demais, vergonha de mostrar o quanto estava perdendo o controle.

Mizi percebeu a hesitação e o conflito interno da menor. Ela parou os movimentos por um segundo, apenas o suficiente para olhar no rosto transfigurado de Sua.

— Não se segura, Sua — ordenou Mizi, a voz autoritária e sedutora. — Pode se segurar em mim. Me aperta, me arranha, morde... faz o que você precisar. Eu aguento. Eu quero sentir o que eu estou fazendo com você.

Sua soltou um soluço baixo e, cedendo finalmente ao instinto, envolveu o pescoço de Mizi com um braço, enquanto a outra mão enterrou as unhas no ombro da garota de cabelos rosa. Ela escorou a cabeça no ombro de Mizi, bem perto do ouvido dela, e deixou que os gemidos fluíssem sem filtro.

— Ah... Mizi... Mizi, por favor... — Sua gemia sem parar, sons agudos, fofos e carregados de uma necessidade que ela nunca soube que possuía. Cada movimento dos dedos de Mizi dentro dela arrancava um novo som, uma nova súplica.

Mizi estava em êxtase. Ouvir Sua daquela forma, tão vulnerável e entregue sob seu comando, era melhor do que qualquer fantasia. Ela aumentou a velocidade, a mão trabalhando com uma precisão quase cruel, enquanto a outra mão apertava a cintura de Sua, mantendo-a firme contra seu corpo.

— Meu Deus, Sua... — Mizi murmurou, um sorriso pervertido surgindo em seu rosto enquanto sentia os espasmos de Sua começarem a se intensificar. — Você não tem noção do quanto esses seus gemidos são excitantes. Você soa tão fofa e tão desesperada ao mesmo tempo... eu sinto que poderia fazer isso a noite toda só para continuar ouvindo você gritar o meu nome desse jeito.

Sua não conseguia responder com palavras. Ela estava perdida em um labirinto de sensações onde a única saída era Mizi. Ela arranhava os ombros de Mizi com mais força agora, os gemidos tornando-se mais altos, mais rítmicos, conforme o ápice se aproximava.

— Mizi... eu... eu vou... — Sua tentou avisar, a voz embargada.

— Vai, pequena. Vai para mim — Mizi incentivou, intensificando o ritmo até o limite, sentindo o corpo de Sua ficar rígido como uma corda de violão prestes a arrebentar.

Sua desmoronou. O ápice veio como uma explosão de cores atrás de suas pálpebras fechadas, um calor intenso que se espalhou por cada terminação nervosa de seu corpo. Ela gritou o nome de Mizi, um som longo e melodioso que ecoou pelo quarto silencioso, enquanto seus dedos se cravavam profundamente na pele de Mizi e ela se desmanchava no colo da amiga.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som das respirações pesadas e o bater acelerado de dois corações que, finalmente, batiam em uníssono. Sua estava completamente exausta, a cabeça pesada no ombro de Mizi, o corpo ainda tremendo em tremores residuais.

Mizi a abraçou com força, beijando o topo de sua cabeça com uma ternura infinita. Ela retirou a mão lentamente, sentindo-se vitoriosa e, ao mesmo tempo, mais conectada a Sua do que jamais estivera com qualquer outra pessoa.

— Viu só? — Mizi sussurrou, a voz voltando à sua doçura habitual, mas com um novo brilho de satisfação. — Eu disse que era como respirar. E você respira muito bem, Sua.

Sua levantou o rosto, os olhos roxos ainda nublados, um sorriso tímido e genuíno surgindo em seus lábios. Ela não sentia mais medo. Ela não sentia mais vergonha. Pela primeira vez em anos, a melancolia que definia sua alma fora substituída por uma plenitude vibrante.

— Obrigada por me ver, Mizi — Sua murmurou, antes de se inclinar para um beijo calmo, o primeiro de muitos que viriam naquela noite que estava apenas começando.

O 3º ano ainda seria longo e cheio de desafios, mas ali, naquele apartamento mergulhado na penumbra, o mundo lá fora não importava. Elas tinham encontrado seu próprio ritmo, sua própria língua, e nada — nem a escola, nem os boatos, nem o passado — conseguiria apagar o brilho do que acabara de nascer entre a garota que todos amavam e a garota que só amava ela.