You hate me?
O Paraíso em Tons de Roxo e Rosa
O quarto estava mergulhado em uma névoa de calor e exaustão. O som do relógio de parede parecia distante, abafado pelas batidas pesadas do coração de Sua, que ecoavam em seus ouvidos como tambores de uma guerra recém-terminada. Ela estava deitada, os membros pesados como chumbo, a pele pálida contrastando com os lençóis escuros da cama de Mizi. O blusão preto estava desalinhado, subido até a altura do abdômen, e sua respiração ainda vinha em haustos curtos, irregulares.
Mizi, por outro lado, parecia transbordar de uma energia vibrante. Ela estava ajoelhada entre as pernas de Sua, observando a garota de cabelos pretos com um olhar que misturava adoração e um desejo que parecia não ter fim. O suor brilhava na testa de Mizi, e seus olhos amarelos cintilavam na penumbra, fixos na figura vulnerável à sua frente.
— Sua... — Mizi chamou baixinho, a voz carregada de uma doçura pecaminosa.
Sua abriu os olhos lentamente. Suas pálpebras pesavam e sua visão estava levemente embaçada. Ela tentou focar no rosto de Mizi, mas sentia que seu corpo tinha sido transformado em gelatina. Ela não tinha forças nem para formular uma frase completa.
— Você está tão linda assim, sabia? — Mizi continuou, deslizando as mãos pelas coxas internas de Sua, um toque leve que fez a menor estremecer da cabeça aos pés. — Eu sei que você está cansada. Eu sei que já fomos longe... mas eu queria usar você mais uma vez. Só mais uma. Posso?
Sua sentiu um nó na garganta. Se fosse qualquer outra pessoa no mundo, ela teria dito não. Ela teria se fechado, se escondido sob os lençóis e pedido silêncio. Mas era Mizi. Era a garota que ela amava em segredo desde o 9º ano, a luz que ela orbitava há tanto tempo. Sua nunca negaria nada a Mizi. Jamais.
Ela não conseguiu falar. Em vez disso, apenas fechou os olhos novamente e assentiu com a cabeça, um movimento sutil, mas definitivo.
Mizi sorriu, um gesto cheio de gratidão e uma possessividade suave. Com cuidado, como se estivesse manuseando uma porcelana preciosa, ela abriu as pernas de Sua um pouco mais.
Sua sentiu o ar frio do quarto atingir sua intimidade, que agora estava completamente exposta ao olhar intenso de Mizi. O rosto de Sua ardeu de vergonha; ela queria fechar as pernas, esconder-se, mas a exaustão era tanta que ela simplesmente não conseguia reagir. Ela apenas ficou ali, entregue, enquanto Mizi contemplava o que considerava ser o seu paraíso particular.
Mizi notou que a região já estava sensível e levemente inchada pelos rounds anteriores, então decidiu que não seria agressiva. Ela queria cuidar de Sua tanto quanto queria possuí-la.
— Relaxa para mim, pequena — sussurrou Mizi.
Com uma lentidão torturante, Mizi introduziu dois dedos.
— Ah... — O gemido de Sua saiu como um sopro, fraco e agudo.
Ela não tinha forças para arquear as costas ou para lutar contra a sensação. Seus olhos permaneceram fechados, e sua boca ficou levemente aberta, deixando escapar gemidos baixinhos e constantes. Suas mãos subiram até o lençol acima de sua cabeça, agarrando o tecido sem força real, apenas buscando algum tipo de âncora.
Mizi começou a se mover. O ritmo era rápido e firme, mas havia uma delicadeza intrínseca em cada movimento. Ela não disse nada pervertido desta vez; em vez disso, ela se inclinou para frente, distribuindo beijinhos suaves pelo abdômen e pelas coxas de Sua.
— Você é tão perfeita, Sua — Mizi murmurava entre os movimentos. — Tão doce. Obrigada por me deixar fazer isso.
Sua sentia que estava perdendo a consciência em meio ao prazer. Era demais. O cansaço físico misturado com a estimulação contínua criava uma sobrecarga sensorial. Quando Mizi, percebendo a reação de Sua, adicionou o terceiro dedo, a garota de cabelos pretos sentiu as lágrimas começarem a escorrer pelos cantos de seus olhos.
Não era uma dor ruim, nem era tristeza. Era apenas... muito. Era o transbordamento de anos de repressão, a exaustão de um dia que mudara sua vida e a intensidade de ser amada pela pessoa que ela mais desejava.
— Mizi... Mizi... — Sua gemia o nome dela, baixinho, quase como uma prece, enquanto as lágrimas molhavam o travesseiro.
— Eu estou aqui, Sua. Eu não vou a lugar nenhum — disse Mizi, mantendo o ritmo firme, sentindo os músculos de Sua se contraírem em volta de seus dedos.
Sua gozou sem forças. Não foi um espasmo violento como os anteriores, mas sim uma onda lenta e profunda que pareceu drenar o último resquício de energia que ela possuía. Seu corpo ficou completamente inerte sobre a cama, os dedos soltando o lençol, a respiração tornando-se um chiado suave.
Mizi retirou os dedos com cuidado e, vendo o estado de entrega total de sua amiga, sentiu uma onda de ternura avassaladora. Ela não parou por ali. Inclinando-se, Mizi usou a própria boca para limpar Sua, um gesto de intimidade extrema que fez Sua se contorcer na cama, mesmo sem forças.
— Hummm... Mizi, não... — Sua tentou protestar, a voz falhando, enquanto suas mãos subiam por puro instinto para segurar a cabeça de Mizi, ora tentando afastá-la, ora puxando-a para mais perto.
Quando Mizi finalmente terminou e se levantou, ela viu que Sua estava em um estado de quase transe. Mizi deitou-se ao lado dela, puxando o cobertor para cobri-las. Com movimentos calmos, ela virou Sua de costas, aninhando o corpo menor contra o seu, abraçando-a por trás.
Mizi enterrou o rosto nos cabelos pretos de Sua, respirando o cheiro de sabonete e suor, enquanto fazia um carinho lento em sua cabeça.
— Você está bem? — perguntou Mizi, a voz agora um sussurro calmo no ouvido de Sua.
Sua demorou a responder. Ela sentia o calor do corpo de Mizi contra suas costas, a segurança daquele abraço, e sentiu que finalmente podia relaxar de verdade.
— Estou... — Sua respondeu, a voz quase sumindo. — Só... sinto que vou dormir por três dias seguidos.
Mizi soltou uma risadinha suave e beijou o ombro de Sua.
— Pode dormir o quanto quiser. Eu vou estar aqui quando você acordar.
Sua forçou-se a virar um pouco a cabeça, tentando olhar para Mizi por cima do ombro.
— Por que eu? — a pergunta saiu antes que ela pudesse conter. — Com tanta gente na escola... por que você quis fazer isso comigo?
Mizi parou o carinho por um segundo, sua expressão tornando-se séria na penumbra.
— Porque ninguém mais me vê, Sua. Eles veem a "Mizi bonita", a "Mizi popular". Você é a única que me conhece desde o 9º ano. A única que não tenta me impressionar com papo furado. E... — Mizi hesitou, apertando o abraço. — E porque você me olha de um jeito que ninguém mais olha. Como se eu fosse a única pessoa no mundo. Eu queria saber como era ser amada por você.
Sua sentiu o coração aquecer.
— E como é? — perguntou ela, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios.
Mizi sorriu de volta, fechando os olhos e se aconchegando mais em Sua.
— É melhor do que qualquer música que eu já ouvi. É o meu lugar favorito.
Sua fechou os olhos, sentindo o peso do sono finalmente vencê-la. Ela não era mais a garota invisível da biblioteca. Ela era o lugar favorito de Mizi. E, naquele momento, isso era tudo o que importava.