O plano macabro

Parado no limiar da igreja, Fernando sentiu o peso opressivo do crepúsculo pressionando suas costas como a garra impiedosa de um destino cruel e inexorável. Seus olhos, negros e profundos como abismos sem fundo onde demônios dançavam, cravaram-se em Rosa com uma ferocidade que atravessava a penumbra sagrada da nave, cortando o ar como uma lâmina envenenada. Ali estava ela, sua amada, sua obsessão, encolhida no abraço protetor de Tadeo, com o velho Agustín como um espectro vingativo ao lado, testemunhando sua ruína. A visão o dilacerou por dentro, um espinho cravado no coração pulsante de ciúme e posse; sua esposa, marcada pelas próprias mãos dele em um ato de loucura infernal, buscando refúgio nos braços de outros homens, traindo o pacto sombrio que os unia. Mas Fernando, o pecador que carregava o inferno na alma, não era homem de fraquezas expostas; erguera a mão direita com uma lentidão calculada, removendo o chapéu de feltro preto em um gesto reverente ao templo — um ritual hipócrita que mascarava o caos devorador que rugia em seu peito, ecoando como um trovão distante em sua mente atormentada. Com passos tranquilos, mas carregados de uma tensão elétrica que fazia o ar crepitar ao seu redor, ele adentrou o recinto sagrado, o som de suas botas ressoando no piso como os batimentos de um coração condenado à danação eterna. Ao cruzar o portal, ergueu a mão novamente, traçando o sinal da cruz sobre o peito com uma lentidão teatral e blasfema — polegar na testa, no peito que ardia de fúria, ombro esquerdo, direito —, um gesto vazio que zombava da fé, pois Fernando não era devoto; sua alma era um vórtice de trevas, e ali, naquele âmbito santo, ele sentia os olhos de Tadeo perfurando-o como lanças flamejantes, desvendando a podridão corrupta que devorava sua essência, a essência do diabo encarnado que o sacerdote tanto abominava. Mas ele prosseguiu, ignorando o formigamento venenoso de ódio que subia por sua espinha como serpentes rastejantes. Ao se aproximar, Tadeo interpôs-se como um baluarte inabalável de carne, fé e fúria divina, seu corpo bloqueando o caminho para Rosa com a solidez de uma muralha erguida contra o mal. Escandón parou abruptamente, os lábios curvando-se em um sorriso sarcástico e diabólico, os dentes reluzindo como presas sob a luz vacilante das velas que tremiam como almas penadas. Inclinou a cabeça em uma saudação fingida, a voz saindo em um tom untuoso e venenoso, como se fosse o mais pio dos fiéis em uma encenação macabra. — Buenas noches, padre. As palavras destilavam ironia como gotas de fel, mas Fernando ignorou o impedimento com desdém soberano, desviando o olhar para Rosa, que se mantinha calada atrás do sacerdote, um silêncio que o apunhalava mais fundo que qualquer grito. Seus olhos verdes, outrora faróis de salvação em sua escuridão, agora transbordavam lágrimas silenciosas e acusadoras, e sua expressão era de terror absoluto — um medo visceral que o rasgava como garras invisíveis, fazendo-o questionar, em um lampejo agonizante, o monstro devorador que ele havia se tornado, o demônio que ameaçava engolir tudo o que amava. Mas ele prosseguiu, a voz baixa e possessiva, carregada de uma urgência desesperada que ecoava como um rugido contido. — Mi amor, vine a buscarte. Rosa não respondeu; apenas as lágrimas falavam por si, cascateando como rios de agonia por seu rosto pálido e fantasmagórico, um silêncio que o enfurecia como um vulcão prestes a explodir, ameaçando consumir tudo em lava de ciúme e raiva. Fernando ergueu a voz um pouco mais, o tom ganhando uma borda afiada e ameaçadora, ecoando na nave vazia como um eco de condenação. — Te estoy hablando, Rosa. Vámonos a la casa. Fora então que o padre interveio novamente, sua voz trovejando como um julgamento celestial. — De aquí Rosa no sale, Fernando. E então, como se não bastasse, o velho Agustín intrometeu-se da cadeira de rodas, sua voz trêmula mas cortante como uma lâmina enferrujada, ecoando como um presságio de ruína. — Váyase, Fernando. Ya no empeore las cosas! Fernando virou-se para ele com um olhar fulminante, os olhos flamejantes de ódio puro, o sarcasmo dando lugar a uma fúria explosiva que fazia suas veias pulsarem como rios de fogo. — Cállese, viejo. Aquí nadie le pidió su opinión. Voltando o olhar para Tadeo, Fernando endireitou os ombros com uma postura de desafio titânico, a voz baixa mas carregada de autoridade possessiva e demoníaca, como se invocasse as trevas para respaldá-lo. — Padre, Rosa es mi esposa. Y su lugar es a mi lado, en la hacienda. Rosa permanecera imóvel atrás de Tadeo, que a protegia como um escudo vivo e inquebrantável contra o abismo. O sacerdote rebateu, os olhos chamejantes como fornalhas. — Retírese ahora, Fernando! O me veré obligado a dejar el sacerdocio solo para ponerlo en su lugar! De hombre a hombre. A expressão de Escandón enrijeceu-se instantaneamente, os músculos do maxilar travando como correntes de ferro rangendo sob pressão, o rosto contorcendo-se em uma máscara de fúria contida e terror velado. Ele sabia exatamente o que Tadeo insinuava. Se o padre abandonasse o voto sagrado, os segredos de confissão — todos os crimes hediondos, as traições sangrentas, as mortes que Fernando carregava como correntes invisíveis arrastando sua alma para o abismo — seriam revelados ao mundo, e a primeira a saber seria Rosa, a mulher que ele amava mais que a própria vida amaldiçoada, mais que sua ambição devoradora e insaciável. Aquilo seria o apocalipse de seu mundo, o colapso total de tudo o que ele construíra sobre mentiras e sangue. Fernando deu um último olhar para Rosa, memorizando o medo em seus olhos como uma maldição eterna que o queimava vivo, e então voltou o olhar para Tadeo, os olhos ardendo como brasas infernais. Sem uma palavra, recolocou o chapéu na cabeça com um gesto brusco e violento, girou nos calcanhares e saiu, os passos ecoando como os tambores de uma marcha fúnebre, deixando para trás um rastro de escuridão palpável. Mas por dentro, Fernando era puro ódio, uma tempestade cataclísmica fervendo em suas veias, ameaçando transbordar em um dilúvio de violência e destruição. O ar noturno de Puebla o recebeu como um tapa gelado e cruel, e para afugentar aquela raiva que o consumia como chamas devoradoras, ele pescara um charuto do bolso interno do casaco com mãos trêmulas de fúria, acendendo-o com um isqueiro que chiou como um sibilo demoníaco. A primeira tragada foi profunda e voraz, o fumo amargo preenchendo seus pulmões como um veneno temporário, dissipando a frustração em nuvens cinzentas e sufocantes que pairavam como fantasmas ao seu redor. Caminhara pela rua empoeirada e sombria, como se estivesse sem rumo, o chapéu sombreando os olhos flamejantes, quando de repente deu de cara com uma figura esguia. Maracuyá, a famosa cantora da capital mexicana, uma visão de tentação encarnada com curvas voluptuosas delineadas por um vestido justo e pecaminoso que abraçava seu corpo como uma segunda pele, os cabelos negros encaracolados caindo como cascatas sobre os ombros, e olhos claros que brilhavam com uma malícia sedutora e perigosa. Fernando esboçou um sorriso predatório, o charuto agora entre os dedos, o ódio dando lugar a um entusiasmo calculado e voraz, como um lobo farejando presa fresca. — No lo puedo creer! Maracuyá... cuánto tiempo. — Fernando Escandón... A morena respondeu com um sorriso ladino e provocante, o jeito sexy de se vestir e comportar exalando como um perfume inebriante e proibido, aproximando-se para um abraço caloroso que o envolveu em um turbilhão de calor sensual e suavidade tentadora, pressionando seu corpo contra o dele de forma ousada e eletrizante. — Ay... qué placer verte de nuevo. Estás guapísimo! Fernando sorriu, um sorriso charmoso mas carregado de intenções ocultas, agradecendo e retribuindo o elogio com uma voz grave e hipnótica, como um feitiço sussurrado. — Gracias. Y tú estás más radiante que nunca. Escandón sabia que Maracuyá era perigosa no quesito romance — uma sereia devoradora com curvas que hipnotizavam almas perdidas e uma sensualidade que arrastava homens para abismos de prazer e ruína —, mas seu interesse não era carnal, não era o fogo pecaminoso que queimava em seu ventre; seu único desejo voraz era contratá-la para salvar La Malquerida, à beira do colapso total, da falência absoluta que ameaçava engolir seus sonhos ambiciosos. Ela seria a estrela flamejante que atrairia multidões enlouquecidas, a salvação em forma de voz aveludada e movimentos hipnóticos. Gentilmente, mas com uma firmeza possessiva, ele a envolveu pelo braço, guiando-a na mesma direção que seguia, enquanto tragava mais do charuto com avidez, o fumo dançando como espíritos invocados. — Pero dime, qué haces aquí? Levada pela conversa envolvente e magnética, Maracuyá seguiu com o maior, respondendo com um tom casual mas carregado de mistério sedutor. — Bueno, solamente estoy de vacaciones, y claro, para ver a unos amigos. Enquanto caminhavam em direção a La Malquerida, sob o céu noturno que parecia conspirar contra ele, Fernando continuou, a voz baixa e persuasiva como um pacto demoníaco. — Hum... pues tengo una propuesta irresistible para ti. — Ah, sí? Y de qué se trata? Maracuyá respondeu com o mesmo tom manhoso e sensual, os olhos brilhando como estrelas caídas. Sem perceber, já adentravam o negócio de Fernando, o salão principal com seu ar enfumaçado e decadente, o balcão polido refletindo luzes tênues e trêmulas como almas perdidas. Escandón aproximou-se de uma mesa com ela, cavalheiro mas com uma urgência velada, puxando a cadeira para a morena se sentar com um gesto que ecoava galanteria antiga. Logo chamou um dos barmans que organizava bebidas com mãos nervosas. — Mateo, una tequila. Sentou-se em frente a ela, ainda tragando o charuto com fúria contida. Rapidamente, o barman trouxe uma garrafa da melhor tequila e dois copos, o líquido âmbar brilhando como ouro líquido sob a luz fraca. Fernando abriu a garrafa com cautela calculada, enchendo ambos os copos, servindo Maracuyá primeiro com um olhar quase cortante. Ela o correspondeu, olhando-o com um olhar penetrante e provocador, deixando escapar um "uau" seguido de uma risada breve e sexy que ecoou como um chamado irresistível. Fernando sorriu e virou o shot de uma vez, sentindo o fogo alcoólico descer pela garganta como lava purificadora. Enquanto ele se servia mais uma dose, Maracuyá virou o seu com graça felina. Sem delongas, Fernando começou a falar, dando início a proposta em mente, a voz confiante e envolvente como uma teia de aranha tecida para capturar. — Mi querida Maracuyá... Te quiero en mi negocio. Te haré una estrella sin fronteras, que brille como solo tú puedes. Maracuyá, com seu jeito encantador e perigoso, hesitou com um sorriso tentador. — Ay, no sé si sea una buena idea... Fernando encheu o copo dela novamente, e sua mão repousou sobre a dela, acariciando com uma intensidade que queimava, os olhos fixos nos dela como âncoras em um mar de desejos. — Por favor... es una oportunidad para que te conviertas en algo aún más grande de lo que ya eres, para conquistar dimensiones fuera de lo común. Escandón tinha uma boa lábia, uma língua afiada como uma espada forjada no inferno, e sabia que com aquilo e algumas doses de tequila flamejante, conseguiria o que queria, dobrando a vontade dela como um vendaval dobra árvores. A morena o olhou, retribuindo a carícia na mão dele com unhas que arranhavam levemente, enviando choques elétricos por sua pele. Após uma pausa carregada de tensão sensual, ela deu a resposta que ele tanto ansiava, como um troféu conquistado em batalha. — Está bien, acepto. Pero si en tres meses no tengo un buen retorno, me voy, sí? — Te lo garanto que no te arrepentirás. Respondeu em um tom de voz vitorioso. Em seguida de um sorriso de contentamento triunfante no rosto, enquanto ela virava a segunda dose, olhando-o sobre o copo com aqueles olhos claros e provocadores que prometiam paraísos proibidos. Maracuyá era uma ótima distração e companhia, um bálsamo temporário para a tormenta em sua alma. Fernando ficou ali por horas intermináveis, conversando e gargalhando com ela em risos estrondosos que ecoavam no salão vazio, o charuto esquecido em um cinzeiro fumegante, a tequila fluindo como um rio de fogo e esquecimento que ameaçava afogá-lo. Contou sobre a nova vida atormentada, sobre o que acontecera depois que ela deixara o povoado meses atrás em uma nuvem de mistério. Falou de Rosa, o quanto a amava com uma paixão devoradora e insana, mas que não a merecia. As palavras saíam entre goles vorazes e mais goles, a garrafa esvaziando-se até o fim em um vórtice de confissões embriagadas. Fernando havia bebido praticamente tudo, o álcool nublando sua mente como uma névoa tóxica, transformando a frustração em uma neblina quente, confusa e alucinante que girava como um furacão interior. Ao notar o estado de Fernando — os olhos vidrados e injetados como os de um possesso, os movimentos lentos e descoordenados como os de um titã caído, o riso que se tornava um resmungo gutural e desesperado — , Maracuyá trocou um olhar preocupado com o barman. Foi então que apareceu Efraín, sua mão direita no negócio, um homem robusto e leal com olhos atentos e sombrios como sentinelas da noite. — Está pasado de la raya. No creo que pueda manejar así. Disse a morena com tom preocupado. Mas Fernando ouvira, e com dificuldade extrema, completamente embriagado e perdido em um abismo alcoólico, balbuciou, a voz arrastada e pastosa como melado grosso, os olhos semicerrados lutando para focar em um mundo que girava loucamente ao seu redor. — No estoy borracho... Que traigan otra botella! Rosa... te amo con toda mi alma maldita... vuelve a mí, por Dios, vuelve antes que el infierno me trague entero! Ele gesticulava descoordenadamente e selvagemente, o corpo tombando para o lado na cadeira como um navio afundando em tempestade, o chapéu escorregando para trás e revelando cabelos desgrenhados, o rosto contorcido em uma máscara de agonia e delírio. Sua mão tateava o ar como se buscasse fantasmas invisíveis, os dedos tremendo violentamente como folhas em vendaval, e repetia o nome de Rosa em um lamento embriagado e dilacerante. A voz quebrando em soluços secos e roucos que ecoavam no salão vazio como ecos de um coração partido, misturando-se ao cheiro opressivo de álcool, fumo estagnado e desespero palpável. Efraín aproximou-se, erguendo Fernando da cadeira com firmeza hercúlea, ajudando-o a ficar de pé, os braços fortes sustentando o peso vacilante e instável como um gigante carregando um caído. — Vámonos, patrón, te llevo a casa. Escandón, embriagado até o âmago da alma, delirava em frases desconexas e atormentadas, perguntando por Rosa com uma obsessão febril. — Dónde está Rosa? ¡La necesito! Ella es mi salvación, mi condena! Efraín, com a ajuda de Maracuyá, carregaram Fernando, que dava passos cambaleantes e desastrosos, tropeçando nos próprios pés como um condenado arrastado ao cadafalso, o corpo pesado como chumbo derretido, murmurando incoerências sobre amor eterno, demônios internos e perda irreparável que ecoavam como maldições. Com cuidado tenso, ambos colocaram-no no banco do carona da camionete estacionada na frente, o corpo dele desabando contra o assento como um colosso derrubado, a cabeça pendendo para o lado em um ângulo patético. Efraín sacou as chaves do bolso da calça de Fernando e adentrou no lado do motorista, dando partida no veículo com um ronco que soava como um rugido de fera despertada. Enquanto dirigia pelas ruas escuras de Puebla, Fernando continuava a balbuciar frases sem contexto. — Rosa... no me dejes solo... te amo más que a la vida, más que al infierno que me espera! Por... por... fav... A voz sumindo em resmungos sonolentos e agonizantes, o álcool finalmente vencendo a luta feroz contra a consciência, arrastando-o para um abismo negro de sonhos atormentados. ... Não tardou muito para que finalmente chegassem a San Agustín. Efraín adentrou com Fernando apoiado nos ombros na vasta fazenda, o peso do patrão como um fardo vivo e instável de culpa e excessos, os passos ecoando no pátio como os de um fantasma carregando sua própria cruz. — Ayuda! Chamou os empregados com uma voz baixa mas urgente, carregada de tensão. Mais que depressa, Eva apareceu na sala principal, correndo em direção a ambos com uma cara assustada e horrorizada, os olhos arregalados refletindo a luz fraca das lâmpadas como espelhos de pavor. Ela ajudou Efraín, passando o outro braço de Fernando sobre seus ombros estreitos e trêmulos. — Por Dios, que pasó? Dónde está la señora Rosa? — No sé, señora. Solo lo encontré así en un bar. Está muy mal! Com a ajuda de Eva, Efraín subiu as escadas com Fernando, que a essa altura resmungava já sonolento em lamentos guturais, as palavras ininteligíveis misturando-se a roncos pesados como trovões distantes. Ruth, a inquilina indesejada, que percorria o corredor como uma sombra noturna e maligna, parou e se escondeu atrás de uma coluna, observando a cena de longe com olhos calculistas e flamejantes de oportunidade vingativa, o coração pulsando com uma mistura explosiva de oportunismo e ódio mortal por Rosa. Ao adentrarem no quarto do casal, ambos o colocaram sobre a cama, o corpo de Fernando desabando como um titã derrotado em batalha épica, os braços espalhados em desordem, a respiração pesada e alcoólica preenchendo o ar como um veneno sufocante. — Dios... Algo debe haber pasado entre él y la señora Rosa, por eso está en este estado. Disse Eva, preocupada e com voz trêmula de apreensão. Efraín se manteve calado, apenas olhando para Fernando que se pegara no sono profundo como um abismo sem fim. Sem mais delongas, Eva o agradeceu com gratidão apressada, dizendo que deixaria o patrão descansar. A governanta por fim acompanhou Efraín até a sala. E então ele foi embora, deixando a fazenda imersa no silêncio opressivo da noite, um silêncio carregado de presságios sombrios. Parada no mesmo lugar, após ver Eva e o desconhecido deixarem o quarto, Ruth moveu-se com passos leves e cautelosos como os de uma pantera negra à caça, o coração acelerado como um tambor de guerra anunciando vingança. Com a perspicácia predatória e astuta, tocou a maçaneta com dedos trêmulos de excitação maligna, olhando novamente ao redor antes de adentrar o âmbito particular, o ar carregado de tensão como antes de uma tempestade devastadora. Ao notar o silêncio absoluto no corredor, mais que depressa ela adentrou no quarto, fechando a porta atrás de si com um clique suave mas definitivo, como o de uma armadilha mortal se fechando sobre sua presa indefesa. O que viu era Fernando Escandón em um sono profundo e vulnerável, completamente embriagado e cheirando a álcool, tabaco e suor — o homem que outrora fora seu amante ardente e cúmplice em pecados inconfessáveis quando era casado com Gabriela, o homem que a prometera herança, terras e um futuro de poder em troca de sua lealdade venenosa e silêncio sobre seus crimes hediondos, mas que a traíra cruelmente ao se apaixonar por Rosa, e abandonando-a como um trapo usado. Agora, ali jazia ele, exposto e frágil como um rei destronado, o peito subindo e descendo em respirações irregulares e pesadas, os lábios entreabertos exalando o hálito acre da tequila como um sopro do inferno, no torpor alcoólico, um corpo que outrora a fizera tremer de desejo mas agora servia como arma em sua guerra pessoal. Ruth sentiu uma onda avassaladora de triunfo misturada a um ódio venenoso e incendiário por Rosa — aquela intrusa odiosa que roubara tudo; a paixão possessiva de Fernando, a estabilidade da fazenda que Ruth reivindicava como sua por direito de sangue e chantagem. Agora, com Rosa ausente em sua fraqueza e Fernando indefeso como uma vítima oferecida em sacrifício, era a oportunidade perfeita, o momento divino de semear a discórdia eterna, de criar uma ilusão devastadora que destruiria o que restava daquele casamento frágil e amaldiçoado, despedaçando o coração de San Román em fragmentos irreparáveis. Seus olhos, escuros e calculistas como poços de maldade pura, percorreram o quarto iluminado apenas pela luz fraca e espectral de um abajur; a cama de casal com lençóis amassados e impregnados de memórias traidoras, o cheiro de perfume feminino de Rosa ainda pairando no ar como um fantasma acusador, os objetos pessoais espalhados na penteadeira de mogno — um anel de casamento na mesinha de cabeceira brilhando como uma ironia cruel, uma fotografia do casal em um porta-retratos prateado que ela ansiava estilhaçar. Ruth sorriu para si mesma, um sorriso frio, malicioso e diabólico, sentindo o pulso acelerar com a excitação da vingança consumidora, um fogo que queimava em suas veias como ácido corrosivo. Ela se aproximou da cama devagar, os passos silenciosos no tapete como sussurros de conspiração. Fora então que sem hesitar, ela inclinou-se sobre Escandón com uma lentidão predatória, o rosto dele relaxado no sono mas marcado por linhas de tormento, os cabelos escuros desgrenhados caindo sobre a testa suada e febril. Ruth estendeu a mão, os dedos finos e ágeis tocando primeiro o colarinho da camisa dele, sentindo o calor da pele por baixo como um eco de paixões passadas agora distorcidas em ódio. — Pobre Fernando, mi diablo caído. Murmurou para si mesma em um sussurro inaudível e venenoso, a voz carregada de falsa piedade misturada a um desejo antigo e rancoroso que fervia como um caldeirão de uma bruxa. — Tan solo... tan débil sin su preciosa Rosa. Com delicadeza calculada e maligna, desabotoou o primeiro botão da camisa com unhas que tremiam de excitação, depois o segundo, revelando o peito largo, o peito que outrora ela possuíra mas que agora serviria como tela para sua arte de destruição. Fernando murmurou algo incoerente no sono, um resmungo atormentado sobre Rosa que soou como uma maldição, mas não acordou; o álcool o mantinha preso em um abismo profundo e impenetrável, o corpo inerte como argila nas mãos manipuladoras dela, pronto para ser moldado em uma armadilha fatal. Ruth continuou, as mãos agora mais ousadas e invasivas, desabotoando o resto da camisa e abrindo-a completamente com um puxão dramático, expondo o torso nu e vulnerável, os músculos relaxados mas ainda imponentes, a pele morena contrastando com os lençóis brancos como um contraste de inocência e pecado. Ela sentiu uma pontada aguda de desejo residual — não amor puro, mas o eco distorcido de uma paixão possessiva e tóxica que Fernando havia traído ao escolher Rosa, abandonando-a para o vazio —, mas o ódio por aquela mulher era mais forte, um furacão que guiava cada movimento como um script de vingança épica e impiedosa. Ruth inclinou-se mais, o rosto próximo ao dele em uma proximidade sufocante, inalando o cheiro forte e nauseante de álcool, suor e desespero. Ela pressionou os lábios contra os dele em um beijo lento, deliberado e profano, a boca macia moldando-se à dele com fome voraz, a língua traçando levemente os contornos como uma serpente explorando, saboreando o gosto amargo da tequila misturado ao sal de lágrimas invisíveis. Fernando não respondeu conscientemente, mas no sono profundo e turbulento, seu corpo reagiu instintivamente com um leve tremor convulso, um suspiro gutural escapando como um gemido de alma penada, como se em sonhos alucinados confundisse o toque com o de Rosa, traindo-se em sua própria fraqueza. Ruth prolongou o beijo com sadismo, as mãos agora deslizando pelo peito dele com unhas afiadas, arranhando de leve a pele em linhas vermelhas que sangravam levemente, deixando marcas sutis mas acusadoras que poderiam ser interpretadas como paixão selvagem, não como a manipulação cruel de uma mulher vingativa. Satisfeita com o beijo que selava sua traição encenada, ela se endireitou com um suspiro triunfante, os olhos brilhando com malícia infernal como estrelas caídas no abismo. Agora, para tornar a cena convincente e devastadora, Ruth tirou as botas dele com cuidado calculado mas impiedoso, uma de cada vez, o couro rangendo levemente como um lamento abafado, colocando-as ao pé da cama de forma desordenada e caótica, como se tivessem sido arrancadas às pressas em um momento de urgência pecaminosa e descontrolada. Em seguida, desabotoou a calça com dedos hábeis e trêmulos de excitação vingativa, abrindo o cinto e o zíper com um som metálico que ecoou como um sino fúnebre, puxando o tecido para baixo com lentidão torturante, revelando as pernas musculosas e marcadas, a cueca simples exposta como uma vulnerabilidade final. Fernando resmungou novamente, virando-se ligeiramente no sono com um gemido de agonia subconsciente, mas permaneceu inconsciente, o corpo pesado e entregue como uma oferenda ao altar da traição. Ruth dobrou as roupas dele e as jogou no chão ao lado da cama com desdém, espalhando-as de modo a sugerir um encontro apaixonado e tempestuoso — a camisa aberta como asas de um anjo caído, a calça amontoada como ruínas de uma batalha perdida, o chapéu tombado sobre uma cadeira próxima como uma coroa derrubada. Para selar a ilusão catastrófica e irreversível, Ruth despiu-se ela mesma com uma lentidão dramática. Peça por peça caindo aos pés em um sussurro de tecido traiçoeiro como uma pele de serpente sendo trocada, revelando a lingerie simples mas provocante que usava por baixo, o corpo curvilíneo e maduro exposto ao ar fresco do quarto como uma arma afiada e letal. Ela sentiu um arrepio de excitação vingativa percorrer sua espinha como um raio, imaginando o rosto de Rosa ao descobrir aquela cena na manhã seguinte; o marido nu e profanado na cama, ao lado de sua ex-amante odiada, o cheiro de álcool misturado ao perfume dela como um veneno sutil, as marcas de beijos e arranhões como provas irrefutáveis e sangrentas de adultério, um golpe mortal no coração de San Román. Com um sorriso triunfante e sádico, Ruth subiu na cama devagar, o colchão afundando levemente sob seu peso como terra cedendo a um sepulcro, posicionando-se ao lado de Fernando com uma intimidade forçada. Uribe se aninhou contra o maior com possessividade venenosa, jogando o braço dele casualmente sobre sua cintura como se ele a tivesse puxado para si em um abraço de amantes perdidos, a perna dela entrelaçada à dele em um emaranhado de corpos que gritava traição e escândalo. Os corpos entrelaçados em uma pose íntima e condenatória que ecoava como um grito silencioso de vingança. Seus cabelos espalharam-se pelo travesseiro dele como tentáculos de uma medusa. Ruth se manteve ali, o coração batendo forte e selvagem com a adrenalina da malícia consumidora, o ódio por Rosa fervendo como veneno letal em suas veias, um elixir que a embriagava mais que qualquer tequila. Ela não faria sexo — não precisava, pois a aparência bastava para incendiar o inferno; a ilusão seria o punhal que cravaria no peito de Rosa, sangrando o amor deles até a morte. Fernando, perdido no sono alcoólico e atormentado, não tinha noção do que acontecia, sua mente vagando em sonhos turvos e caóticos de Rosa, demônios vorazes e uma redenção impossível que se dissipava como fumaça. O quarto mergulhou no silêncio opressivo, interrompido apenas pela respiração pesada e irregular dele e pelo tique-taque distante de um relógio que contava as horas até o amanhecer catastrófico, enquanto Ruth velava sua vingança com olhos abertos e flamejantes, esperando o nascer do sol que traria o caos absoluto, a ruína total e o fim de tudo. Continue essa cena, em terceira pessoa na perspectiva de Fernando. Comece a escrever na manhã do dia seguinte, onde finalmente Fernando desperta ao lado de Ruth; a mulher que um dia ele sentira enorme desejo e a qual fora sua cúmplice em seus planos perversos. Mas agora o que ele apenas sentia era repulsa, pois seu verdadeiro amor era Rosa San Román, a primeira e única mulher que ele amara em sua vida, apesar que o destino e suas próprias atitudes o tentassem separar. Que ele desperte aos poucos, sem abrir os olhos, apenas apalpando o corpo ao seu lado pensando ser Rosa, Fernando a acolhe mais em si, até que abre os olhos lentamente e vê a figura esguia ao seu lado, a cabeça com cabelos negros pairava sobre seu peito; era Ruth. Fernando dera um sobressalto afastando-se da morena, confuso em como aquilo era possível, porque e como Ruth havia parado ali, na cama que era dele e de Rosa. Ruth perversa, o olhara com malícia e dissera um "Buenos dias, mi amor" e logo um sorriso ladino se formara nos lábios venenosos dela. Enquanto isso, do lado de fora do quarto, subindo as escadas que daria ao quarto do pai, Luisito corria em direção ao cômodo, fugindo de Eva que o tentara alcançar. Luisito tinha na mente brincalhona ir até o pai, cobrá-lo, pois o mesmo havia dito que naquela manhã o levaria para ensinar a montar. Eva por sua vez, conhecendo o patrão, corria atrás do garoto, afim de impedi-lo a acordar Fernando, pois sabia bem da situação do homem na noite anterior e despertá-lo seria um tanto inconveniente. Eva chamava por Luisito, dizendo para que ele parasse. Mas havia algo que Eva não sabia, mas estava prestes a descobrir. Luisito corria deliberadamente, ignorando Eva. O menino então mais que depressa tocara a maçaneta do quarto do casal e sem delongas abrira a porta e adentrara. Eva chegara logo atrás em seguida. Sua reação foi perplexa, o que a deixara quase sem palavras, exceto pelo "Santo Dios" que escapara dos lábios da governanta. Sua reação em cobrir com as mãos os olhos do menino foi imediata. Fernando ficara surpreso, ainda tentando compreender a situação embaraçosa em que se encontrava. Ruth olhara para Eva com um semblante de triunfo esculpido, enquanto Eva com seu olhar lacrimejante e a boca entreaberta engolira em seco, dando alguns passos para trás, levando consigo Luisito que seguia poupado de ver e assimilar tal situação. Eva rapidamente saira do limiar da porta, fechando-a e levando consigo o menino, ainda em choque, o distraindo com que o levaria para ver os cavalos, afim de contornar a situação. Fernando então agarrara os lençóis e logo se levantara envolto a eles, incrédulo e logo disparara a Ruth que demônios ela fazia ali. Ruth rira e dizia que não era assim que ele a tratara durante a noite. A mesma então deslizara as mãos finas pelo próprio busto nu, dizendo que aquela havia sido a melhor noite de paixão que ele tiveram. Fernando aos nervos a flor da pele berrara para ela dizendo que ela estava mentindo. Que ela era uma maldita harpia. Furioso ele avançara até a morena, sua mão forte envolvendo o pescoço fino e alvo de Ruth com força bruta, o suficiente para que os olhos delas se arregalassem de imediato. Fernando estava cego pelo ódio, pois conhecendo Ruth como somente ele conhecia, sabia que ela estava tramando. Ele então disparara perguntando o que ela fizera. Ruth começara a mudar de cor, o rosto ficando vermelho, já não podia respirar. Fernando então a soltara, empurrando-a de volta ao colchão. Ofegante pela raiva que o consumia, Fernando dera as costas para ela, seus pensamentos conturbados estavam a um milhão por hora, mas Rosa era seu ponto fixo, uma âncora a realidade. Ruth recuperava o fôlego e tossia enquanto tentava se recompor. Logo ela dissera a Fernando que juntos eles poderiam ser mais, poderiam ser mais fortes e donos de tudo, e que Rosa era fraca, uma inútil sentimental. Fernando ficara em silêncio, apenas sua respiração pesada pairava no ar. Ruth então continuava, em tom de quase desespero, afim de convencê-lo. Ela dissera que poderiam se livrar juntos de Rosa e assim como os demais, ninguém saberia de nada e que ela já tinha tudo planejado. Aquelas palavras atingiam Fernando como um disparo a mão armada, seu sangue fervia em suas veias, as mãos fechadas em punhos e a vontade aguçante de acabar com Ruth ali mesmo. Mas, mesmo naquele caos, Fernando teria que agir com cautela calculada, ele seria frio, agiria com seu lado mais sombrio e perverso; se vingaria do inimigo, fazendo-o acreditar em sua palavra, mas como uma serpente no momento exato ele daria o bote final, sem escapatória. Em com Ruth não seria diferente. A mente perversa de Fernando Escandón tramara algo. Fernando então quebrara o silêncio, virando-se para Ruth, sua expressão era de perigo disfarçado, um sorriso ladino diabólico nos lábios. Ruth logo entendeu, e dera um sorriso largo. Fernando então dissera a ela que ela tem razão, que Rosa apenas seria um atraso de vida. As palavras soaram tão convincentes que Ruth se deixara enganar. Fernando quando tramara algo maligno em sua mente, era um expertise em atuar, que até mesmo o próprio diabo o aplaudiria. Mas por dentro seu coração estava apunhalado pela dor, por dizer aquelas palavras, mas a dor se transformara em algo maior: vingança. Ruth então, erguida de joelhos sobre o colchão, o abraçara e logo o beijara com loucura infernal avassaladora. Fernando a correspondera, aliás, era parte de todo um plano e tudo teria que soar convincente. Descreva tudo com riqueza de detalhes, nas ações, expressões, atos, pensamentos. Entregue-me uma cena impecável, como se fosse escrita por um autor best-seller. Use palavras e expressões certas. Use meus comandos e os aperfeiçoe para gerar uma cena impecável. Que seja uma cena extensa, longa, com máximo de caracteres. Use uma forma de escrita bem explicada, retratando os sentimentos e estado do personagem (FernandoEscandón). Não poupe detalhes. Vocabulário rico e frases complexas. Explore a criatividade e melhore a cena como melhor for. Não poupe detalhes em descrever sensações, sentimentos, ações e ambiente (ambientação). Use escrita narrativa descritiva. Deixe tudo convincente aos olhos e entendimento do leitor. As falas devem ser em espanhol, de Fernando e dos demais personagens citados.

Personagens

Fernando Escandón