Entre a morte e ódio

Resumo — S/N e Negan (depois da guerra contra Alpha) No começo, tudo entre S/N e Negan era puro ódio. Ela nunca esqueceu tudo o que ele fez. As mortes, o medo que espalhou, o jeito cruel como tratava as pessoas como peças de um jogo. Para S/N, Negan era um lembrete vivo de tudo que havia destruído o grupo. Mesmo depois de ajudar na guerra contra Alpha, ela se recusava a confiar nele. Cada vez que ele se aproximava, S/N reagia com frieza, sarcasmo ou ameaça. Não importava o quanto ele parecesse diferente; para ela, monstros podiam aprender a usar máscaras. Negan, por sua vez, provocava como sempre. Comentários irritantes, aquele sorriso debochado, a insistência em testar a paciência dela. Mas havia algo diferente: ele já não fazia aquilo para intimidar. Fazia porque gostava de arrancar qualquer reação dela. E isso só a irritava mais. Porque, com o tempo, S/N começou a perceber pequenas coisas que não queria notar. O jeito como ele a observava discretamente para ter certeza de que estava bem depois de uma patrulha difícil. Como aparecia sem dizer nada quando ela precisava de ajuda. Como, pela primeira vez, parecia carregar arrependimento real. E S/N odiava isso. Odiava sentir a raiva enfraquecer. Odiava perceber que por trás da arrogância existia alguém quebrado. Odiava o fato de que, às vezes, perto dele, ela se sentia compreendida de um jeito que ninguém mais conseguia. Porque S/N também estava quebrada. A guerra contra Alpha deixou marcas profundas nela. Mais silenciosa, mais distante, mais cansada. As perdas abriram feridas antigas e a culpa parecia consumir tudo. Havia noites em que ela mal conseguia respirar sem lembrar de quem não conseguiu salvar. Ela escondia isso de todos. De Maggie, porque não queria preocupá-la. De Carol, porque sabia que ela entenderia demais. De Daryl, porque ele enxergaria a verdade sem que ela precisasse dizer. Mas Negan via mesmo assim. E isso a assustava. Ele reconhecia nela a mesma escuridão que carregava dentro de si. Não tentava consertá-la, não oferecia discursos vazios, não exigia que ela fosse forte o tempo todo. Ele apenas ficava ali. E pela primeira vez em muito tempo, S/N não precisava fingir. Foi assim que o ódio começou a mudar. Não de forma bonita. Não rápido. Não fácil. Foi uma guerra silenciosa dentro dela: lutar contra a atração, contra a culpa, contra a memória de tudo que ele tinha feito. Parte dela queria se afastar para sempre. Outra parte queria descobrir se pessoas destruídas ainda podiam encontrar algo verdadeiro. E isso era o que mais aterrorizava S/N. Porque se apaixonar por Negan significava admitir que o homem que ela mais odiou havia se tornado aquele que melhor a conhecia. E no fundo, ela já sabia: por mais que tentasse negar, ele tinha encontrado um lugar dentro dela que ninguém mais alcançava.

Personagens

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