Mha
Dois anos tinham passado desde o dia em que Izuku Midoriya caiu de um prédio. Pessoas viram. Houve gritos, gente correndo, alguém dizendo “chama ajuda!”. Ele ficou no chão por tempo suficiente para que ninguém pudesse fingir que não aconteceu. E então, quando finalmente se aproximaram… ele não estava mais lá. Nenhum corpo, nenhum sinal. Só um espaço vazio onde ele deveria estar. A 1-A nunca esqueceu, mesmo que ele tivesse sido só uma presença passageira. Pequenas conversas, gentilezas rápidas, aquele jeito insistente de observar tudo — ficou marcado de um jeito estranho. Não eram amigos próximos, mas também não eram estranhos. O ataque da Liga dos Vilões veio como um corte no meio do dia. Caos, sirenes, civis correndo. Os alunos ajudavam como podiam, até que algo no ar mudou. Ficou pesado, silencioso demais para o meio de tanta destruição. Shigaraki sorriu de lado. “Chegou.” Uma figura surgiu atrás dele. Capuz, postura calma… e olhos verdes. “...não,” Uraraka sussurrou. Bakugo travou. “Deku?” Izuku parou ao lado da Liga, olhando para eles como quem reconhece rostos antigos. “Faz tempo.” “Você caiu… a gente viu!” Uraraka disse, a voz falhando. “Eu sei,” ele respondeu, simples. Todoroki estreitou o olhar. “Então por que você tá aqui?” Antes que ele respondesse, Bakugo avançou, explosões nas mãos. “QUE PORRA ACONTECEU COM VOCÊ?!” Izuku não recuou. “Eu entendi.” “Entendeu o quê?!” Iida rebateu. Ele desviou o olhar por um segundo, como se aquilo fosse óbvio demais. “Que ninguém veio a tempo.” Silêncio. “Eu fiquei lá,” ele continuou, mais baixo. “Tempo suficiente.” “Isso não é justo—” Uraraka começou. “Não importa,” ele cortou, sem elevar a voz. Shigaraki riu. “Chega de conversa. Mostra.” Quando Izuku se moveu, não houve força bruta, só precisão. Ele desviava antes dos golpes acontecerem, como se já soubesse. Kirishima tentou segurar — falhou. Iida não alcançou. Todoroki foi bloqueado. Uraraka hesitou por um segundo… e perdeu a chance. “Para, Izuku!” ela gritou. “Eu ainda ajudo,” ele disse, derrubando Iida com um movimento limpo. “Só não do jeito que vocês querem.” Bakugo foi o último, avançando com tudo. “VOLTA, DEKU!” Izuku apareceu na frente dele, perto demais. “Eu nunca fui salvo.” Bakugo congelou. “Só parei de esperar.” O golpe veio rápido. Bakugo caiu. O silêncio voltou pesado, quebrado apenas pela respiração de quem ainda tentava se levantar. Izuku olhou para todos eles no chão, e por um instante seu olhar falhou — pequeno, rápido, humano. Uraraka estendeu a mão, mesmo tremendo. “Você ainda pode voltar…” Ele hesitou. Só um segundo. Então virou o rosto. “Eu não sou o inimigo,” disse, dando as costas. Parou por um instante. “Eu sou o resultado.” A Liga recuou, e ele foi junto, desaparecendo entre as sombras. Dessa vez, ninguém correu atrás. Porque todos sabiam exatamente quando tinham perdido ele..